Tenda Urbana Hah!, zero Descrição da proposta: As sociedades são compostas por indivíduos transnacionais, corpos em movimento que adquirem colecções de imagens inerentes a uma economia de consumo massificado e imoderado. Estabelecem relações mutuais de carácter momentâneo. Perante as mudanças mais rápidas dos usos e modos de vida urbanos, as cidades não podem escapar à responsabilidade de dar resposta aos problemas variados que emergem destas novas formas de mobilidade. As condições de mobilidade contemporânea implicam que as soluções sejam não só vistas com estáticas mas também capazes de conceber conceitos efémeros que respondam a uma noção cada vez mais alargada do fluxo de interacções humanas nas sociedades actuais. A proposta emerge, neste contexto, como uma resposta à mobilidade dos valores, dos ambientes e das necessidades mais instantâneas. O habitar transita da proporção de um carácter estático, associado à morosa tradição da construção física da cidade ou da mutação das identidades locais, à dimensão de uma intervenção, isto é, a uma capacidade evolutiva de soluções perante as exigências mais rápidas e extremas da cultura urbana contemporânea. A participação na cidade adquirirá um papel cultural crítico, um papel de comentário às modificações sofridas na sociedade, invadindo os vazios espaciais. O protótipo afirma-se pela essencialidade do indivíduo contemporâneo, cuja prática social pode ser vista como um modelo de acção capaz de se opor ao estado moderno e modos de organização, inerentes a uma prática de deslocamento, liberdade e integração na sociedade. Os seus limites tornam-se desvanecidos em função tanto da fugacidade de sua fixação, quanto do abandono de um modelo de mobilidade e comportamento. A posição do sujeito é externa e a sua concepção espacial uma continuidade, uma fuga que se contrapõe à percepção sedentária da cidade e ao modelo tradicional de ocupação, invasor da ordem estabelecida. O habitar, como forma, como módulo disponível para a agregação, como entidade reconhecível e como espaço interior submetido a um zoneamento, deixa de ser o lugar a resolver. Complexo, é o meio em que o sujeito realiza a sua existência. O lugar do habitar não é mais do que uma densificação do trajecto, onde se concentram e se vincam intensidades para definir a expressão mínima do habitar, da ideia de interior que é consubstancial ao habitante. Esta forma de habitar que opera sobre a convenção da cidade estática deve ser entendida como uma forma reveladora de outras condições, de novos lugares nos quais se realizam intercâmbios, de novos lugares onde, talvez, constituam-se hoje formas paralelas de habitar o público e o privado adequadas aos processos de transformação a que as nossas vidas estão submetidas.