Abrigar e chamar a atenção acerca dos espaços urbanos degradados e vazios, suas conexões com a cidade e seu potencial para melhoria das condições urbanas, sociais e de cidadania é o objectivo deste abrigo temporário. Ocupar baldios, terrenos, prédios e terraços degradados e desocupados de maneira inusitada, onde a forma do objecto é um modo de apropriar-se dos espaços públicos criando relações pouco habituais com os mesmos. Um abrigo auto-suficiente dentro do contexto urbano, tirando vantagem das infra-estruturas e outras facilidades existentes. A função será permitir um momento de descanso e asseio, ou uma noite de sono em uma cabine de construção ligeira. No seu interior o utente encontrará uma instalação sanitária, local para depositar seus pertences, uma pequena mesa para refeições e um espaço onde estender o seu saco cama. As aberturas serão apontadas para diferentes visuais, ou recantos da cidade de maneira a provocar reflexão ou simplesmente a contemplação. Cada instalação pode ser ocupada por até duas pessoas. A estrutura é ligeira composta por tubos metálicos, revestida por painéis de material reciclado feitos de plástico e embalagens diversas. Na parte superior, placas de energia solar e células foto voltaicas fornecem energia para o aquecimento da água do depósito e energia eléctrica. As águas residuais podem ficar armazenadas em depósitos na parte inferior, ou ainda despejadas na rede local onde esta esteja disponível. As maneiras de viabilizar tal experiência são muitas, como por exemplo, o pagamento automático através de moedas ou Multibanco à porta dos abrigos e um esquema de manutenção e limpeza diária, gerando empregos. A forma pode adaptar-se a diferentes sítios e condições, mas o mais importante é a apropriação de espaços provocando a discussão acerca das cidades.