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Eis um projecto polemico que criou polemica na altura. O que fazer com o Patrimonio Nacional, mesmo aquele que nunca ouvimos falar? Deveremos transformar tudo em museus ou simplesmente aproveitar para empreendimentos turisticos e habitacionais? Fica a questao.

O Projecto

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Apresentação genérica

O Convento dos Inglesinhos é um condomínio fechado orientado para a segurança e o conforto, dentro de um ambiente único derivado da reabilitação de um edifício histórico do século XVII.
É um edifício referido em inúmeras crónicas e peças literárias relacionadas com a cidade de Lisboa. Terá sido ponto de encontro cultural, centro de conhecimento e onde eram oferecidos concertos de canto gregoriano regularmente.
O novo Convento dos Inglesinhos não será apenas um luxuoso empreendimento, mas também um local cheio de história e conhecimento.
Integrado neste condomínio existe uma Igreja onde será feita a recuperação integral das fachadas e interiores. A igreja é um espaço independente do condomínio, onde o arquitecto Helder Carita está a desenvolver um projecto de transformação deste espaço num clube de lazer e de cultura.
Neste novo condomínio de luxo poderá usufruir do requinte e exclusividade das nossas áreas verdes privativas.


Este projecto é constituído por três conjuntos residenciais.
O primeiro:
• Recuperação do Convento dos Inglesinhos
• Conservação dos elementos originais
• Recuperando das partes mais deterioradas
O segundo:
• Edifício actual, frente à Rua Nova do Loureiro
• Constituído por 3 pisos acima do solo
• 3 caves onde está localizado o estacionamento do empreendimento
• Acabamentos coerentes com os de Convento.
• Torneada por um muro do século XVIII atribuído a Carlos Mardel, recuperado e integrado na arquitectura actual
O terceiro:
• Recuperação e transformação de uma casa do século XVII
• Frente para a Calçada do Cabra
• Disposta em 2 pisos
• 4 assoalhadas
• Pátio interior privativo
Empreendimento
• Condomínio fechado
• Tipologias desde T0 a T6
• 3 pisos de estacionamento
• Arrecadação
• 2600 m2 de jardim privativo

Ponto de Situacao . Setembro 2004

Convento dos Inglesinhos começou a ser demolido
Imagem colocadapolémica Moradores do Bairro Alto estão contra a transformação do monumento em condomínio de luxo Cardeal-patriarca chamado a intervir para anulação do projecto



Telma Roque</B>

As primeiras "dentadas" metálicas numa parte do muro que rodeia o Convento dos Inglesinhos, junto ao Hospital S. Luís, em Lisboa, está a deixar apreensivos e indignados alguns moradores do Bairro Alto, que não se conformam com a substituição do monumento do século XVII por um condomínio de luxo e com o secretismo que marca o início das obras.

"Para Quem Ama Lisboa" é o slogan utilizado pela Amorim Imobiliária para anunciar os 30 apartamentos de luxo que vão nascer em plena malha urbana do Bairro Alto, num investimento global que ronda os 20 milhões de euros.

De pé ficará, no entanto a igreja do antigo convento, complexo arquitectónico comprado há três anos à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, para dar corpo a um projecto que não vingou, destinado a idosos (ler texto ao lado).

Desde sábado que os moradores da Rua Nova do Loureiro estão sem iluminação pública, depois de um piquete de electricidade ter arrancado os candeeiros do muro (da autoria de Carlos Mardel) que protege o convento, para permitir o início das demolições.

"Não fomos tidos nem achados", queixa-se Fonseca e Costa, conhecido cineasta, residente no bairro, que em Julho, juntamente com outros moradores, pediu uma audiência à Assembleia Municipal de Lisboa (AML), para obter esclarecimentos sobre a intervenção.

Entre as preocupações de quem reside nas imediações do convento está a localização do estaleiro de obras e os estudos de impacte das obras e de tráfego, já que a zona de ruas apertadas passará a ser atravessada por veículos pesados.

Da audiência, que aconteceu este mês, ficou a promessa da AML de resposta a estas questões. Mas as obras começaram antes que tal acontecesse, como explicaram, ao JN, o arquitecto Raul Hestnes Ferreira e o pintor João Abel Manta, que também integram o grupo de moradores que pediu explicações à AML.

A última vez que visitaram o convento foi há cerca de um ano, com a estreia da peça austríaca "Alma", em homenagem à vienense Alma Mahler. Na altura, o encenador mostrou-se maravilhado com o espaço, comparando-o ao palácio de Veneza. Fonseca e Costa diz não compreender como é que o complexo não mereceu ainda uma classificação por parte do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR). E teme que o projecto desvirtue o Bairro Alto.

O JN tentou ouvir o IPPAR, para saber de que forma está a ser feito o acompanhamento dos trabalhos, mas sem êxito, até ao fecho desta edição. Fonte da Amorim Imobiliária, também contactada, esclareceu apenas que a primeira fase das obras se prende com escavações para estacionamento e garantiu que o IPPAR está a companhar as obras.

Natureza beneficente esfumou-se

Os moradores do Bairro Alto ainda não perderam a esperança de ver anulada a passagem de mãos, por uma quantia não revelada, do Convento dos Inglesinhos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para uma empresa privada.

Alegam que o cariz beneficente do projecto, que previa habitação para maiores de 55 anos e prestação de cuidados de saúde, não se concretizou. Sendo essa a justificação para o negócio, o argumento deixou de existir, consideram.

O grupo de moradores escreveu este mês uma carta ao cardeal-patriarca de Lisboa, na qual apela a uma eventual anulação do negócio, uma vez que o empreendimento anunciado não foi concretizado.

O projecto, uma parceria entre o Grupo Amorim e a Caixa Geral de Depósitos, chegou a ser aprovado pelo IPPAR. Porém, não foi licenciado pelo anterior executivo municipal.

O JN apurou que nem o Patriarcado de Lisboa nem a actual provedora da Santa Casa da Misericórdia, Maria José Nogueira Pinto, estão entusiasmados com a transformação do monumento num condomínio de luxo.

Fonte JN


Ponto de Situacao Julho 2005

Lisboa: deputados vão receber dossier contra projecto no Convento dos Inglesinhos Imagem colocada
12.07.2005 - 19h12 Lusa



Os deputados da Assembleia da República vão receber um dossier sobre o projecto imobiliário do Convento dos Inglesinhos entregue hoje no Parlamento por alguns dos moradores que contestam aquela construção no Bairro Alto.
A decisão foi tomada hoje pela Comissão da Educação, Ciência e Cultura depois de ouvir o cineasta José Fonseca e Costa, o arquitecto Raul Hestres Ferreira e Pedro Policarpo, que voltaram a criticar a construção de um condomínio de luxo no Convento dos Inglesinhos.

"A Assembleia da República é pouco ou nada competente nesta matéria. Tem é a capacidade política para agir. Por isso, vou dar conta da vossa pretensão e distribuir uma cópia por todos os deputados da documentação que deixaram", afirmou o presidente da comissão, o socialista António José Seguro.

A comissão vai também "oficiar a Câmara Municipal de Lisboa", entidade que autorizou a construção do empreendimento, "para que envie à comissão toda a informação possível".

"Assim, a Câmara de Lisboa tem um sinal político de que estamos interessados nesta matéria", afirmou António José Seguro.

No final da reunião, os representantes dos moradores contestatários manifestaram-se "muito satisfeitos por o parlamento se interessar sobre este assunto".

O grupo de moradores do Bairro Alto começou no ano passado uma campanha contra o projecto de construção de 42 fogos com tipologias entre T1 e T3, tendo organizado uma vigília e lançado uma petição na Internet, que reuniu mais de três mil assinaturas.

Os moradores, que defendem a recuperação do edifício seiscentista "para uso e fruição de todos os cidadãos", avançaram também com uma providência cautelar contra o projecto do Grupo Amorim.

A providência alertava para o perigo de destruição do jardim, de um muro pombalino, da antiga cozinha do convento e dos coros da igreja, assim como para o risco da obra poder prejudicar a estabilidade dos prédios vizinhos, bem como a forma do sítio.

No final de Abril deste ano, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa acabou por rejeitar a providência cautelar por "não ter ficado provado o fundado receio de constituição de uma situação de facto consumado ou da produção de prejuízos de difícil reparação para os interesses".

No entanto, o advogado José Sá Fernandes decidiu recorrer da decisão, não havendo ainda uma decisão do tribunal.

"Nós, enquanto moradores e cidadãos daquela rua, vamos bater-nos até ao limite das nossas possibilidades", reafirmou o cineasta José Fonseca e Costa à saída da reunião com a Comissão.


in DN


Ponto de Situacao Dezembro 2005

Derrocada parcial afecta Convento dos Inglesinhos construção Chaminé ruiu, assim como o muro virado para a Calçada do Cabra, ao início da noite de anteontem Vozes contra condomínio de luxo no local manifestaram indignação

Ana Fonseca

A base da chaminé do edifício central do Convento dos Inglesinhos e o muro que dá para a Calçada do Cabra, no Bairro Alto, em Lisboa, ruíram, ontem de madrugada. O estrondo foi grande e assustou os moradores dos prédios vizinhos. "Estava a dormir quando ouvi o barulho. Até pensei que a casa aqui em frente, que também está muito velha, tinha caído", contou, ao JN, a moradora do número 22.

Além do incómodo que a polémica construção de um condomínio de luxo no antigo convento do século XVII tem provocado no quotidiano da população local, há também quem tema repercussões no edificado da zona envolvente, que se encontra bastante degradado "Estas casas estão tão velhas que com os movimentos da obra ainda se desmoronam", adiantou a mesma residente.

O palco da derrocada, onde cerca das 1.30 horas acorreram os Sapadores Bombeiros e a Protecção Civil Municipal, encontrava-se ao princípio da tarde de ontem vedado à circulação viária e de peões. Segundo o proprietário de um estabelecimento de encadernações, o entulho foi recolhido durante a manhã. "O pessoal da empresa que está a fazer a obra esteve aqui a limpar isto. Estava tudo cheio de pedras", contou.

Indignação

O projecto de construção de três conjuntos residenciais de luxo no Convento dos Inglesinhos suscitou, desde o início, manifestações de protesto dos moradores e dos elementos do Fórum Lisboa e Cidadania. Saliente-se que, no passado mês de Setembro, o recurso que tinha sido interposto por José Sá Fernandes (actual vereador do BE) e pelo cineasta Fonseca e Costa, no sentido de suspender a eficácia do licenciamento, foi considerado improcedente pelo Tribunal Administrativo Sul. O mesmo caminho já tinha seguido a providência cautelar contra a autarquia.

Agora foi com "indignação" que Fonseca e Costa, morador na zona, comentou o desmoronamento. "Isto está tudo entregue à especulação imobiliária" e "é lamentável a Câmara ter o descaramento de mandar fixar placas em todo o lado, onde garante zelar pelo nosso bem estar, pois muitas vezes queremos sair da rua de carro ou a pé e não conseguimos". Afinal, rematou, "quem manda neste país é quem tem dinheiro e não as entidades em que votamos".

Também o Fórum Lisboa e Cidadania, considerou "uma vergonha" o que está a acontecer "Já está tudo esventrado e as entidades competentes não ligam ao assunto".

Contactada pelo JN, fonte do pelouro do Urbanismo da Câmara limitou-se a dizer que "a autarquia fiscaliza o licenciamento, mas é o empreiteiro, a Edifer, que fiscaliza a obra". O departamento de marketing da Edifer explicou, por seu turno, que "é a Amorim Imobiliária que presta explicações". Desta ninguém respondeu.

Vozes

José Sá Fernandes Vereador

O que está a acontecer ao Convento dos Inglesinhos é escandaloso. Aquele conjunto arquitectónico é um elemento fantástico do nosso património. Até dá vontade de chorar."

Fonseca e Costa Cineasta e morador

Além da destruição do convento, estão a construir outro condomínio privado mesmo em frente, em vez de reconstruírem o que está degradado. Isto são só negociatas."

in http://www.lisboa-abandonada.net/artigos/novos_artigos/jn_051215_040428.html


Links

http://www.amorimimobiliaria.pt/port_projectos_detalhe.aspx?sid=9697e7fc-11e2-4308-a51a-bd05867e6335&cntx=%2BQV79i7nwF571eQg%2FRWJ6zMOM%2B81JwR4HbMDOccWBkjithF72tBvy6EuhWaa%2FR2ifVFuJMx%2BrFSvSrasxxoWag%3D%3D
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Eu partilho da opinião que o melhor que se pode fazer numa zona degradada ou à espera de reabilitação ou requalificação, ou simplesmente numa zona despovoada ou com tendência a estagnar é dar-lhe usos, e isso também pode ser através de equipamentos tipo museus, o problema é que a dada altura parece que estava na moda fazer museus por tudo e por nada... creio que o uso habitação pode ser igualmente uma forma de revitalizar um lugar, mas creio que deve estar suportada por uma análise sté social do que realmente esse lugar necessita... uma cidade estagnada é uma cidade morta

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Além das necessidades do local, penso que a questão põe-se essencialmente na forma como essa reconversão pode ser feita... É muito mais fácil controlar o novo uso sendo um edifício público e gerido por uma única entidade, seja ele museu, pousada, ou outro, do que "entregar" a gestão do espaço a vários privados, seja para habitação, comércio, etc... não que concorde que sejam esses os únicos usos possiveis ou até admissiveis...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

  • 1 year later...
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Chamartín contrata Jardim Vista para o Convento dos Inglesinhos
A empresa de paisagismo Jardim Vista foi contratada pela Chamartín Imobiliária para a execução do projecto paisagístico do Convento dos Inglesinhos, empreendimento imobiliário de luxo que aquele promotor está a desenvolver no centro de Lisboa.

Miguel Prado
Miguelprado@mediafin.pt

A empresa de paisagismo Jardim Vista foi contratada pela Chamartín Imobiliária para a execução do projecto paisagístico do Convento dos Inglesinhos, empreendimento imobiliário de luxo que aquele promotor está a desenvolver no centro de Lisboa.
A Jardim Vista será responsável pela reabilitação de um espaço de 2.600 metros quadrados de jardins e pátios, depois de um projecto concebido pelo arquitecto Hipólito Bettencourt, segundo informou em comunicado a Jardim Vista.
Esta empresa, liderada por Richard Westcott, manteve várias árvores “relevantes para a identidade do convento”, nomeadamente palmeiras, ciprestes, oliveiras e púnicas, numa área onde o elemento água também está presente.
O Convento dos Inglesinhos, em Lisboa, é um dos projectos emblemáticos da Chamartín, que procurou manter o aspecto exterior deste monumento do século XVI localizado no Bairro Alto. O empreendimento é composto por 30 apartamentos, cujas tipologias vão do T0 ao T5. A entrega das casas deverá decorrer durante este semestre.
Além deste projecto a Jardim Vista trabalha com outros promotores, localizados principalmente em Portugal Continental, Madeira, Espanha e Gibraltar.

in http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=328082

  • 6 months later...
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6/Mar/2009


Pela boca morre o peixe. Durante os vários anos em que o Convento dos Inglesinhos esteve a sofrer (nunca esta palavra foi tão adequada!) obras de transformação em condomínio fechado, a Rua Nova do Loureiro serviu de via principal de acesso aos veículos pesados da obra. Para acalmar os ânimos dos moradores a CML instalou esta sinalização vertical espetada no passeio como já é da praxe. Agora que a obra terminou, e os primeiros alienados começam a fechar-se na sua prisão, perguntamos: até quando terá o cidadão comum de aturar esta placa obsoleta, de duas patas no passeio, prometendo não prejudicar as nossas «vidas quotidianas»? É óbvio que a CML não está a cumprir a promessa que mandou publicitar. Aguardamos resposta da Junta de Freguesia de Santa Catarina ao nosso pedido de retirada deste painel que, para além de ser um obstáculo na via pública, está também a contribuir para mais poluição visual do espaço público no Barro Alto.


IN http://cidadanialx.blogspot.com/


Finalmente, consegui atingir o ponto de vista do arquitecto e historiador Hélder Carita, no que diz respeito à apreciação positiva que fez da recuperação do Convento dos Inglesinhos, esta aberração com grades, assim como a do projectista, o arquitecto Carlos Travassos.

“Reabilitar é também promover a preservação da história dos edifícios de modo a que a sua memória se perpetue ao longo dos tempos. Os edifícios reabilitados renascem para uma nova forma de vida sem perder a sua essência, adaptando-se aos novos utilizadores, modernizando-se sem se descaracterizarem. Na reabilitação do Convento dos Inglesinhos tivemos também o cuidado de “reabilitar a sua história” com o objectivo de perpetuar a memória do edifício e das pessoas que nele habitaram. Para tal, houve um trabalho árduo de pesquisa que culminou com a descoberta da biblioteca do Convento e de importantes documentos manuscritos originais, datados a partir do final do século XVI, numa universidade no norte de Inglaterra. O “Convento dos Inglesinhos”, Monumento Histórico do século XVII situado em plena malha urbana do Bairro Alto, imponente sobre a Cidade de Lisboa, destaca-se pela localização, a arquitectura religiosa, a beleza dos painéis de azulejos, as escadarias, os jardins exteriores e a Igreja. A reabilitação do

Convento dos Inglesinhos será, certamente, um marco na reabilitação urbana de qualidade na cidade de Lisboa.” (http://www.conventodosinglesinhos.pt/ - Chamartin).

Perante esta apreciação que consta do site promocional do Convento dos Inglesinhos, fico perplexo após ter visto a construção. Se até “…houve um trabalho árduo de pesquisa que culminou com a descoberta da biblioteca do Convento e de importantes documentos manuscritos originais, datados a partir do final do século XVI, numa universidade no norte de Inglaterra”, como foi possível destruir os “…os jardins exteriores…” ? Como foi possível transformar o edifício nesta aberração? Alguém enganou a firma proprietária!

O Bairro Alto, outrora conhecido como Vila Nova dos Andrades, é uma zona típica de Lisboa de ruas estreitas e empedradas adjacentes às zonas do Carmo e do Chiado, com casas seculares e pequeno comércio tradicional. Construído mais ou menos em plano octogonal em finais do Sec. XVI o Bairro Alto é um dos mais pitorescos da cidade, sendo delimitado a oeste pela Rua do Século, a este pela Rua da Misericórdia, a norte pela Rua D. Pedro V e a sul pela Rua do Loreto e Largo do Calhariz. O Bairro Alto divide-se na Rua da Rosa pela freguesia da Encarnação e de Santa Catarina.

Uma boa parte dos edifícios do Bairro Alto foi ou está a ser recuperada, e porque o Bairro tem história e os seus edifícios têm alma, a sua recuperação, até há poucos anos, procurou respeitar a sua traça original da sua arquitectura.

Desde os anos 80 que é a zona mais conhecida da noite lisboeta. Aos poucos, verifica-se também que passou a ser procurado como um lugar para viver, estando a sua população a ser renovada e rejuvenescida.

Durante o Sec. XIX e até ao terceiro quartel do Sec. XX, era no Bairro que se sediavam os principais jornais e tipografias do país. Ainda hoje é possível encontrar nomes de ruas como Diário de Notícias ou Século.

Este Bairro, um dos mais intelectuais da capital, frequentado e habitado por jornalistas, escritores, músicos, pintores, estudantes, etc., foi também em tempos lugar de tascas de marinheiros, de lugares de má fama e de muita prostituição. Vitorino Nemésio faz alusões a este ambiente no romance "Mau tempo no canal".

Pode ser aqui que começa a justificação para esta reabilitação urbana, como muito bem lhe chamou José Fonseca e Costa, “A penitenciária das almas penadas”. É que na realidade o Bairro Alto não possuía um estabelecimento prisional.

É, sem sombra de dúvida, um serviço prestado aos habitantes do Bairro Alto e mais diria ao País - pois todos sabemos do défice de Estabelecimentos Prisionais - todavia, tardiamente pois já não existem neste Bairro lugares de má fama, malandragem e prostituição, muito embora ainda haja alguma criminalidade… a que vem de fora!!!.

IN http://cidadanialx.blogspot.com/search/label/Convento%20dos%20Inglesinhos
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ARQUITECTURA

INGLESINHOS – A ARQUITECTURA
O Colégio de São Pedro e São Paulo, vulgarmente designado por Convento dos Inglesinhos, cujo início de construção remonta ao século XVI, é hoje, fundamentalmente, um conjunto de arquitectura religiosa, de linguagem chã e pombalina, dotado de uma certa unidade arquitectónica e estética. O complexo do Colégio e da igreja inclui uma grande cerca com um muro de forte expressão urbana que torneja a Travessa dos Inglesinhos para a Rua Luz Soriano e para a Rua de S. Boaventura, continuando pela Calçada do Cabra (interrompido aí por dois edifícios, um deles anterior ao terramoto de 1755), prolongado para a Rua Luz Soriano, onde se assume como um muro de contenção, com vãos cegos, atribuído a Carlos Mardel.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A REABILITAÇÃO DO EDIFÍCIO
A reabilitação arquitectónica deste edifício não passou por um exercício de estilo, tendo-se tomado uma atitude de extrema contenção quanto à introdução de rupturas ou grandes alterações nas linguagens estéticas e morfológicas existentes.
Da identidade e vivências deste bairro, que mantém uma grande autenticidade, articulada com as múltiplas transformações do edifício, não seria razoável para a sua reabilitação uma atitude de restauro historicista mas uma maior, talvez mais difícil, atitude de diálogo e integração no discurso urbano e arquitectónico actual, caracterizado por notáveis qualidades de coerência, homogeneidade e variedade.

OBJECTIVOS DO ESTUDO
O estudo teve por base o conteúdo programático proposto pela CHAMARTIN Imobiliária e pelos estudos histórico, arquitectónico e urbanístico realizados. Retiveram-se, ainda, dados de análise anteriores à execução do Estudo Prévio de Arquitectura, assegurando o cumprimento dos condicionamentos impostos pelo Auto de Vistoria de Valor Histórico e Patrimonial da autoria do Gabinete do Bairro Alto e Bica. Este estudo é ainda o resultado dos contactos estabelecidos entre o promotor, projectista e os responsáveis da autarquia para o local.
A recuperação abrangeu o conjunto de edifícios e logradouros pertencentes ao Colégio de S. Pedro e S. Paulo e ainda os logradouros e edifícios com frente para a Calçada do Cabra.
A área de intervenção é limitada pela Travessa dos Inglesinhos, pela Rua Luz Soriano, pela Rua de S. Boaventura, pela Calçada do Cabra, pela Rua Nova do Loureiro e pela linha divisória com as propriedades vizinhas (logradouro dos edifícios com frente para as Ruas Nova do Loureiro e João Pereira da Rosa), correspondendo quase na totalidade ao quarteirão urbano limitado pelos arruamentos referidos.
Trata-se de um empreendimento de Habitação Colectiva em 29 fogos, com tipologias T0 a T6, que muito está a contribuir para a renovação e reabilitação arquitectónica e urbana do Bairro Alto, área histórica onde se insere o conjunto de edificações alvo de intervenção.

A PROPOSTA - CUIDADOS
Alguns Princípios das Soluções Adoptadas:
O conjunto edificado apresentava-se como o resultado de adições sucessivas, construídas em diferentes épocas, de onde ressaltava a impossibilidade de encontrar uma formulação da imagem arquitectónica primordial. Contudo, a grandeza da edificação e a presença de certos aspectos normativos da composição das fachadas, da estruturação dos muros envolventes e da estrutura da paisagem urbana- foram elementos suficientemente motivadores para gerarem formulários para a construção do projecto.
A prevalência de diferentes hipóteses de abordagem do edificado, passando pela reabilitação, restauro e renovação, torna complexo o espaço em que o projecto se move. Na verdade, trata-se de conformar um conjunto arquitectónico que trouxe nova funcionalidade à área e à sua envolvente, sem desvirtuar a sua situação original.
Foi considerada a estabilização de alguns parâmetros de actuação sobre os quais assentou a intervenção que a seguir se enunciam:
› A manutenção de memórias do passado relativamente à arquitectura e ao espaçourbano com uma correcta adequação aos novos usos.
› A salvaguarda de elementos marginadores da paisagem urbana envolvente, remetendo-os para uma escala e uso adequados.
› Assunção do confronto entre a construção nova e a construção existente, tentando clarificar uma leitura de lógicas arquitectónicas e construtivas diferenciadas.
› Procedeu-se à inventariação de elementos arquitectónicos (molduras dos vãos em pedra, pórticos, degraus, pavimentos, etc.) e elementos decorativos (azulejos, talha, algum mobiliário fixo, etc.), reutilizados no mesmo local ou noutras zonas do empreendimento, depois de devidamente restaurados.
› Requalificação dos espaços públicos interiores seguindo o seu desenho original e pela criteriosa implantação das edificações envolventes nos espaços ajardinados existentes.
› Criação de novos espaços de estacionamento automóvel em cave.
Utilização de novas tecnologias e de sistemas de infra-estruturas para construção e serviços do empreendimento.
› Detecção das patologias da construção existente a manter. O recurso a novas tecnologias construtivas surge de modo evidente e necessário no que respeita aos métodos construtivos utilizados.

A APROPRIAÇÃO DE TECNOLOGIAS DO PASSADO
O retorno a tecnologias que remontam às técnicas da construção em “gaiola” e a manutenção de paredes estruturantes existentes permitiu a adopção de uma intervenção compatível com a edificação existente e a salvaguarda dos valores patrimoniais. Esta tecnologia construtiva conjugada com processos construtivos contemporâneos, facilmente adaptáveis, integrando paredes de frontal de madeira e tijolo, permitiram poupar o edifício a processos que passariam pela adopção de betão e a consequente necessidade de criação de uma logística pesada que se reflectiria na construção de grandes áreas de estaleiro e em lógicas de acessibilidade pouco compatíveis.

DOTAÇÕES E TIPOLOGIAS DA EFIFICAÇÃO - EDIFÍCIO DO CONVENTO
É constituído pelos edifícios da Igreja e do edifício principal do antigo Colégio, contendo funções habitacionais do empreendimento.
No edifício principal salvaguardou-se quase integralmente o piso térreo, mantendo a sua compartimentação interior e a estrutura de abóbadas. Este piso, para além de algumas áreas habitacionais, contém o átrio de distribuição principal . Os restantes quatro pisos são ocupados por habitação (single e duplex).
Com acesso por duas colunas verticais, uma junto à sala dos azulejos e outra a Norte, constituída por uma torre envidraçada, culmina o percurso longitudinal interno do edifício. Na base desta torre está a portaria dos edifícios. Na fachada sul reformulou-se o pátio existente, mantendo as antigas escadas de acesso à Travessa dos Inglesinhos. As coberturas deste edifício mantiveram-se no essencial com a mesma imagem da existente com as devidas adaptações no bloco a Norte e com o acrescento de 1piso na zona sul. O edifício alberga 19 fogos, sendo 2T0; 4T1; 5T2; 2T3; 3T4; 2T5 E 1T6.
A EDIFICAÇÃO AO LONGO DA RUA NOVA DO LOUREIRO
É um edifício de 3 pisos acima do solo que desenhará o embasamento do jardim, albergando 9 fogos: 1T1; 6T3 e 2T4.
Os pisos do R/C são servidos por pátios delimitados a poente pelo muro existente com as fenestrações devidamente tratadas. A fachada é coberta de azulejos Viuva Lamego.

A EDIFICAÇÃO AO LONGO DA CALÇADA DO CABRA
É constituída pela continuação do muro, pela edificação XVII que foi devidamente renovada e restaurada (um T3) e pela fachada Norte do edifício B, incluindo a torre de acessos verticais desenhada como torre miradouro.

MURO AO LONGO DA RUA LUZ SORIANO
Este muro foi recuperado e manteve o aspecto original.
Do lado do Hospital dos Franceses, o muro da Rua Luz Soriano foi cortado de modo a permitir o alargamento da praceta, facilitando a circulação pedonal e automóvel, imprescindível para facilitar o acesso e a saída de ambulâncias do hospital bem como a passagem de carros dos bombeiros.

A ACESSIBILIDADE INTERNA
Foi devidamente delineada uma estrutura interna de acessibilidade horizontal e vertical que permitisse uma ligação clara entre a zona habitacional e do estacionamento.
A acessibilidade pedonal principal ao empreendimento faz-se utilizando a torre norte do edifício, apesar de existirem outras zonas de acesso mas com utilização diferenciada (no pátio norte do empreendimento, no muro da Calçada do Cabra) e na zona da Igreja . O acesso automóvel é feito pela Rua Nova do Loureiro. O estacionamento foi construído em três pisos podendo albergar sessenta e duas viaturas.

A CONSTRUÇÃO
Como já se referiu, desencadearam-se processos de actuação que passaram pela reabilitação, renovação e restauro, conforme as circunstâncias, e as opções que se consideraram para cada caso. Contudo, o recurso a novas tecnologias no domínio da construção de estruturas e infra-estruturas prediais é um dado inevitável dada a complexidade que o empreendimento acarretava, nomeadamente na consolidação do existente, criação de caves para o estacionamento e para as zonas de infra-estruturas.
Visando, no entanto, um diálogo desejável entre a nova construção e a existente, estabelecemos a aplicação de um conjunto de materiais e métodos construtivos que, segundo cremos, dão coerência visual e de uso ao interior e exterior do empreendimento, sem confundir o que é reabilitação ou construção nova.

DOS ESPAÇOS INTERIORES E ELEMENTOS DECORATIVOS
Transformações e constantes obras ao longo do tempo retiraram à maioria dos espaços as suas características e identidade originais. Contudo, o refeitório do Convento apresentava-se notavelmente bem conservado, tendo sido preservado como memória do espaço. Com excepção de alguns pequenos painéis isolados, toda a azulejaria é de produção recente, do início do século XX. Também não deixaram de apresentar especial interesse na recuperação os painéis pertencentes à denominada “sala dos azulejos”, hall de entrada principal do edifício, portanto uma zona comum, e que, apesar de recentes, se impõem pela sua representatividade religiosa.

ENGENHARIA

ESTRUTURA
(Eng. João Appleton)
O edifício do Colégio é, do ponto de vista construtivo, um típico edifício antigo, com as suas estruturas de alvenaria e madeira, onde, através dos tempos e das sucessivas alterações que nele foram realizadas, nunca se assistiu à introdução dos modernos materiais e processos de construção (aço e betão) que a produção industrial do século XIX veio colocar à disposição dos construtores e que foram descaracterizando muitos edifícios.
O edifício do Colégio, a que se adossa a Nascente o corpo da Igreja, é uma sólida construção com paredes de alvenaria ordinária de boa qualidade que constituem o perímetro exterior, complementadas por paredes interiores longitudinais que delimitam um corredor de dimensões generosas, a partir do qual se estabelece a ligação às salas e quartos e, nas suas extremidades, a amplas zonas de utilização comum.
Estas paredes de alvenaria, com 1,05 m as exteriores e 0,90 m as interiores, formam o principal sistema estrutural, ainda completado com outras paredes transversais estrategicamente localizadas, também de alvenaria ordinária, a que se somam paredes de frontal tecido, de boa feitura que sugere a existência de intervenções de fim de setecentos, provavelmente consequentes ao grande terramoto de 1 de Novembro de 1755.
Nas paredes exteriores anota-se a existência de placas de ancoragem de formato circular onde se amarram as extremidades de tirantes de ferro, sugerindo a existência de problemas estruturais, que impuseram a execução de pregagens entre paredes destinadas a reforçar estruturas debilitadas; não será especulativo adivinhar que a execução de tais elementos se terá devido a pura necessidade, advinda de problemas com o comportamento das próprias estruturas ou das fundações e dos solos que as recebem, quem sabe se ainda consequências longínquas da mesma catástrofe.
Os pavimentos são generalizadamente de madeira, formados por vigamentos de secção aproximadamente quadrada, apoiados quase sempre nas paredes exteriores longitudinais e nas paredes dos corredores, ocasionalmente também tirando partido de outras paredes de alvenaria e dos poucos frontais já referidos; em geral, os pavimentos apresentam-se bem conservados mas com sinais evidentes de danificação profunda em zonas de apoio nas paredes exteriores e também onde se verificou contacto prolongado com a água, a qual gerou ou favoreceu ataques de xilófagos, em especial de fungos de podridão.
Os tectos do rés-do-chão, como era boa norma de uma construção que se desejava salubre e durável, têm estrutura de sólidas abóbadas de alvenaria, solução que se repete a toda a altura no corpo quase central do chamado observatório, onde se verificava a existência de fendilhação estrutural relevante (porventura com a mesma causa que levou à colocação de tirantes já mencionada) a qual, no entanto, não comprometeu a sua preservação.
As coberturas são em telhado, com mansardas bem desenhadas e estruturas integralmente de madeira, excepto na já referida zona do observatório onde, naturalmente, se construiu um terraço que mais parece o topo de uma torre “avista-navios” com que as cidades portuárias sempre foram adornadas, por necessidade evidente; daqui se avistavam os navios, todos, que demandavam Lisboa, e se alongava a vista por toda a cidade, até longes vistas, o Castelo em frente, ao mesmo nível, e a capital por aí abaixo se espraiando, soberba vista de um Tejo mesmo sem velas.
A intervenção realizada, do ponto de vista estrutural, foi naturalmente subordinada, como deve sempre ser, a duas ordens de condicionamentos: os que resultaram das características construtivas e estruturais intrínsecas do edifício e do seu estado de conservação e que recomendaram uma renovação profunda das coberturas e de boa parte dos pavimentos de madeira; os que derivaram do programa de intervenção, traduzido desde logo no projecto de arquitectura, impondo condições de modernização a um edifício que era mais do que um edifício de habitação e que, continuando a sê-lo, tinha por força de se assumir contemporâneo nas facilidades que oferece, que a forma de viver agora é outra e os novos habitantes não serão tão frugais e comunitários como o seriam os padres e seminaristas que primeiro o usaram.
Somadas as consequências estruturais que os dois condicionamentos impunham, e respeitadas criteriosamente as recomendações e exigências da Câmara Municipal de Lisboa e do IPPAR, a solução estrutural projectada e depois assumida correspondeu à preservação máxima possível, a qual incluiu a generalidade das paredes de alvenaria ordinária, em toda a extensão e a toda a altura do edifício, com pequenas, muito limitadas interferências, resolvidas quase sempre à custa da colocação de prefis de aço; do mesmo modo, foram preservadas as abóbadas de alvenaria, as do tecto do rés-do-chão nem mesmo carecendo de intervenção consolidante, as do observatório impondo reforço que se realizou à custa de finas lâminas de reboco armado com redes de aço distendido, devidamente pregadas à alvenaria das abóbadas, de modo a constituir um efectivo reforço da estrutura existente.
Em substituição de algumas paredes resistentes interiores, de frontal tecido de madeira, que as condições projectuais não permitiram conservar, foram construídos novos frontais, em versão estilizada e onde a madeira foi substituída pelo aço; prolongados até à cobertura, estes novos frontais constituíram a estrutura da mesma, depois de complementada por varedo e dispensando assim as asnas tradicionais.
Os pavimentos de madeira foram objecto de três tipos de intervenções: numa extensa área do segundo piso foi possível garantir a sua preservação com intervenções variáveis, que foram da simples limpeza à substituição de parte dos vigamentos, usando para o efeito outros vigamentos provenientes do próprio edifício de onde eles tinham sido desmontados, passando pela reparação dos vigamentos existentes, à custa da reconstituição de troços danificados por fungos de podridão com argamassas de resina epoxy.
Nas zonas onde os pavimentos originais de madeira foram removidos, de acordo com a definição do projecto, foram refeitos novos pavimentos, recorrendo à madeira maciça nova como material fundamental, mas agora composta com perfis de aço, que permitem optimizar o dimensionamento das estruturas de madeira, garantindo soluções económicas, que respeitam sempre as exigências da moderna regulamentação estrutural; em algumas zonas, especialmente em áreas correspondentes a zonas húmidas dos fogos, optou-se pela criação de pavimentos mistos aço-betão, em que se associaram cofragens metálicas colaborantes a vigamentos de aço, soluções muito fiáveis face a condições de exposição adversa e a cargas mais elevadas, como as que decorrem de revestimentos pesados, usuais em cozinhas e casas de banho.
A combinação descrita de soluções novas com as estruturas existentes foi testada em termos da sua resposta estrutural, tanto em termos de análises locais, que comprovaram a adequação das diversas soluções, novas e velhas, como de análises globais, que, a partir da modelação da estrutura como um todo, tornaram possível demonstrar a adequação da nova unidade estrutural às condições mais exigentes, incluindo a resistência à acção sísmica, nos termos em que ela se encontra definida na regulamentação de estruturas em vigor, em absoluto paralelismo com novas estruturas correctamente analisadas e dimensionadas.

Lisboa, Junho de 2007
João A. Silva Appleton

PAISAGISMO

CONVENTO DOS INGLESINHOS
‘Um jardim com vista sobre a cidade’
O espaço envolvente ao edifício do Convento dos Inglesinhos
Da primeira visita ao convento dos Inglesinhos recordo o espaço abandonado e vazio de vida humana, interior e exterior. O carácter selvagem por abandono era evidente mas, simultaneamente, uma forte sensação de constituir um lugar com excelentes possibilidades.
Iniciaram-se uma série de visitas em diferentes momentos do dia. Em cada uma se revelavam outras imagens, uma outra passagem, outros estados de espirito, interiores e exteriores, abertos sobre a cidade de Lisboa. Cada percurso, errante, sem destino, pelo meio de entulhos e ervas daninhas, silvas e árvores frondosas ou decrépitas, mostrava sempre novas paisagens, luminosas e sombrias.
O espaço nunca terá sido constituído por um sumptuoso jardim nas diferentes épocas em que o edifício foi habitado. Poderá ter sido uma horta e pomar, no seu inicio, provavelmente terreiro em época com maior número de utilizadores, mas sempre um espaço modesto criado à imagem dos seus utilizadores.
Estas primeiras impressões foram marcantes para o desenvolvimento do projecto que as novas funções justificavam. Pesquisámos e procurámos elementos arquitectónicos do jardim preexistente mas nenhum registo ocorria de substancial nem inerte ou vegetal que fosse estruturante.
Resultou destes estudos uma primeira abordagem que procurou organizar o espaço em função de novas exigências na sua utilização habitacional, na envolvente urbana e num bairro histórico de Lisboa. Assim, assumiu o jardim uma nova função social e cultural na cidade, em oposição ao espaço selvagem e degradado que a condição de abandono lhe estava a criar.
Duas ideias centrais começaram a organizar a proposta para o jardim, ou melhor, para os pátios e jardins. Começavam a diferenciar-se espaços com natureza diversa ao longo dos alçados nascente e poente. Do mesmo modo, dois conceitos centrais se impunham: os espaços enclausurados a nascente e os espaços abertos sobre a cidade a poente. O jardim com vista sobre a cidade e o jardim como espaço de criação entre a natureza e a cultura face à dimensão arquitectónica dos elementos presentes.
Um alinhamento de palmeiras, um conjunto de lódãos e árvores de geração espontânea, ocupavam o espaço de forma indiferenciada, concorrencial e incoerente, e davam forma aos elementos estruturantes mais relevantes.
O espaço de que falamos apresentava-se com uma enorme força sensorial e apetecia conhecer as inúmeras e diferenciadas vivências de que fora palco ao longo da sua existência de contemplação sobre a cidade. A beleza desta vista obrigava a considerar o jardim como um espaço de transição entre arquitecturas e entre espaços de estar e deambular.
Desta forma e enquadramento decorre um desenho simples, ortogonal, sugerindo espaços abertos e fechados sobre o exterior, permitindo vivências e sensações diversas que decorrem da companhia dos amigos, de estar sozinho, do aroma das plantas, da sua cor e textura, da luz e das sombras, do estar sentado, ou errar pelos percursos com perspectivas em permanente mutação.
Foram aproveitadas e integradas no novo desenho do jardim as espécies mais relevantes e acrescentadas árvores e arbustos que garantem a integridade e identidade do lugar, com respeito pela escala e natureza da intervenção.
Os espaços a nascente constituem uma sequência de pátios, percursos possíveis em áreas intimistas, viradas para dentro em contraste com o jardim a poente. Predominam os pavimentos que o carácter de pátio justifica pela dimensão arquitectónica dos muros envolventes e pela conjugação dos planos ortogonais construídos.
No pátio da capela uma grande área central e um pavimento contínuo no plano horizontal definem o carácter estático do lugar, permitindo receber actividades exclusivas face à sua localização particular.
As oliveiras, os ciprestes, os lódãos e as punicas dominam a arquitectura do jardim, sobressaindo sobre planos relvados contínuos ou sobre cobertura, permitindo a definição de planos ao nível das copas e abrindo a vista emoldurada sobre a cidade, às colinas da Estrela e da Lapa.
Um elemento de água organiza o primeiro espaço confinado do jardim poente-sul, sob as copas das palmeiras, reflectindo luzes e sombras, perspectivando a abertura para o jardim maior com vista sobre a cidade, a poente.
Sobre a cobertura do novo edifício desenvolve-se um jardim com percursos e pequenas estadias com arborização linear e sebes arbustivas, privilegiando as vistas sobre as colinas.
Desta forma, estes pátios e jardins configuram uma nova, urbana e qualificada organização exterior do empreendimento, substituindo um espaço abandonado, selvagem e desorganizado, por outro onde a beleza e os sentidos são solicitados a expressarem-se de forma diversa e positiva e que, pelo seu conjunto, valorizam e renovam a área urbana em que se inserem.

Lisboa, Setembro 2007

Hipólito Bettencourt
Arquitecto paisagista

ARQUEOLOGIA

ARQUEOLOGIA NO COLÉGIO DOS INGLESINHOS
NOTA INTRODUTÓRIA
Fundado no século XVII e reconstruído após o Grande Terramoto de Lisboa de 1755, o Colégio dos Inglesinhos tem assumido um lugar de irrefutável destaque na história da arquitectura e da sociedade olisiponenses dos últimos quatro séculos.
É digno de destaque o facto de, não obstante a obrigatoriedade legal que impunha ao Promotor da Obra a realização de trabalhos de acompanhamento arqueológico (de acordo com o Plano Director Municipal) ter este optado – por sua inicitativa – pela execução de sondagens arqueológicas de diagnóstico numa fase prévia ao início da empreitada numa perspectiva de intervenção preventiva.
Estes trabalhos tinham como objectivos:
› a caracterização e avaliação do valor científico e patrimonial das áreas a afectar;
› a análise da estratigrafia do subsolo e a observação de eventuais estruturas já existentes;
› a definição de medidas de minimização face ao impacte da obra prevista.
Assim, foram realizadas cinco sondagens de diagnóstico, duas no exterior e três no interior do edifício, de modo a obter uma amostragem significativa da estratigrafia arqueológica do local. A sua implantação teve em consideração as áreas que iriam sofrer maiores afectações no decorrer da empreitada.
Pretendia-se, assim, estabelecer as sequências e tipologias de ocupação do local, contribuindo, desta forma, para processos de conhecimento e de investigação, tal como para a fundamentação do projecto final do cliente.
Os resultados desta intervenção arqueológica permitiram a identificação de vários momentos construtivos relacionados com a história do Convento desde a sua fundação nos inícios do Século XVII, passando pela sua reconstrução após o terramoto de 1755 - que lhe conferiu a traça actual - até às obras de remodelação que sofreu no decorrer do Século XX. Por outro lado, face aos dados obtidos nesta primeira fase, foi possível realizar alterações ao nível do projecto de obra por forma a minimizar os impactes sobre os vestígios patrimoniais detectados nas sondagens.

OS RESULTADOS DA ESCAVAÇÃO
A partir da análise estratigráfica do estudo dos materiais recolhidos durante a escavação e da conjugação destes com os dados históricos foi possível atingir algumas conclusões sobre a ocupação do Convento dos Inglesinhos.
Nas sondagens implantadas no interior do edifício foram identificados vestígios passíveis de serem atribuídos à 1ª metade do Século XVII (1632-1644), época da construção do Convento dos Inglesinhos, cuja fundação foi outorgada por Carta régia em 20 de Novembro de 1621, sob determinação do Papa Gregório XV.
Na Sondagem 3 os vestígios identificados na Fase 1 parecem estar associados ao primeiro momento construtivo identificado no convento e directamente relacionado com a sua fundação. O estudo de materiais parece comprovar esta hipótese uma vez que é atribuída à Fase 2 uma cronologia de Finais do Século XVI / Inícios do Século XVII.
Na Sondagem 4, à semelhança do que foi registado na Sondagem 3, foram identificadas estruturas passíveis de serem atribuídas à primeira metade do século XVII e, consequentemente, à fundação do Convento.
Estas estruturas identificadas na Fase 1 terão sido destruídas no decorrer da Fase 2, como parece indicar o interface de destruição visível no actual alicerce da parede oriental. Esta destruição poderá, eventualmente, resultar do terramoto de 1755 que, como já foi referido, afectou consideravelmente o edifício, originando diversas reconstruções e intervenções nos Finais do Século XVIII que alteraram a concepção original e lhe conferiram o actual traçado.
Na Sondagem 5, as estruturas identificadas na Fase 1 parecem corresponder à cozinha original do convento, um espaço que, comparativamente com o actual, teria dimensões mais reduzidas.
O estudo de materiais parece comprovar a hipótese apresentada, uma vez que permitiu datar a Fase 3 da 2ª metade do Século XVII, o que nos autoriza a colocar as Fases 1 e 2 na 1ª metade do Século XVII e considerar a Fase 4 contemporânea ou posterior à cronologia apresentada para a Fase 3.
Se tivermos em consideração que a Fase 4 corresponde a uma reorganização do espaço, associado à construção da actual parede Sul que define um novo compartimento na cozinha, e a datação apresentada para a Fase 3, podemos associar o momento construtivo identificado nesta fase com as intervenções que o convento sofre nos Finais do Século XVIII (momento histórico susequente ao terramoto).
O local onde foram implantadas as Sondagens 1 e 2 (no actual jardim do Convento) parece corresponder a uma área que, desde os Finais do Século XVIII / Inícios do Século XIX, terá sempre funcionado como espaço de jardim, com sucessivas remodelações ao longo de cerca de 200 anos. O estudo dos materiais provenientes destas sondagens permitiu-nos datar os depósitos que se formaram na Fase 1 dos Finais do Século XVIII / Inícios do Século XIX, o que significa que a Fase 2, caracterizada pela construção de diversos pavimentos em argamassa, orientados no sentido nordeste-sudoeste na Sondagem 1 e no sentido noroeste-sudeste na Sondagem 2, teria de ser contemporânea ou posterior à cronologia proposta para a Fase1.
Se tivermos em consideração que os pavimentos registados nas referidas sondagens, estão representados na Carta Topográfica de Lisboa, da autoria de Filipe Folque, datada de 1856, podemos atribuir a construção dos referidos pavimentos aos Finais do Século XVIII / 1ª metade do Século XIX.
No decorrer do século XX o Convento sofreu obras significativas que alteraram, principalmente, os pavimentos interiores e os pisos de circulação no jardim. Júlio Castilho refere-se a estas alterações considerando que se fizeram ”(…) de então para cá muitas obras na portaria, que deram a esse lado do edifício nova aparência, como ao interior do templo”(1956 : p.321).
Na Sondagem 1 é a Fase 4 que está associada às alterações ocorridas durante este período, com a construção de uma calçada portuguesa e a abertura de uma vala para a colocação de um cano, que serviria o tanque ainda visível no jardim.
Na Sondagem 2 foi identificada a mesma calçada portuguesa, que neste caso foi colocada na Fase 3 .A construção do tanque e da calçada portuguesa está relacionada com um momento de reordenamento do espaço no jardim.
Na Sondagem 4 as alterações ocorridas durante o século XX afectaram o piso de circulação e os rodapés (Fase 8). Foi construído um novo pavimento em betão e alcatrão, que corresponde ao actual piso do corredor. No que diz respeito aos rodapés, foram colocados novos azulejos com decoração esponjada a vinoso.
Na Sondagem 5, associa-se às obras no decorrer do século XX a construção de um pavimento e a colocação de um cano de esgoto na cozinha (Fase 5). O novo piso é constituído por ladrilhos industriais e uma placa de betão, que correspondia ao pavimento actual.

Com base nas realidades observadas durante a intervenção arqueológica, nomeadamente a existência de sobreposição de pisos e de níveis de aterro, considerou-se que o acompanhamento arqueológico a realizar aquando das movimentações de terra, nomeadamente na área a afectar no interior do edifício e, no exterior, na área a afectar pela construção das três caves, seria o suficiente para minimizar eventuais impactes que a obra viesse a causar nos contextos detectados, não havendo qualquer impedimento à realização da empreitada.

ARQUEOLOGIA EM OBRA
À semelhança do que já havia sido detectado no decorrer da realização das sondagens de diagnóstico, os vestígios identificados no decorrer do acompanhamento, no interior do edifício, nomeadamente na zona dos elevadores e na cozinha, foram cronologicamente enquadrados no século XVII, a época da sua fundação. Registaram-se, também, indícios de destruições e posteriores reconstruções, que poderão estar relacionadas com o terramoto de 1755.
Relativamente aos espaços de exterior, as estruturas identificadas permitiram estabelecer diversas ocupações da zona envolvente do convento, nomeadamente a construção do jardim original (século XVIII), estruturas habitacionais (século XIX), fornos e muros diversos (século XX).

JARDIM
O espaço onde foram realizados os trabalhos de acompanhamento arqueológico corresponde a uma área que terá funcionado sempre como jardim com sucessivas remodelações, desde os finais do século XVIII e inícios do século XIX.
De acordo com a com uma edição de 1907 do “The Lisbonian”, a escadaria identificada conduziria os alunos desde a Rua Nova do Loureiro até à entrada do Colégio. Importa ainda salientar que esta escadaria e uma outra que daria acesso público à igreja terão sido subsidiadas pelo governo de Marquês de Pombal
Através da análise dos materiais exumados na zona do jardim foi possível estabelecer datações para os depósitos: a fase mais antiga é cronologicamente enquadrável nos finais do século XVIII e inícios do século XIX, como se pode verificar na Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, de 1856; a fase mais recente corresponderá às obras realizadas no convento, que remodelaram este espaço para o jardim contemporâneo.

EDIFÍCIO B
Os vestígios estruturais e materiais permitiram estabelecer duas fases de ocupação desta área. A fase mais antiga estaria relacionada com habitações contemporâneas da fase de remodelação do convento pós terramoto de 1755.
Relativamente à fase mais recente, foram identificadas diversas estruturas e materiais que permitem classificar este momento cronologicamente no século XX.

ALMINHA
No decorrer do acompanhamento arqueológico na zona de Pátio/Jardim foi detectado um cruzeiro de pedra (“Alminha”) em baixo relevo tendo-se procedido à sua transladação e conservação.
Estruturalmente a “alminha” é composta por uma construção de alvenaria onde assenta e onde é possível observar embutido um cruzeiro em baixo relevo sobre plinto. Estes dois elementos são de pedra calcária com algumas diferenças entre si quanto à textura cristalográfica. A ligação entre a cruz e o plinto é formada por encaixe macho-fêmea. A fixação desta ligação foi reforçada com argamassa de cimento Portland. A presença deste material na ligação dos blocos deve-se, provavelmente, a uma aplicação realizada numa das fases de recuperação mais recentes uma vez que todo o miolo da construção é composto por pedra e cal.
Do ponto de vista dos trabalhos de conservação e restauro descritos no presente documento, os objectivos enunciados foram concretizados. Com esta acção salvaguardou-se o elemento patrimonial, prevendo-se agora a sua integração no novo espaço. título de conclusão, destaque-se o inequívoco contributo que intervenções arqueológicas realizadas significam para a história do Convento do Inglesinhos, em particular, e da cidade de Lisboa e geral, por um lado corroborando informações que careciam de dados materiais de suporte, por outro acrescentando significativas peças ao puzzle - sempre incompleto – da memória colectiva olisiponense.

HISTORIA DO EDIFICIO

Os primeiros edifícios adquiridos por D. Pedro Coutinho, em 1622, com intenção de edificar o Colégio não tinham condições físicas confortáveis para receber os primeiros alunos. Foram iniciadas, de imediato, as obras de adaptação e acrescento de divisões, que demoraram cerca de 5 anos a ser terminadas apesar de, então, contarem apenas com um piso. A igreja apenas ficou pronta 2 anos mais tarde.

D. Pedro Coutinho doou também algumas casas cujas rendas permitiriam garantir a subsistência do Colégio. Cabia à Misericórdia (Instituição estabelecida pela Rainha D. Leonor em 1498) a gestão das rendas in perpetuum e a obrigação de manter o edifício do Colégio em boas condições enquanto este funcionasse dentro dos propósitos para que fora criado.

Até ao início do século XVIII, haviam sido efectuadas apenas algumas obras de conservação. A petição para reconstruir o Colégio foi enviada para a Misericórdia em Julho de 1709, assinada pelo Reitor, Rev. Eduard Jones, e pelos Superiores do Colégio. Esta, referia “o grande estado de degradação dos dormitórios e da igreja” como premissa para que aquela instituição cumprisse a vontade do fundador na conservação do edifício.

A Misericórdia reconheceu o Patronato mas ignorou o conteúdo desta petição, alegando que os fundos deixados por D. Pedro Coutinho serviam apenas para a manutenção do Colégio e dos seus alunos.

A necessidade de fazer obras no Colégio era tão grande que os Superiores se viram obrigados a recorrer à justiça, pedindo que a Misericórdia cumprisse os seus deveres para com o Colégio ou, em alternativa, renunciasse aos seus direitos de Patronato. Chegou-se, entretanto, a um acordo no qual a Misericórdia renunciou a metade dos seus direitos sobre os bens deixados pelo fundador, ficando as obras de reconstrução a cargo dos Superiores do Colégio.

Na sequência deste acordo, o Padre Jones, através dos seus fundos pessoais, dinheiro recebido de Inglaterra, de residentes ingleses na cidade e de uma contribuição por parte do Inquisidor Geral, do Rei D. João V e de muitos Nobres portugueses, iniciou no dia 14 de Junho de 1714 a construção das bases do novo Colégio.

As quantias conseguidas revelaram-se insuficientes para completar a obra e apenas em 1727 se coloca o telhado. O interior estava inacabado e num estado tão rude e imperfeito que durante algum tempo o Convento foi apelidado de “Celeiro de Lisboa”.

Com excepção da igreja e da torre dos sinos, que tinham apenas sido muito superficialmente recuperadas, a nova construção resiste ao terramoto de 1755.
Em 1776, é eleito Presidente o Father James Barnard, que procura sanear as contas do Colégio. Promove a realização de uma auditoria com a intenção de reparar as consequências de uma gestão negligente dos seus antecessores e passa a tratar das contas de uma forma mercantil e muito rigorosa. Preston e Allen esforçam-se por angariar recursos financeiros. Foi definida a prioridade de recuperar e aumentar o edifício, que exibia ainda as marcas do terramoto de há 21 anos que o deixara num estado deplorável.

Entre 1777 e 1780, todo o edifício é restaurado graças às generosas doações do Bishop Challoner, efectuadas como demonstração da sua gratidão ao Father John Gother, formado no Colégio de Lisboa, por intermédio de quem se converteu à fé católica.

O Colégio de Lisboa ganha uma enorme relevância após a expulsão dos Jesuítas de Espanha e a consequente mudança da gestão dos colégios de Madrid, Sevilha e Valladolid para o Clero Secular, seguindo o exemplo de Lisboa. Muitos dos padres formados em Lisboa foram encaminhados para estas instituições onde aplicaram todos os conhecimentos e experiência ali adquiridos.

No final do século XVIII, em consequência da Revolução Francesa, o colégio de Douai e os demais em Espanha acabam por fechar. Decidiu-se que o Colégio de Lisboa deveria ser aumentado e preparado para absorver os alunos das ouras instituições, cerca de 40, os Superiores e os Masters, com acomodações confortáveis mas simples.

É também nesta ocasião que se constrói o Observatório de onde, de acordo com o Padre Allen, se tem uma das melhores vistas da Europa.

Em 1814, com o fim da Guerra Peninsular, é restabelecida a paz entre Inglaterra e França. As tropas inglesas sediadas em Lisboa são chamadas de volta. No dia 29 de Junho do mesmo ano, dia de São Pedro e São Paulo, depois de 4 anos sem actividade religiosa, é novamente celebrada uma missa na igreja do Colégio. As instalações da igreja, de pequenas dimensões, tinham a reputação de ser consideradas uma das piores existentes em Lisboa, sendo mesmo perigoso estar debaixo do seu tecto.

A falta de recursos financeiros foi adiando a decisão da construção de uma nova igreja, maior, compatível com a nova edificação do Colégio, capaz de receber confortavelmente alunos, Superiores e todas as pessoas que ali acorriam. O padre Buckley e o padre Hurst encarregaram-se de fazer pequenas reparações necessárias à conservação da construção. Foi feito um novo tecto junto ao velho altar e substituídos os velhos mosaicos por um bonito pavimento em soalho. As paredes foram decoradas e a porta de entrada substituída por uma em madeira. No centro da igreja foram colocados gradeamentos que a dividiam em zonas distintas, com bancos para os membros do Colégio e outra zona para a assistência. No período em que decorriam estas obras, a missa era celebrada na sala dos arcos, agora fechada com portas de vidro que a separavam do jardim. Estas obras ainda hoje são visíveis.

Em 1857, dois benfeitores, D. Joana d´Araújo Carneiro d´Oeynhausen e o Rev. Jerónimo da Mata, Bispo de Macau, dotaram o Colégio de recursos que permitiram realizar obras de ampliação, terminadas no dia 18 de Dezembro de 1858, altura em que foi construído o coro. No entanto, só em 1898, com uma verba doada pelo Notário Apostólico, Rev. Monsignor James Lennon, antigo inglesinho do Colégio de Lisboa, a igreja foi totalmente decorada adquirindo o aspecto que apresenta até hoje.

MAPA DE ACABAMENTOS

. EDIFÍCIO DO CONVENTO
SALA JANTAR / ESTAR
Pavimento :: Soalho corrido encabeirado em madeira de Riga
Rodapé e rodatecto :: MDF Lacado
Paredes :: Estuque
Tecto :: Falso em placas de gesso laminado – 4º piso, mantém-se o existente
QUARTO
Pavimento :: Soalho corrido encabeirado em madeira de Riga
Rodapé e rodatecto :: MDF Lacado
Paredes :: Estuque
Tecto :: Falso em placas de gesso laminado
CASAS DE BANHO
Pavimento :: Lajedo em pedra de lioz abancado
Rodapé :: Pedra Lioz abancado
Rodatecto :: MDF Lacado
Paredes :: Azulejo de lastra 14x14 Viúva Lamego / Estuque
Tecto :: Falso em placas de gesso laminado
Loiças Sanitárias :: Duravit - “ Stark 3” e banheira Indusa
Torneiras :: Hansgrohe – Talis S
COZINHA
Pavimento :: Lajedo em pedra de lioz abancado
Rodapé :: Pedra Lioz abancado
Paredes :: Azulejo de lastra Viúva Lamego 14x14 / Estuque
Tecto :: Falso em placas de gesso laminado
Bancada :: Pedra de lioz abancado
Equipamentos :: Miele - Gama alta-Placa Vitrocerâmica, exaustor, forno eléctrico, micro-ondas, combinado frigorífico-congelador, máquina de lavar loiça, máquina de lavar roupa e secador de roupa ou máquina de lavar e secar
Móveis :: Design Lab -Gama alta da Comovar, com frentes revestidas a termolaminado e/ou lacadas.
TERRAÇOS
Pavimento :: Lajedo em pedra de lioz abancado
Rodapé :: Placas em pedra de lioz abancado
Paredes :: Reboco
GERAL
Caixilharia :: Madeira lamelada de castanho esmaltada, com folhas móveis em vidros laminados SGG Stadip Silence L 4.4.1
Porta de entrada :: Blindada, em madeira maciça
CarpintariasPorta interiores engradadas em madeira maciça de casquinha com acabamento lacado .
Armários Roupeiros :: Madeira e MDF lacado
Soleiras e Peitoris :: Pedra de lioz abancado
Recolocação dos painéis de azulejos nos apartamentos do piso 4 (aparts. 4.1; 4.2; 4.3; 4.5 e 4.6)
INSTALAÇÕES TÉCNICAS
Pré-Instalação de Som nas salas
Pré-instalação de sistema de segurança contra intrusão
Aquecimento Central com caldeira centralizada e contadores de água quente sanitária e de entalpia por fracção (Central e radiadores Roca)
Aparelhagem eléctrica Merten M-Plan
ZONAS COMUNS
CORREDORES / ESCADAS
Pavimento :: Lajedo em pedra de lioz / Soalho corrido em madeira de Riga
Rodapé :: Placas em pedra de lioz abancado/ MDF Lacado
Paredes :: Reboco fino para pintar; estuque tradicional
Tecto :: Reboco fino para pintar / Tecto de “saia e camisa” no piso 5/ estuque tradicional no piso 4.
Escadas Existentes, a preservar
CLAUSTRO
Pavimento :: Lajedo em pedra de lioz abancado
Paredes :: Recuperação dos painéis de azulejos existentes
Tecto :: Estuque branco liso e falso em placas de gesso laminado

2. EDIFÍCIO NOVO (:)
SALA JANTAR / ESTAR
Pavimento :: Soalho corrido encabeirado em madeira de Riga
Rodapé e roda tectoMDF Lacado
Paredes :: Estuque sintético projectado
Tecto :: Estuque sintético projectado
QUARTO
Pavimento :: Soalho corrido encabeirado em madeira de Riga
Rodapé e roda tecto :: MDF Lacado
Paredes :: Estuque sintético projectado
Tecto :: Estuque sintético projectado
Varanda Estores metálicos motorizados
CASAS DE BANHO
Pavimento :: Lajedo em pedra de lioz abancado
Rodapé :: Pedra Lioz abancado
Roda tecto :: MDF Lacado
Paredes :: Azulejo de lastra 14x14 Viúva Lamego / Estuque sintético projectado
Tecto :: Falso em placas de gesso laminado
Loiças Sanitárias :: Duravit - “ Stark 3” e banheira Indusa
Torneiras :: Hansgrohe – Talis S
COZINHA
Pavimento :: Lajedo em pedra de lioz abancado
Rodapé :: Pedra Lioz abancado
Paredes :: Azulejo de lastra Viúva de Lamego / Estuque sintético projectado
Tecto :: Falso em placas de gesso laminado
Bancada :: Pedra de lioz abancado
Equipamentos :: Miele / Gama alta- Placa Vitrocerâmica, exaustor, forno eléctrico, micro-ondas, combinado frigorífico-congelador, máquina de lavar loiça, máquina de lavar roupa e secador de roupa ou máquina de lavar e secar
Móveis :: Design Lab Gama alta da Comovar com frentes revestidas a termolaminado e/ou lacadas.
TERRAÇOS / PÁTIOS
Pavimento :: Lajedo em pedra de lioz abancado / calçada de vidraço branco
Rodapé :: Placas em pedra de lioz abancado
Paredes :: Reboco / Azulejo de lastra 14x 14 Viúva Lamego

GERAL
Caixilharia Madeira maciça com acabamento em pintura, de funcionamento oscilo-batente e vidros duplos de corte térmico e acústico.
Porta de entrada :: Blindada
Carpintarias :: Portas interiores engradadas em madeira maciça, com acabamento lacado
Armários Roupeiros :: Madeira e MDF Lacado
Soleiras e Peitoris :: Pedra de lioz abancado
INSTALAÇÕES TÉCNICAS
Sistema Detecção Incêndios e Gás nas Cozinhas
Pré-instalação de sistema de segurança contra intrusão
Pré-instalação de som nas salas
Aquecimento central Roca (radiadores Roca Adraplan)
Instalação de ar condicionado na sala e quartos
Aparelhagem eléctrica Merten M-Plan
ZONAS COMUNS
ESCADAS
Pavimento :: Ladrilho grés extrudido tipo Cinca
Degraus :: Ladrilho grés extrudido tipo Cinca
Rodapé :: Ladrilho grés extrudido tipo Cinca
Paredes :: Reboco pintado
Tecto :: Reboco pintado
CORREDORES
Pavimento :: Lajedo em pedra de lioz abancado
Rodapé :: Placas em pedra de lioz abancado
Paredes :: Estuque sintético projectado
Tecto :: Falso em placas de gesso cartonado
3. ZONAS COMUNS DO EMPREENDIMENTO
ARRECADAÇÕES
Pavimento :: Ladrilho grés tipo Cinca
Rodapé :: Ladrilho grés tipo Cinca
Paredes Rebocadas e pintadas
Tecto :: Rebocado e pintado
ESTACIONAMENTO
Pavimento :: Micro betão afagado com endurecedor de pavimento
Paredes :: Rebocadas e pintadas
Tecto Rebocado e pintado
EQUIPAMENTOS
Sistema de Detecção de Monóxido de Carbono nos estacionamentos (GE / Prosegur)
Sistema de Detecção de Incêndio (GE / Prosegur)
Sistema CCTV (GE / Prosegur)
Sistema centralizado de detecção de incêndios das cozinhas (GE / Prosegur)
Central térmica (Roca)
Sistema de video porteiro Elvox 6600 a cores
Sistema recepção rádio / TV
Infra-estrutura TV Cabo
Infra-estrutura telefónica
Ventilação Mecânica
Grupo Gerador de Emergência
Rede de esgotos domésticos e pluviais Geberit PEAD Silent
ARRANJOS EXTERIORES
Pavimento em lajedo em pedra de lioz abancado e calçada de vidraço branco
Lancis em pedra de lioz abancado amaciada
Muros com capeamento em pedra de lioz abancado amaciada
Escadas em lajedo em pedra de lioz abancado amaciada
Rede de rega automática
Relva aplicada sobre terra vegetal
Árvores de pequeno porte, arbustos e herbáceos em mancha
Preservação das árvores existentes de grande porte



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http://www.conventodosinglesinhos.pt/index_pt.html

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