Tocaste precisamente no ponto, a altura é muito mais uma questão a ser pensada num bom plano urbanistico (bom=resisitir aos poderosos interesses financeiros que não olham a meios para conseguirem mais capital) do que propriamente num projecto isolado, ainda que eu não acredite nas vantagens de ter um edificio que se destaque no meio de uma cidade, porque ela tem "direito" de poder ter uma imagem que se destaque de um elemento que reclama para si a atenção.
Um exemplo perfeito para mim, é o caso de Niteroi, com o museu do Niemeyer. Basicamente, o que ali lhe foi pedido foi, cria-nos um simbolo, ao que ele correspondeu com a imagem que todos sabemos. Agora se perguntarem, aquilo funciona como museu? Numa palavra, não! A maresia estraga obras, os vidros sao impossiveis de limpar, é praticamente impossivel expor, e vocês perguntam e dai? Não respondeu ao que lhe pediram? Bem, respondeu, (quem é que nao conhece a obra,vejamos os turistas que lá vão,e a notabilidade que ganharam os politicos, para nao falar da "rivalidade" com o Rio, que assim fortaleceu o ego do povo de Niteroi por terem algo deles) mas nao é papel da arquitectura num primeiro lugar "servir" o homem facilitando-lhe a vida?
Esta é talvez uma discussão mais acessa ou complexa, porque no fundo, se ele não a fizer,o Niemeyer, alguem a faz, nao é? E no fundo, é tudo muito bonito, mas toda a gente também quer ganhar uns euros, para que a nossa passagem por aqui seja mais confortavel.
Acredito que o compromisso entre as duas partes, é a unica soluçao possivel, é ai que entra a ética, a consciencia, o saber.
Deste modo, não posso concordar com esta proposta, pelo simples motivo que, radicalizando o discurso, ela não se preocupa em integrar, mas quer-me parecer que apenas se quer afirmar num contexto em que, vejamos bem, não é tão fragmentado que precise de um "novo marco".
Um professor meu dizia, a arquitectura sempre sobreviveu aos arquitectos, a minha duvida é, sobreviverá o mundo?
Cumprimentos,
Cortinhal