Eu também já tinha recebido esta carta por email, e como tantas outras, fico na dúvida se terá chegado mesmo ao destinatário, antes demais acho que isso é que era interessante saber, qual a reacção da OA? Se este colega se identificou?
Concordo que a carta tem algumas expressões muito deselegantes, entre outras fico chocada com "...e visto que a OA não tem a mínima capacidade ou competância para me defender profissionalmente...". Atenção com estas conclusões de competências!!!! É verdade, e muito bem que vivemos numa democracia, mas isso não nos dá o direito de articularmos palavras, sob a forma de frases sem pensarmos reflectidamente na mensagem que estamos a passar. Eu percebo que há muita insatisfação, também sou da opinião que a OA tem que melhorar muito, mas todos nós também nos deveremos empenhar em apresentar soluções de melhoria. Da minha experiência e exigência pessoal gostaria que houvesse melhorias no que concerne à qualidade e conteúdos de alguma formação que a OA que disponibiliza, por exemplo não entendo porque ainda não existe a figura da formação contínua??? Há muitos arquitectos que deixam de participar na vida activa da educação/ formação/ debates, etc. Mas penso que todos estes problemas que cada um de nós tenha para com a OA, estes descontentamentos devem ser feitos chegar à OA, de forma séria e esclarecedora. Mas a realidade que o colega apresenta, acerca das condições de remuneração que existem no mercado, peço desculpa mas parece-me que algumas pessoas andam um pouco fora do contexto da realidade. Sou a primeira a defender que quando não queremos ser escravos, devemos rumar a outro destino, mas carissimos não se esqueçam que infelizmente hoje em dia à pessoas que só têm essas oportunidades para trabalharem em gabinetes de arquitectura, e a culpa é de quem? Alguém se dispõe a pagar nesses termos! Eu acho uma vergonha haver estágios não remunerados, quem trabalha tem direito a receber pelo seu serviço, e quando o estágio faz parte do processo de admissão a uma ordem profissional, aí acho que a OA deveria proteger os seus futuros membros, não deveria aceitar patronos que não pagassem remuneração, essa deveria ser uma das condições de aceitação. Só assim, seria possível acabar com o mercado de trabalho voluntário à força. As consequências deste mercado são desatrosas no mercado de trabalho da arquitectura, porque mão de obra barata, promove a baixa de preços de trabalhos de arquitectura que se vive em portugal, e isso sim só tira dignidade ao nosso trabalho. Já somos arquitectos a mais, pelo menos da forma como se trabalha em Portugal, a OA tem que ajudar a encontrar rumos, porque não há projectos para todos!!! Mas acima de tudo, digo-vos, não desisto de acreditar!