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Arquitecto Jean Nouvel ganha Prémio Pritzker

Distinção será entregue em Washington, no próximo dia 2 de Junho
O arquitecto francês Jean Nouvel ganhou o Prémio Pritzker, a recompensa mais prestigiada da arquitectura mundial, e que é considerado o "Nobel" do sector, foi ontem anunciado em Los Angeles.
O Pritzker tem o valor de 100 mil dólares (63 mil euros), acompanhado por uma medalha de bronze simbólica, e é atribuído todos os anos, desde 1979, pela Fundação Hyatt. Álvaro Siza foi o único português a ganhá-lo, em 1992. Será entregue no próximo dia 2 de Junho, numa cerimónia a realizar na Biblioteca do Congresso, em Washington.
Nouvel, de 62 anos, foi distinguido pelo conjunto da carreira, marcada pela "corajosa perseguição de novas ideias e por questionar normas aceites, visando alargar os limites do seu campo de actividade", declarou Thomas Pritzker, presidente daquela fundação.
O júri de sete membros, presidido pelo coleccionador de arte inglês lorde Peter Palumbo, e que integrava ainda arquitectos de renome internacional, historiadores e professores universitários, reconheceu ainda "a coerência, a imaginação e sobretudo uma necessidade insaciável de experiências criativas".
Segundo lorde Palumbo, "para Nouvel, em arquitectura, não há 'estilo' a priori. É antes um contexto, interpretado no seu sentido mais amplo, para incluir a cultura, o local, o programa e o cliente, o que o leva a desenvolver uma estratégia diferente para cada projecto".
Contactado pela AFP, o arquitecto, que também se dedica ao design e à cenografia, declarou-se "honrado e um pouco surpreendido" pelo prémio, que lhe permitirá "talvez ir um pouco mais longe".
O essencial da obra de Jean Nouvel encontra-se em França (Fundação Cartier, Museu do Quai Branly ou o Instituto do Mundo Árabe, em Paris, a renovação da Ópera de Lyon e o Palácio da Justiça de Nantes, por exemplo), mas o arquitecto tem, com a sua equipa, concebido projectos no mundo inteiro, somando até agora mais de 200 edifícios.
É o caso da extensão do Museu Reina Sofia, em Madrid, de torres e complexos de apartamentos em Nova Iorque e Los Angeles, da Torre Agbar, em Barcelona, da Torre Doha, no Qatar (prevista para 2010), ou do Louvre de Abu Dhabi (em curso), entre muitos outros. Em Portugal, Nouvel tem o projecto de uma urbanização em Alcântara-Mar. - E.B.

in http://dn.sapo.pt/2008/03/31/artes/arquitecto_jean_nouvel_ganha_premio_.html

  • 2 weeks later...
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NOUVEL LÊ PESSOA

"Tenho sempre livros à mão", admitia Jean Nouvel na entrevista para o número monográfico sobre a sua obra da revista japonesa (mas com edição bilingue) A+U - Architecture and Urbanism, editado em Abril de 2006. "Um dos que me fascinaram recentemente intitula-se O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa. Tornou-se um verdadeiro livro de cabeceira. Mas estou aborrecido porque o meti numa mala e o perdi. Tenho de o voltar a comprar. É um livro encantador: tanta introspecção metafísica num homem que tem uma vida vulgar parece-me incrível."

A relação entre o arquitecto francês que ganhou, aos 62 anos e ao fim de cerca de 200 obras espalhadas por quatro continentes, o Prémio Pritzker (com que Álvaro Siza foi galardoado em 1992!) e Portugal não se limita, pois, ao projecto de urbanização que Jean Nouvel concebeu para Alcântara-Mar, no tempo em que Pedro Santana Lopes também convidou Frank Gehry e Norman Foster.

O autor de obras que marcaram a paisagem de Paris e de Barcelona diz que o seu poeta dilecto é René Char e que gosta do cinema de Godard, do seu grande amigo Wenders e de Lynch. Assume que é um hedonista, gosta de boa comida e de sair à noite, adora nadar e ver jogos de râguebi - e, também, de "não fazer nada". Entretanto, pode ler, por exemplo, Exercícios de Estilo, o célebre livro em que Raymond Queneau narra a mesma história simples de 99 formas diferentes e que é quase uma metáfora do trabalho do arquitecto que assinou o Instituto do Mundo Árabe e a renovação da Ópera de Lyon, os apartamentos Nemausis e a extensão do Museu Rainha Sofia, o centro de conferências e música de Lucerna e a Torre Agbar.

O seu percurso, em que se sucedem a busca das formas e a procura dos contrastes em criações que tanto se destacam na silhueta da cidade como se harmonizam com o sítio, em edifícios que têm superfícies espelhadas ou que mudam de tom conforme a posição do sol, enquanto outros são opacos ou forrados com revestimento vegetal, obriga Nouvel a admitir que é um arquitecto fascinado pela luz.

E, com a mesma naturalidade com que fala dos prazeres da vida, evoca a Catedral de Chartres e algumas fantásticas construções românicas, a arquitectura do ferro dos finais do século XIX e a casa de vidro que Pierre Chareau edificou em Paris, as influências de Le Corbusier e de Mies van der Rohe, as casas de chá japonesas e a vila imperial de Katsura.

Agora, espera-se pelo Louvre do deserto (ou das areias) e pela colina em alumínio da Filarmónica de Paris. E, também, se irá para a frente aquele espaço, revestido em azul como os azulejos, que projectou para Lisboa. Embora também seja possível que tudo se resuma à repetição do seu célebre desenho da Torre Infinita, que partia de uma base sólida e se perdia, qual Torre de Babel, no espaço - e que, obviamente, nunca foi edificada.
in http://dn.sapo.pt/2008/04/12/dngente/nouvel_pessoa.html

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