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Post original: 15.09.06

Aires Mateus Associados
Portagem na Auto-estrada A2 - Algarve

Um tempo
O projecto trata de questões objectivas – um instante preciso no tempo, a entrada num território diferente, a pausa obrigatória num movimento contínuo. Por tratar desse instante, trata também de todos os outros momentos do percurso e de um conjunto de sensações vividas numa sequência de vários cenários. Numa auto-estrada viajamos num todo, em que as relações mais remotas com a paisagem – cheiros, variações de temperatura e humidade, ruídos e ventos – nos são filtradas por circunstâncias inerentes à velocidade. A velocidade entendida enquanto dimensão vai revelando no entanto, sucessões de territórios.
A paragem na praça de portagem será, em relação a esse movimento, um acidente pontual em que, sem sairmos desse todo, finalmente abrandamos, mudando todo o conjunto de sensações características do percurso – vibrações, ruídos, velocidade de leitura da paisagem. O momento é, assim, único no percurso e marcado em si só; a ideia de o assinalar reforça a singularidade da sua percepção, não devendo, no entanto isola-lo de um todo.

Imagem colocada
Fotografia: Daniel Malhão

Um espaço
Por outro lado, o concurso sugere igualmente uma reflexão em torno do território. Se por um lado a implementação de uma auto-estrada se constitui como uma alteração num tecido contínuo, feito de outras lógicas de desenho e de tempos de intervenção distintos, também se afirma como um corte tão fino que deixa reconhecer facilmente as continuidades entre ambas as margens.
Mas mais que um corte, a auto-estrada constitui-se ela própria como um novo território, que indiferentemente se sobrepõe aos demais; um território dotado de regras próprias, sensações próprias, valores próprios revelando aqueles que vão sendo atravessados.
Uma praça de portagem, sendo inequivocamente mais um ponto desse território linear, apresenta-se ao mesmo tempo como uma oportunidade de demostração do equilibrio entre natural e construido, ligando o artifício à natureza, marcando a capacidade de cada um dos mundos propor novas leituras, que se reforçam num todo.

Imagem colocada
Fotografia: Daniel Malhão


A proposta
O projecto pretende ancorar a sua resposta em linhas de continuidade com o contexto próximo. A proposta pretende explorar a carga poética de elementos construtivos normalmente utilizados de forma estritamente pragmática, valorizando simultaneamente a sua relação com o meio natural espontâneo, cíclico e perecível, construindo uma imagem reconhecível, um referente concreto para o conceito subjacente da porta de chegada. Nesse sentido, o elemento marcante da proposta é claramente a estrutura de cobertura da praça.
A enorme pala, que se lê à distância e que se percebe como uma unidade, revela-se a um olhar aproximado como um conjunto de delicadas coberturas, justapostas e sobrepostas. Estas estruturas desenham-se serenas evocando de forma simplificada a estrutura de uma árvore; o conjunto das palas constitui metáfora abstracta de uma floresta, na aparente aleatoriedade da sua disposição e pela manifesta diversidade de proporções.
O edifício de controlo, cuja escala poderia ombrear com a das coberturas, surge dissimulado no talude de terreno adjacente. Mais do que como uma construção, ele apresenta-se como um acidente topográfico, que alberga os requisitos programáticos.
Toda a eloquência da cobertura encontra a necessária correspondência no silêncio absoluto do entorno. Esta hierarquização muito clara das intenções do projecto é o ponto de partida que garante uma adequada gestão dos recursos disponíveis, contribuindo para uma proposta equilibrada
Não restam dúvidas de que a construção de uma auto-estrada é um gesto de grande impacto inicial, sobre uma paisagem virgem. Do mesmo modo, é garantido que o tempo e o complexo tecido da história e da cultura farão dele apenas mais uma marca, igual a todas aquelas de que, no fundo, o território é feito - e sem as quais o não é.
O projecto constitui sobretudo a oportunidade de reflectir sobre este fenómeno, de ensaiar uma lógica possível de ligação entre territórios agora separados por essa fenda; de propor uma hipótese de compreensão para um território fragmentado em locais tão distantes e todavia ao alcance de um olhar.

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Fotografias: Daniel Malhão


Cliente: BRISA
Arquitecto: Francisco Aires Mateus
Custo: 2.000.000,00€
Estado: Construído em Julho de 2002

Fonte: EuropaConcorsi
Posted

Estarei enganado ou o Sir Norman Foster (ou outro titulo que não me recordo), fez anteriormente as estações de serviço tipo da Repsol com o mesmo principio, para não dizer iguais!!?

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