Dreamer Posted February 29, 2008 Report Posted February 29, 2008 O bom sucesso da ARS Arquitectos Manuel Correia Fernandes, Arquitecto Em 1930, os arquitectos Fortunato Cabral (1903), Morais Soares (1908) e Cunha Leão (1909) constituem um "atelier" de arquitectura designado "ARS Arquitectos", do qual vêm a sair algumas das obras mais notáveis da cidade, na qual acabam por marcar lugares que é sempre estimulante visitar e observar com o espírito de quem pretende estudar e compreender melhor essa difícil arte que é a arte de construir cidades. Ora, é exactamente desta tripla parceria que saem obras de que é justo destacar o Mercado Municipal de Matosinhos, projectado em 1936, o Mercado do Bom Sucesso, projectado em 1949 e, ainda, o excepcional conjunto formado pelo Palácio Atlântico e pela Praça de D. João I, desenhado em 1946. Então, o que é que torna essas obras notáveis? Sinteticamente, podemos dizer que, entre outras qualidades que caracterizam, no essencial, esses trabalhos, estão a beleza das suas formas, a largueza da sua concepção, a generosidade dos respectivos traçados, a subtileza da sua inserção urbana, a coerência construtiva que revelam e a rigorosa utilização de meios, numa época em que os recursos, tanto públicos como privados, não abundavam. Viviam-se, então, tempos de guerra (primeiro em Espanha e depois em todo o mundo) e as economias exigiam uma apurada inteligência e um rigoroso sentido das proporções na utilização dos meios disponíveis. Em termos programáticos e funcionais apresentam-se como verdadeiros espaços públicos de tal modo que podemos dizer que estamos na presença de três verdadeiras "praças públicas" como lugares de encontro e de troca. E é disto que também são feitas as cidades. Os dois mercados (de Matosinhos e do Bom Sucesso) são dois exemplos notáveis da beleza que pode resultar da perfeita integração no processo de concepção e projecto, dos valores da sua estrutura espacial e construtiva. A dimensão das naves e as suas formas, as soluções estruturais encontradas, em que a suprema racionalização dos meios é a motivação fundamental do desenho, a forma como a luz invade, caracteriza e modela o espaço interior e, ainda, o encanto que se desprende da conjugação de todos estes factores, fazem de qualquer destas "praças" um hino à criatividade e à compreensão do que são os valores da sociabilidade e da urbanidade. Por outro lado, o conjunto Praça de D. João I / Palácio Atlântico, é toda uma outra forma de interpretar e desenhar a cidade mas, em tudo, idêntica nos resultados. Aqui, para além dos valores urbanos em si mesmos, são os valores de representação institucional e de cosmopolitismo que servem de motivação e suporte à concepção dos espaços desenhados por esta criativa parceria de arquitectos que, fiéis ao seu tempo, não enjeitaram a oportunidade de integrar no seu trabalho, elementos de forte simbolismo, representado nas obras de arte ali profusamente utilizadas (esculturas e cerâmicas policromadas) e que muito contribuem para a caracterização deste lugar da cidade, tão único, tão singular e tão emblemático. Estas, são obras incontornáveis deste sólido conjunto de personalidades. Construíram, no entanto, muito mais. Por todo o país mas, sobretudo, no Norte. Com eles, aprenderam muitos jovens arquitectos. Ao seu lado, tiveram artistas plásticos como Almada Negreiros e Jorge Barradas, engenheiros como Santos Soares e Correia de Araújo e, até, "sindicalistas" de vários matizes, já que o seu "atelier" foi, durante anos, no tempo da "velha senhora", sede do "velho" Sindicato Nacional dos Arquitectos que isto de "Ordens" era só para "doutores" e o "velho das botas" não gostava de modernices e muito menos de "arquitectos modernos"! Tudo isto é património da cidade que é necessário tratar enquanto tal e, sempre, com toda a precaução. http-~~-//thumbs.sapo.pt/?pic=http-~~-//jn.sapo.pt/2008/02/29/15647021.jpg&H=250&W=250&errorpic=http-~~-//jn.sapo.pt/images/lusomundo/jn/errorpic.gif Link: http://jn.sapo.pt/2008/02/29/porto/o_sucesso_ars_arquitectos.html Quote Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...
Dreamer Posted February 29, 2008 Author Report Posted February 29, 2008 O bom sucesso da ARS Arquitectos Manuel Correia Fernandes, Arquitecto Em 1930, os arquitectos Fortunato Cabral (1903), Morais Soares (1908) e Cunha Leão (1909) constituem um "atelier" de arquitectura designado "ARS Arquitectos", do qual vêm a sair algumas das obras mais notáveis da cidade, na qual acabam por marcar lugares que é sempre estimulante visitar e observar com o espírito de quem pretende estudar e compreender melhor essa difícil arte que é a arte de construir cidades. Ora, é exactamente desta tripla parceria que saem obras de que é justo destacar o Mercado Municipal de Matosinhos, projectado em 1936, o Mercado do Bom Sucesso, projectado em 1949 e, ainda, o excepcional conjunto formado pelo Palácio Atlântico e pela Praça de D. João I, desenhado em 1946. Então, o que é que torna essas obras notáveis? Sinteticamente, podemos dizer que, entre outras qualidades que caracterizam, no essencial, esses trabalhos, estão a beleza das suas formas, a largueza da sua concepção, a generosidade dos respectivos traçados, a subtileza da sua inserção urbana, a coerência construtiva que revelam e a rigorosa utilização de meios, numa época em que os recursos, tanto públicos como privados, não abundavam. Viviam-se, então, tempos de guerra (primeiro em Espanha e depois em todo o mundo) e as economias exigiam uma apurada inteligência e um rigoroso sentido das proporções na utilização dos meios disponíveis. Em termos programáticos e funcionais apresentam-se como verdadeiros espaços públicos de tal modo que podemos dizer que estamos na presença de três verdadeiras "praças públicas" como lugares de encontro e de troca. E é disto que também são feitas as cidades. Os dois mercados (de Matosinhos e do Bom Sucesso) são dois exemplos notáveis da beleza que pode resultar da perfeita integração no processo de concepção e projecto, dos valores da sua estrutura espacial e construtiva. A dimensão das naves e as suas formas, as soluções estruturais encontradas, em que a suprema racionalização dos meios é a motivação fundamental do desenho, a forma como a luz invade, caracteriza e modela o espaço interior e, ainda, o encanto que se desprende da conjugação de todos estes factores, fazem de qualquer destas "praças" um hino à criatividade e à compreensão do que são os valores da sociabilidade e da urbanidade. Por outro lado, o conjunto Praça de D. João I / Palácio Atlântico, é toda uma outra forma de interpretar e desenhar a cidade mas, em tudo, idêntica nos resultados. Aqui, para além dos valores urbanos em si mesmos, são os valores de representação institucional e de cosmopolitismo que servem de motivação e suporte à concepção dos espaços desenhados por esta criativa parceria de arquitectos que, fiéis ao seu tempo, não enjeitaram a oportunidade de integrar no seu trabalho, elementos de forte simbolismo, representado nas obras de arte ali profusamente utilizadas (esculturas e cerâmicas policromadas) e que muito contribuem para a caracterização deste lugar da cidade, tão único, tão singular e tão emblemático. Estas, são obras incontornáveis deste sólido conjunto de personalidades. Construíram, no entanto, muito mais. Por todo o país mas, sobretudo, no Norte. Com eles, aprenderam muitos jovens arquitectos. Ao seu lado, tiveram artistas plásticos como Almada Negreiros e Jorge Barradas, engenheiros como Santos Soares e Correia de Araújo e, até, "sindicalistas" de vários matizes, já que o seu "atelier" foi, durante anos, no tempo da "velha senhora", sede do "velho" Sindicato Nacional dos Arquitectos que isto de "Ordens" era só para "doutores" e o "velho das botas" não gostava de modernices e muito menos de "arquitectos modernos"! Tudo isto é património da cidade que é necessário tratar enquanto tal e, sempre, com toda a precaução. http-~~-//thumbs.sapo.pt/?pic=http-~~-//jn.sapo.pt/2008/02/29/15647021.jpg&H=250&W=250&errorpic=http-~~-//jn.sapo.pt/images/lusomundo/jn/errorpic.gif Link: http://jn.sapo.pt/2008/02/29/porto/o_sucesso_ars_arquitectos.html Quote Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...
asimplemind Posted February 29, 2008 Report Posted February 29, 2008 é sempre bom recordar e reavivar a memória de que estas obras existem na cidade e merecem serem visitadas e salvaguardadas! Quote
asimplemind Posted February 29, 2008 Report Posted February 29, 2008 é sempre bom recordar e reavivar a memória de que estas obras existem na cidade e merecem serem visitadas e salvaguardadas! Quote
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