Dreamer Posted March 17, 2008 Report Posted March 17, 2008 Sinais dos tempo Jorge , Vilas, Jornalista Há 55 anos, o Porto era um imenso estaleiro. Poderá parecer mentira, mas, a meio do século XX, ainda estavam no início, em construção ou em fase de conclusão, muitos dos empreendimentos que, passados estes anos todos, constituem verdadeiros "cartões de visita" desta cidade milenária. Passados que foram esses 50 anos, num tempo em que se fala tanto de desemprego, subemprego, precariedade e exclusão; numa época em que ir à Baixa portuense é encontrar mais um prédio vazio ou uma loja que fechou as portas até na rua mais comercial - a de Santa Catarina - convirá lembrar aos mais distraídos que já lá vão as épocas de glória em que o Porto se orgulhava de ser cabeça de uma região economicamente pujante e onde, portanto, a precariedade e a exclusão eram vocábulos de pouca expressão ou, pelo menos, podiam ser varridos para debaixo do tapete. Voltemos atrás. Em 1953 iniciaram-se os preparativos para a construção da ponte da Arrábida, que viria estar concluída num período de três anos mas que, por obra e graça de todas obras públicas que se prezam, só iria terminar em 1963. Estavam ainda em construção os Paços do Concelho que balizam a norte a Avenida dos Aliados, um empreitada começada em 1920 e que só iria terminar em 1957. Estava igualmente em fase de arranque a construção do Palácio da Justiça, à Cordoaria, depois de ter sido derrubado o Marcado do Peixe e havia terminado, pouco tempo antes, o Estádio das Antas, hoje desaparecido. Também neste período andavam em construção ou haviam terminado, as empreitadas referentes ao túnel da Ribeira, às Escadarias do Liceu de Carolina Michaelis, ao Mercado do Bom Sucesso e ao Hospital de S. João. Por essa altura foi rasgado mais um troço da Avenida de Fernão de Magalhães, entre as ruas do Vigorosa e de Contumil, enquanto se entabulavam conversações entre a Câmara e a Misericórdia do Porto para que a mesma avenida pudesse chegar, mais tarde, à Areosa. Fora ainda concluído o último troço da Rua de Sá da Bandeira, entre as ruas de Guedes de Azevedo e Gonçalo Cristóvão. Não tardaria, também, que o quartel de Sapadores Bombeiros saísse desta última artéria para as então novíssimas instalações do Monte Pedral. Entretanto, a odisseia da Avenida da Ponte, ainda mal começara - mas já conhecia inúmeros projectos e ideias. Até hoje. É também, nesta década, que é lançado o "Plano de Melhoramentos" que tentava, num prazo de 10 anos (1955/1965), erradicar as "ilhas" portuenses. Não o conseguiu, como se sabe, ainda hoje no Porto há centenas de aglomerados do género, com particular destaque para Paranhos, onde elas, as "ilhas", ultrapassam a casa dos 250... Como quer que seja, a Câmara do Porto é, hoje em dia, proprietária de 14 mil fogos, distribuídos por um total de 45 bairros. É o maior senhorio de Portugal! A realidade dos nossos dias é bem outra. O Porto já não é a sociedade pujante de meados do século passado; a sua desertificação e o envelhecimento populacional são factos incontornáveis, a ponto de se poder dizer que o seu coração já bate noutros concelhos. Na grande região capitalizada pelo Porto, grassa o desemprego - 18% quando a taxa média nacional é de menos 10 pontos - e, segundo se diz ultimamente, mais de 100 mil pessoas emigraram para Espanha e França tentando encontrar lá fora o emprego que não têm cá dentro. Quando as coisas estão neste pé, o costume é pedir-se mais investimento, sobretudo investimento em obras públicas. Mas, tanto quanto me dizem os meus amigos economistas, as receitas keinesianas do tempo do "New Deal" não são possíveis numa Europa regida pelos "diktats" de Bruxelas. São os sinais do tempo. Se o coração já bate fora de portas, ao menos que o Porto mantenha a alma intacta. Link: http://jn.sapo.pt/2008/03/17/porto/sinais_tempos.html Quote Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...
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