shakilrahim Posted July 2, 2008 Report Posted July 2, 2008 Os teóricos das ciências da organização do espaço urbano têm vindo a distinguir de forma clara, aquilo a que hoje chamamos de Megacidades das normalmente designadas cidades globais. O acesso em banda larga, a globalização da economia, os serviços de outsourcing, a força das praças financeiras, as sociedades de informação e do conhecimento constituiem a face visivel das novas políticas estratégicas das cidades em rede. Fortemente competitivas e com niveis de conecção distintas, as cidades globais apresentam-se no ranking mundial como a nova forma de dinâmica urbana, onde um nova estrutura do tipo grafo, substitui a tradicional Teoria dos Lugares Centrais de Christaller. Com a introdução do comboio de Alta Velocidade e da generalização das companhias de low-cost, as ligações entre as cidades reduziram-se, o tempo alterou-se. As cidades globais são formas concentradas de prestígio financeiro e de serviços qualificados, numa mão-de-obra reduzida e especialidada, que cada vez mais se comunica por bits com recurso a plataformas digitais. No quadro das cidades globais a arquitectura e o urbanismo têm servido para responder a programas particulares de reposta a serviços muito especializados, a programas de infraestruturas de transportes e unidades de I&D, arranha-céus, e de politicas de promoção do luxo através de habitação ou terceário para multinacionais. Os espaços tendem a ser cada vez mais pequenos e em localizações com preços de solo muito caros, o que encarece o o preço de m2. Em paralelo a esta dinâmica financeira, existe um oceano de pobreza, exclusão e analfabetismo. Multiplicam-se os bairros degradados e a fome. Situações limite de falta de saneamento, acesso a água potável ou outras infraestruturas básicas. Situações muito precárias, de marginalidade e insegurança. Sem acesso à educação, à cultura ou ao emprego. Cidades demograficamente saturadas, com uma população de milhões de habitantes com densidades muito elevadas por m2. A estas chamamos Megacidades. Nem todas as cidades globais são megacidades (v.g. Londres ou Tóquio, embora tenham grandes índices populacionais), e uma megacidade não é necessariamente uma cidade global. Porém, as megacidades podem ser consequência das cidades globais, devido à deficiente distribuição dos rendimentos (v.g. São Paulo ou Lagos). São as cidades duais: vivem a duas velocidades. A face visivel do neoliberalismo capitalista continua e fazer avançar o espaço de fluxos das cidades globais em tempo real, promovendo a arquitectura como a sua espressão física. Em contraste, continuamos a criar espaços off line cada vez mais problemáticos e dificies de integrar na malha. Que futuro se espera para a Cidade Global? Como podemos evitar o avanço das Megacidades? Que medidas, programas, políticas e acções publicas e privadas garantem a participação democrática e asseguram o direito, as liberdades e garantias dos cidadãos em contexto da globalização da arquitectura e da cidade? Quote
Mark Posted July 2, 2008 Report Posted July 2, 2008 :clap: Concordo com muito do que diz no seu texto, acho que as perguntas que deixa no final podem aplicar-se a qualquer cidade e nao so ao caso das cidades globais ou das megacidade, por exemplo lisboa e a sua periferia, algo ficou perdido com a expancao de lisboa, a sua periferia e o centro da cidade estao desligadas e falta uma relacao entre elas. A periferia continua a desenvolver-se de um modo (a meu ver) desorganizado em que as politicas do betao continuam a reinar enquanto o centro da cidade vai morrendo lentamente e onde a reabilitacao do patrimonio e das infraestruturas se faz de um modo pouco adequado. Isto levanta outra questao. O que fazer com as cidades que estao morrendo? Outros exemplos Veneza ou New Orleans, cidades cheias de vida, de pessoas que vivem nelas e de pessoas que as visitam para guardarem para si a experiencia da cidade, mas como Lisboa as suas infraestruturas nao estao a ser reabilitadas. Com isto nao defendo que tudo tenha que ser salvo, ha que decidir o que realmente e importante salvar e reabilitar ou erguer de novo o que for necessario sempre com um sentido de responsabilidade perante o passado de cada cidade. Se assim nao for valera mais deixar estas cidades se afundarem no oceano e erguer novas estruturas no seu lugar, senao corremos o risco de elas se tornarem em parque de diversao para turistas. Concordo muito com as ideias de Eduardo Souto de Moura sobre a cidade, onde ele defende que o lugar natural do homem e na cidade e nao no campo. Alem disso as cidades sao muito mais eficientes a todos os niveis, economicos, sociais e mesmo ambientais, embora sejam muito mais concentrados a percentagem de residuous e de emisoes per capita dentro das cidades e muito mais reduzida do que por exemplo nos bairros perifericos. Bem, ja estou a divagar! bom trabalho! e sempre bom debater ideias. Quote
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