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Passam três propostas e dois arquitectos para segundo concurso da Biblioteca Central

Construção em branco





Já se sabe quem apresentou as três melhores ideias para a futura Biblioteca Central de Macau. Os dois arquitectos vencedores são os únicos que vão receber convites para desenvolver a proposta mas o funcionamento do segundo concurso ainda está em aberto. O Instituto Cultural informou ontem que o regulamento será feito pelo RIBA. As críticas já se fazem ouvir.
Sónia Nunes

Conheceram-se ontem os resultados do concurso de ideias para a futura Biblioteca Central de Macau. O júri outorgou quatro menções honrosas (o regulamento apontava para cinco); o primeiro e segundo lugar foram atribuídos ao mesmo arquitecto que em quatro meses preparou duas propostas para o antigo edifício do Tribunal e ainda não há nada que tutele a segunda etapa do projecto. A presidente do Instituto Cultural (IC) reitera a transparência do processo e garante que nada há a esconder. Durante a conferência de imprensa de ontem, Heidi Ho manteve o registo evasivo e sobre a próxima fase de construção disse apenas que não iria além das três propostas seleccionadas. Já durante a noite fez saber, por nota de imprensa, que contratou o Instituto Real de Arquitectos Britânicos (RIBA) como consultor. Os arquitectos aguçam as críticas e continuam sem perceber por que se dividiu a competição em duas fases. Sendo esta a opção, fica por esclarecer o título de vencedores em vez de pré-seleccionados.

O júri seleccionou três propostas. O primeiro e segundo lugar foi entregue a Vong Man Cheng e o terceiro a Chio Wai Tong. Apesar de o colectivo ter, por várias vezes, enaltecido a qualidade dos 31 trabalhos a concurso, decidiu que apenas “quatro tinham direito a nomeação honrosa” – não foram apresentados argumentos. Os títulos de obra seleccionada foram entregues, sem ordem, a Carlos Marreiros, Chan Hou Meng, Maria Carlota Proença de Almeida e Michael Kai Wong.

O presidente do colectivo, Milton Tan, esclareceu que “é normal e comum” um mesmo arquitecto submeter duas propostas a concurso e foi parco em comentários sobre a decisão do IC em estipular duas fases de competição. “A divisão por fases, por vezes mais do que duas, está a ficar mais popular. Por uma razão muito simples: é um método que permite uma melhor economia de tempo e recursos”, afirmou. Se a politica é a mais certeira, “depende da natureza do projecto. Se for exigente é melhor que seja dividido por fases”, observou – durante a apresentação dos vencedores os jurados foram unânimes em considerar que as propostas para a Biblioteca Central eram de difícil execução.

A justificação apresentada por Heidi Ho aquando da abertura pública das candidaturas (a 24 de Junho) foi, no entanto, outra. A presidente do IC legitimou a opção com a vontade do Governo em ter o número mais amplo possível de participantes, todos os arquitectos inscritos na DSSOPT. A fundamentação – aliada à obrigatória cedência dos direitos patrimoniais e ao direito da organização em “utilizar qualquer proposta premiada como base ou referência para o projecto arquitectónico da Biblioteca” – foi interpretada por alguns profissionais como sendo um escape à possível incapacidade técnica dos autores seleccionados por permitir que o projecto seja desenvolvido por outros arquitectos. Leitura que, de resto, nunca foi confirmada nem desmentida pelo IC.

Em termos práticos, os convites para a segunda fase serão entregues a dois arquitectos. Porém, Heidi Ho não sai daqui: “Nesta fase serão entregues convites ao primeiro, segundo e terceiro classificados. É lógico. De certeza absoluta que não vai sair da concepção das três propostas vencedoras”, afirma. Os termos da segunda fase continuam em aberto. Não se sabe se os premiados vão desenvolver autonomamente o projecto ou se será feito uma colisão de ideias, uma espécie de best-off dos três desenhos escolhidos. “Não existe nenhum secretismo. No momento oportuno será conhecido o regulamento. Tem ainda que ser definido. Há aspectos, como o modo de funcionamento do concurso, que têm que ser ponderados”, declarou Ho. A competição será aberta “num futuro breve”, sendo que os arquitectos “podem ficar descansados que vão ter tempo para preparar os trabalhos”. Assim falou a presidente do IC por volta das 13h00 de ontem.

Um óvni chamado RIBA

Heidi Ho referiu, ainda durante a sessão pública de 24 de Junho, que os trâmites para a segunda fase seriam feitos a partir do relatório do júri divulgado ontem. “Está dependente da organização e da escolha que fizer para seguir em frente”, contrapôs o presidente do colectivo e membro do Ministério de Informação, Comunicação e Artes de Singapura, Milton Tan. Quanto à cedência dos direitos patrimoniais o arquitecto não diz que é uma regra “normal”. É, antes, “uma condição de um contrato assinado entre os concorrentes e a organização” – a justiça “depende do que se recebe em troca”, rematou. O regulamento não prevê quaisquer contrapartidas económicas.

Já durante a noite, o IC publicou um comunicado em que se lê que “convidou” o Instituto Real de Arquitectos Britânicos para “acompanhar, na qualidade de entidade consultiva, a segunda fase” do projecto. Mais: “Todo o regulamento, bem como os procedimentos para a selecção do vencedor da próxima fase, serão da responsabilidade desta instituição”.

A súbita referência ao RIBA surpreende os arquitectos que aceitaram as regras do jogo do IC. “É completamente desadequado. Há a União Internacional dos Arquitectos, afecta à UNESCO e com secções regionais – no caso de Macau, a Associação dos Arquitectos – que tem um grupo de trabalho que é chamado a servir de suporte ou para organizar concursos”, aponta Mário Duque, um dos arquitectos preteridos pelo júri.

Já para a organização, o RIBA, criado em 1837, “é das mais importantes e influentes instituições de arquitectura a nível mundial” e conta com um Gabinete de Competições que opera com “o máximo de profissionalismo e objectividade no âmbito de concursos de design arquitectónico”, sublinha a nota.

Concurso a duas caras

O vice-presidente da Associação dos Arquitectos, um dos maiores entusiastas à iniciativa lançada pelo IC e um dos candidatos que não passou pelo crivo do júri, Rui Leão, lança as primeiras críticas à organização. Não percebe porque é que numa competição estabelecida em duas fases há premiados e não encontra uma razão para que nada disto tenha vindo escrito no primeiro regulamento. Está à espera de explicações.

“Quando se estabelece um concurso por fases não há nem primeiro nem segundo lugar. Há pré-seleccionados. Caso contrário os candidatos não estão em pé de igualdade para a segunda fase. É, antes de mais, um acto democrático: ninguém concorre para perder”, observa.

O articulado que tutelou a primeira fase não estipula etapas para o processo – daí a necessidade de se criar um novo regulamento para ancorar a construção do desenho conceptual. Foi a interpretação ao polémico artigo 10º que fez antever o faseamento da competição, confirmada, entretanto, pelo IC. “É muito esquisito que não haja nada que prefigure uma segunda fase. Foi revelada a meio do processo, o que me parece legalmente incorrecto. Houve um regulamento que foi acordado entre as duas partes e foi nessas condições que os candidatos aderiram ao concurso. É uma questão de legitimidade”, apontou Rui Leão.

O arquitecto reconhece que lhe fica “mal criticar o concurso nesta altura” mas aponta o dedo ao painel dos jurados. Por dois motivos, que nada têm que ver com a “decisão soberana e isenta” do colectivo: “Estava à espera de um júri realmente internacional. Tirando um dos membros, que é irlandês, o restante painel é chinês. Parece-me haver aqui uma imagem de patriotismo”, avança. Também o perfil dos jurados podia ter sido alargado: “Metade do júri são bibliotecários ou professores de arquitectura. Devia haver mais arquitectos em exercício. A arquitectura chinesa é boa mas caminha para a internacionalização. O que não quer dizer que os professores de arquitectura chineses sejam de primeira água”, acrescenta.

Já como vice-presidente da AA, Rui Leão reitera a obrigação de apoiar a iniciativa do IC e em “ter confiança”. “É fundamental para que as instituições se apercebam que a distribuição do trabalho tem de ser feita por concurso”, justifica.

“Fico feliz. É bom e lisonjeiro”, comenta Carlos Marreiros sobre a menção honrosa que ontem recebeu. O arquitecto entende que “é prática comum” um mesmo arquitecto submeter duas propostas a concurso e não apresenta objecções em relação ao processo. “O regulamento pode ser melhorado mas nada tenho contra este modelo. Não sendo perfeito, é o primeiro concurso de arquitectura da RAEM. Como ex-presidente da AA sempre pugnei por este tipo de iniciativas. Daí a minha participação. Resta-me felicitar os vencedores e esperar que tenhamos uma biblioteca de qualidade”, concluiu.
Ponderação do Júri

Segundo Milton Tan, foram entregues trabalhos com muita qualidade e destaca que “em muitos casos, os esforços e os recursos investidos nas propostas foram notáveis”. Para o presidente do júri a maioria das obras manteve a fachada do antigo Tribunal e da sede da Policia Judiciária mas notam-se situações em que não “houve uma apreciação mais profunda sobre o significado” dos aspectos históricos do edifício. O arquitecto considerou também que “em várias propostas entregues, observa-se que os elementos antigos e modernos estão em conflito”. Os melhores desenhos foram, assim, os que “tentarem compatibilizar a geometria e o espírito do local, incluindo um sentido de renovação sobre a chegada à biblioteca pelas entradas da fachada principal, posterior e lateral”.

O painel “lamenta a aparente ausência da capacidade de “contar histórias” que algumas propostas revelam” e fala em “rotina de estantes e secretárias alinhadas em fila” – o que foi interpretado como “reflexo da falta de entendimento dos participantes sobre a transformação profunda que tem vindo a alterar o design de bibliotecas, preparando-as para a era digital”.
O desafio, esclarece, estaria em pensar o espaço como uma “praça ou mercado público” e devia ter em conta conceitos como mobilidade, fluxo de pessoas (adolescentes e adultos) e poupança de recursos energéticos. O júri destaca ainda que espaços tecnológicos não podem ser resumidos a salas com computadores.

“A Biblioteca Central tinha de ser o novo pilar de Macau”, ilustrou Milton Tan. Já o professor Zhaoye Guan realça que os arquitectos que transitaram para a segunda fase vão enfrentar novas metas. “É uma obra muito difícil. As exigências são elevadas”, afirmou.
O júri reuniu-se de 11 a 14 de Julho e organizou um total de sete rondas de votos para emitir o veredicto final. “ A escolha foi muito natural”, comentou o director da biblioteca de Xangai, Jianzhong Wu.

in http://www.hojemacau.com/news.phtml?id=29574&type=culture&today=15-07-2008

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Biblioteca Central chega ao CCAC
Sónia Nunes --

O Instituto Cultural (IC) encaminhou ontem o processo do concurso de ideias para a futura Biblioteca de Macau para o Comissariado Contra a Corrupção (CCAC). O anúncio foi feito ontem à noite pelo organismo que, em comunicado de imprensa, se compromete a colaborar com a investigação e aguarda pela actuação das autoridades.

Com o ofício que endereçou ao CCAC, o IC “espera que se efectue uma fiscalização e o eventual acompanhamento de todos os procedimentos e dos resultados do referido concurso. Os dirigentes, chefias e todo o corpo de trabalhadores do Instituto Cultural estão disponíveis para colaborar activa, séria e exaustivamente, nos termos da lei, com as autoridades relevantes no desenvolvimento de quaisquer trabalhos relativos ao assunto”, lê-se na nota enviada aos jornalistas. O organismo presidido por Heidi Ho destacou que os resultados da competição “deram origem a vários comentários no seio da sociedade” e refere que “atribui a devida importância” às questões que foram levantadas em praça pública. Em causa está a entrega dos dois primeiros lugares à arquitecta Vong Man Cheng que trabalha na empresa administrada pelo deputado José Chui Sai Peng (a CAA, Planeamento e Engenharia, Consultores Limitada), contratada em 2006 pelo IC para prestar consultadoria no plano de construção para as futuras instalações da Biblioteca Central.


Tudo certo com o júri


O membro do júri para o concurso da futura Biblioteca Central de Macau e professor de Arquitectura na Universidade de Hong Kong, David Lung, assegura a lisura da avaliação das 31 propostas de desenho conceptual submetidas e garante que o painel internacional não teve acesso a “qualquer informação” que pudesse ter influenciado os resultados. O académico diz ainda desconhecer a arquitecta vencedora e a empresa para qual Vong Man Cheng trabalha. Reitera que o regulamento apenas vedava a competição aos funcionários do Instituto Cultural e remete as questões sobre participação da CAA na competição para Heidi Ho.

“Não sei quem ganhou o concurso: não faço ideia quem são essas pessoas. Como membro do júri limitei-me a fazer uma avaliação técnica das propostas que, de resto, eram anónimas”, assegurou David Lung. A reacção do professor às críticas dos concorrentes (corroboradas, ainda que de forma discreta, pela Associação dos Arquitectos) que apontam o dedo a um eventual conflito de interesses e a um possível acesso de Vong Man Cheng a informação privilegiada, vai ao encontro do discurso da presidente do Instituto Cultural – Heidi Ho, desde a apresentação do júri, feita um dia antes da abertura pública das candidaturas, sempre destacou que os jurados não tinham “qualquer relação com nenhum arquitecto de Macau”.

Competição aberta

O professor recusa-se a comentar o envolvimento da CAA na competição de ideias para a futura biblioteca: “Não tenho informações sobre o caso”, alegou. Ressalva, porém, que os sete membros que constituíram o painel de avaliação e atribuíram o primeiro e segundo lugar à mesma arquitecta actuaram com justiça e imparcialidade. “O nosso papel era muito simples e cumprimos com o nosso dever. Não nos foi dada qualquer informação”, sublinha.
David Lung defende que “não é da nossa [do painel] jurisprudência” ponderar o facto do regulamento do Instituto Cultural não ter declarado impedida a empresa contratada em 2006 para elaborar os estudos sobre o planeamento da construção da nova biblioteca. Mas serve-se do documento para argumentar que todos os arquitectos, desde que estivessem inscritos na Direcção dos Serviços para os Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), podiam ser concorrentes – e submeter as propostas que entendessem. “Que limites podem haver numa competição que é aberta?”, ripostou, dando a entrevista ao Hoje Macau por terminada.

O académico faz também parte do júri que a partir de amanhã irá avaliar os seis projectos de arquitectura para a remodelação do Lisboa que constam da primeira fase do concurso internacional lançado pela Sociedade de Jogos de Macau. David Lung é ainda representante da UNESCO na Ásia, com a pasta de Gestão de Recursos do Património Cultural, e é autor de várias publicações sobre a preservação do legado histórico de Macau.

in http://www.hojemacau.com/news.phtml?id=29795&type=culture&today=30-07-2008

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É algo caricato que sejam eleitos 3 projectos na primeira fase da autoria de 2 arquitectos... :( o homem dedicou-se mesmo...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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