Sabem, normalmente os profissionais de uma qualquer área de actividade tendem, de forma quase instintiva, a sobrevalorizar os saberes e artes que dominam, e tendem a esquecer outros aspectos que são sempre essenciais.
Ora, aqui o que está em causa é uma travessia de um rio, e saibam os frequentadores deste forum mais distraídos que atravessar um rio tem muito que se lhe diga.
Para começar, uma travessia de um rio como o Tejo implica mexer com toda a actividade maritima, movimentos portuários, assoreamentos (provocados pelas próprias pontes), e impacto ambiental.
No caso desta terceira travessia, qualquer cenário dos propostos irá cauar danos irreversíveis nas condições de navegabilidade do rio Tejo, indo-se ao limite de estar previsto em alguns estudos que uma ponte entre Chelas e o Barreiro poder vir a colocar em risco a própria sustentabilidade do porto de Lisboa, por motivos ligados com o assoreamento elevadissimo que esta ponte poderá provocar, com a altura do próprio vão da ponte (42 metros ao vão é ridiculo, pois há navios que necessitam de 48 metros, aliás a ponte 25 de Abril tem 50 metros até ao vão), e com a necessidade de leito de rio com profundidade para manobras de grandes navios, entre outros motivos.
A única solução que eu vejo para o Tejo será um túnel, e Algés-Trafaria parece ser a solução mais cabal e lógica e a única que resolve o problema da saturação da 25 de Abril, sem colocar em cheque o próprio leito do rio.
Por favor, informem-se aprofundadamente sobre os efeitos que mais uma ponte pode ter na sustentabilidade do porto de Lisboa. Não podemos, em nome de uma simples ponte, colocar em risco toda a actividade portuária da maior cidade do país!