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Porquê a nossa parca formação em projecto de execução? É uma pergunta, destinada a quem tem alguma dificuldade em aceitar, como eu, que muito do ensino da Arquitectura dita "Técnica" ainda reside na simulação da treta :), não digo a entronização do bonito e que se lixe se é construível, apenas pergunto porquê esta displicência nesta parte do nosso ensino. :icon13: Todos os dias, reiteradamente penso, tanto tempinho que perdi a não aprender nada!

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Como o meu patrão disse um dia destes, nas faculdades apenas aprendemos a fazer uns "bonecos", porque a arquitectura é muito mais complexa do que isso... Também sempre me interroguei sobre o porquê de as faculdades não terem uma vertente mais prática, no sentido profissional, porque esses tais "bonecos" são provavelmente a fase de projecto que menos demora a fazer... Um bom projecto de execução é o garante de uma boa obra de arquitectura, claro que o licenciamento também é importante, mas para mim o peso fundamental vai para a execução... Ainda por cima é um elemento muitas vezes esquecido pelos próprios clientes...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Só não aprende quem não quer. Além disso um projecto de execução e a componente técnica de um projecto aprende-se a fazer durante um ou dois meses de trabalho e depois actualiza-se durante toda a vida (está constantemente desactualizada). Durante a actividade profissional presume-se que não possa haver tanto tempo dispendido na elaboração da ideia do projecto (devido a variados factores como sabem), daí desenvolver-se mais essa capacidade durante o percurso académico. Existem cursos de desenhador técnico que se tiram em 6 meses se isso vos procupa tanto. Cada vez mais estou de acordo que os cursos devem desenvolver capacidades de raciocínio e pensamento sobre ARQUITECTURA e deixar a componente CONSTRUÇÃO para a vida profissional. Sejam Arquitectos e depois preocupem-se com a componente técnica.

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Eu não consigo dissociar uma coisa da outra... arquitectura é a técnica e a teoria, não a teoria e a técnica logo se vê... Claro que se aprende com o tempo, como também podes "aprender" a ser arquitecto ao longo da tua vida, porque há desenhadores que são melhores arquitectos do que alguns arquitectos alguma vez serão... A vida é feita de aprendizagens, sobre tudo, e não é por se ter acabado um curso que se é um bom arquitecto... o tempo e o percurso de vida de cada um é que o fará... ou não... Por esse ponto de vista, não era preciso aprenderes a fazer desenho técnico, nem sequer precisavas de pegar numa rotring, nem estudar sistemas construtivos, porque quando acabasses o curso ias ter muito tempo para o fazer... e assim acabava-se de vez com a pouca componente prática que um curso de arquitectura tem...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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O ensino da Arquitectura, ao nível da construção ainda aflora a treta, é lugar comum, o teste ao Jovem Arquitecto que chega a obra, carinha laroca/carne fresca... A primeira coisa que o tipo com a 4º classe faz é? Vamos lá ver se o tipo pesca alguma coisa desta *****. E se não pesca, o respeito desaparece e não se recupera!

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Nesses casos posso dizer que é uma boa escultura, um bom jogo de formas e de espaços, mas se falha uma das principais premissas... será realmente arquitectura?... Mas isto ia-nos levar para campos muito mais vastos, porque a casa da cascata tem defeitos, assim como a vila savoya, ou a casa farnsworth... sem dúvida excelentes exemplos, únicos diria, mas com máculas que deveriam ser indissociáveis da avaliação do "todo" da obra... mas bem sei que é difícil fazê-lo... Concordo quando dizes que a arquitectura se faz na cabeça, porque comigo acontece um projecto ficar completamente resolvido em 15/20min... podem demorar a chegar esses minutos, mas é neles que tudo fica claro... e nesse momento quase que nem seria necessário o processo burocrático dos desenhos técnicos, porque sei exactamente o que quero e onde quero... mas a arquitectura não é só isso, porque da própria concretização do projecto em papel para o cliente ver, precisa dos estudos das especialidades, do projecto de execução, do saber e compreender a obra, etc... precisa de toda essa parte técnica para ser real e correctamente concretizado...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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E depois lavas o desenhador técnico para obra e ele que se entenda com o empreiteiro... e o "saloio" lá continua a assobiar para o lado, mandando uns bitaites que ninguém leva a sério... E tudo depende do que se entende por qualidade arquitectónica... a isso chamaria qualidade espacial... mas são pontos de vista...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Claramente... pontos de vista.

E não te esqueças de não usar materiais de segunda, não vá a tua arquitectura transformar-se em "qualidade espacial" :)


Muito sinceramente não percebi essa segunda afirmação... deves saber tão bem quanto eu que a qualidade arquitectónica depende de muitos factores... e não podem ser todos imputados ao arquitecto... a qualidade dos acabamentos é apenas um deles... se calhar não o mais importante...

Não digo que sou um génio... longe disso... nem que os meus (poucos) projectos são perfeitos... e como apenas agora está em perspectiva a primeira concretização em obra de um projecto da minha autoria, vamos lá ver realmente como vai ser essa espacialidade... :) ...honestamente não me sinto lá muito preparado (também devido ao sistema de ensino em que estive envolvido) para enfrentar a obra, mas felizmente tenho pessoas próximas que me puderão ajudar nestes primeiros tempos... mas tal como o ARK disse... já imagino a atitude do empreiteiro... "carne fresca"...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Não o que é a atitude do "carne fresca" porque felizmente sempre marquei bem a minha posição em obra. Eu sou arquitecto e eles são empreiteiro, mestre de obra, encarregado, carpinteiro etc etc. Cada um tem o seu papel bem definido e tal como eu não faço o trabalho de ninguém, também não deixo que ninguém faça o meu. Quem faz mal, também aprende rápido e deitar a baixo. A inexperência é outra coisa completamente diferente e não é a faculdade que nos dá experiência. Tenho pena de ver que há tanta gente descontente com o método de ensino pelo qual passaram quando deveriam estar descontentes com o método de ensino que quiseram ter. Quiseram ter porque na faculdade cada um escolhe o percurso que quer fazer e como o quer fazer.

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