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As exposições de artes visuais se traduzem em uma prática do discurso da experiência artística e podem ser melhor entendidas mediante a compreensão de seu espaço. Essa relação aponta para a dissolução da idéia de espaço expositivo ideal, pondo em xeque o conceito do cubo branco e assemelhando o lugar expositivo à caixa preta teatral.


O tema “Cenário da Arquitetura da Arte” será apresentado por Sonia Del Castillo e debatido com o público presente ao Centro Cultural e com: Agnaldo Farias, também arquiteto, crítico de arte, curador e professor-doutor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), que também já ocupou os cargos de curador adjunto da 23ª Bienal de São Paulo e de curador geral do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; e Beatriz Furtado, jornalista, doutora em Sociologia e professora da graduação e pós-graduação em Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (UFC).


Em seu livro “Cenário da Arquitetura da Arte”, Sonia Salcedo del Castillo discute exposições de arte, demonstrando a amplitude do tema, capítulo dos mais fascinantes da história da cultura, incluído o fenômeno de sua espetaculização. Fenômeno fundamental a discussão da cultura dos dias de hoje.

Trata-se de uma das raras publicações brasileiras sobre o assunto. Conforme seu prefaciador, o professor doutor (FAU-USP) Agnaldo Farias, “nasce, pois, com a vocação de obra de referência [...] Pioneira sobretudo por sua articulação entre noções estéticas concernentes à produção moderna e contemporânea, com aspectos políticos e econômicos”, incluindo as instituições de arte.

A autora, cuja atuação profissional encampa a arquitetura e as artes visuais, dedica o primeiro capítulo a um rastreamento histórico do processo de defesa da autonomia do circuito, desde os primeiros salões parisienses, passando por escolas, movimentos, não esquecendo de relacioná-lo às esferas do poder (aliás, ângulo que manterá até o fim), até a passagem das montagens expositivas de paredes plenas de obras do século XIX ao paradigma espacial do “cubo branco” já no início do século XX.

No segundo capítulo, sua argumentação presentifica-se, à medida que o “espaço expositor torna-se ‘peça-chave’ do debate artístico”, em razão do número crescente de obras produzidas na própria exposição. A noção de neutralidade em favor da leitura das obras, característica do ‘cubo branco’ é, então, substituída pela flexibilidade semelhante à caixa preta teatral.

Em seu terceiro capítulo, são apresentadas contribuições de “alguns dos movimentos mais importante no âmbito dos anos 1960 – 70, responsáveis pela redefinição das noções de espaço e tempo na arte”, que concorreram para abalar de vez a noção de espaço asséptico para a veiculação artística, questionando a idéia de espaço expositivo ideal e a repercussão disso no fazer expositivo em especial na lógica museal.

O último capítulo emoldura a tese (“que perpassa sutilmente o livro de ponta a ponta”), segundo a qual o modo de fruir oferecido por uma exposição importa mais que os objetos nela expostos. Sua linha argumentativa chega ao tom máximo no momento atual, quando a espetaculização expositiva recai no paradoxo de eclipsar as obras. “Sonia Salcedo fecha seu livro necessário levando-nos a pensar sobre os efeitos” de tais fatos.



Artigo Completo: Farol

Josué Jacinto - Mais Fácil
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