3CPO Posted November 5, 2006 Report Posted November 5, 2006 A História do Bairro dos Olivais Sul: O Bairro dos Olivais Sul começou a ser construído em 1959. De promoção municipal, abrange uma área de 186 hectares destinada a 38250 habitantes, na maioria em regime de habitação social, distribuídos por 7996 fogos. Tal como na Alta de Lisboa, quis heterogeneizar-se o bairro com edifícios para realojamento e outros de venda livre. Com base nos ideais da Carta de Atenas, com ligeiras alterações ao mais purista e antecessor Olivais Norte, procurou fazer-se um bairro onde os conjuntos edificados estivessem ligados pela estrutura verde, com ruas de acesso restrito para cada bloco ligadas a um esquema viário principal. A qualidade de vida dos moradores foi uma das principais preocupações dos urbanistas do projecto, os arquitectos Rafael Botelho e Carlos Duarte. No entanto, é costume dizer-se que o projecto falhou. As ruas não são largas para os carros. A prioridade é dada à circulação pedonal com largos passeios. Aqui há daqueles bancos com encosto muito confortáveis que o Parque Oeste não vai ter. As árvores são de folha caduca, mas no Verão isto deve ter uma sombra agradável. Existem também as ruas de acesso estrito aos prédios de habitação. Existem vários becos sem saída nesta configuração urbana. Deste modo a circulação automóvel é feita nas ruas principais, longe dos edifícios de habitação, protegendo as pessoas da poluição sonora e atmosférica. E aqui mais um exemplo da distância entre os prédios e a via de circulação automóvel. Encontra-se também trilhos entre os prédios aumentando as possibilidades de deslocação no bairro. O que terá falhado afinal nos Olivais, segundo Teresa Valssassina Heitor, foi o adiar durante décadas da construção do núcleo central do bairro. Não havendo a devida proporção e relação entre habitação e empregos, os Olivais transformaram-se num bairro dormitório. Gostava de ler mais sobre isto. Se alguma coisa falhou, o que falhou, o que podia ter sido melhor. Mas desconfio que as opções urbanísticas não podem ser responsabilizadas nesse logro. Que mal fazem as árvorezinhas, as ruas pacatas, os passeios largos e os jardins com bancos de encosto? Porque é que então hoje não se pensa sempre neste moldes? Teresa Valsassina Heitor aponta Harlow, uma cidade próxima de Londres, como exemplo de sucesso na aplicação da Carta de Atenas. Poderá a Alta de Lisboa ser também um dia apontada como exemplo bem conseguido de um planeamento urbano bem realizado e executado? Quais as condições para que isso aconteça? Fonte: http://viveraltadelisboa.blogspot.com Abraços Quote
Gonçalo Cardoso Dias Posted November 5, 2006 Report Posted November 5, 2006 Bom... conheço bem os Olivais Sul, foi onde passei grande parte da minha infância. A população dos Olivais foi composta por diversos tipos de população, cada uma arrumadinha em prédios separados. Havia os prédios dos militares, os predios dos professores, os dos advogados, medicos, etc., e ao lado havia uma quantidade de outros prédios de cariz social. Portanto no inicio havia uma diferença entre os diferentes extractos da população e isso levava a algumas desavenças, dando uma conotação (que na altura estava correcta) de criminalidade e violência. Entretanto as pessoas foram convivendo, os filhos dos primeiros habitantes dos Olivais Sul começaram a entrar em contacto uns com os outros nas escolas, tudo começou a harmonizar um pouco mais, foram passando os anos e começou tudo a nivelar, umas vezes para o melhor e outras para o pior, mas no geral a situação melhorou bastante, e terá tendencia (espero) que continue assim. Daí eu não conseguir declarar o projecto dos Olivais Sul como algo falhado ou como um grande exito. É um processo que ainda está a decorrer, e a realidade é que ainda está em expansão (vejam os novos edifícios na Av. de Berlim e a expansão do Olivais Shopping). Podemos sim é comparar os Olivais com Chelas e com a Amadora. Todos sensivelmente na mesma altura e todos a tentar corresponder aos ideias da cidade jardim. De todos o que mais proximo lá ficou foi de facto os Olivais. Apesar de ser um local de referência para mim, tenho de concordar com a observação de que os Olivais se tornou num bairro dormitório, e por isso não considero os Olivais como um exemplo a seguir ao nivel de cidade. Nesse aspecto a expo está bastante melhor (e atenção que acho que o plano da expo tem bastantes falhas), com a junção de zonas de habitação e zonas de escritórios/comércio. Aconselho-te vivamente a leres o Morte e Vida das Grandes Cidades da sra Jane Jacobs, talvez mudes a tua opinião em relação às cidade-jardim. Quote
3CPO Posted November 5, 2006 Author Report Posted November 5, 2006 Também o conjunto da Nova Oeira se integra na década de 50 e 60...http://img238.imageshack.us/img238/5735/novaoeirasrp1.jpg Sobre esta urbanização, atente-se no que nos diz o Arquitecto José Manuel Fernandes, no n.º 34 (Out 96) da revista architécti: "A mais notável obra surgirá então, nos finais da década de 50 e inícios de 60, com a urbanização de Nova Oeiras, plano tardio na obra de Luís Cristino da Silva. Num espaço amplo e bem desenhado, em forma de "raqueta" viária, uma série de torres de planta triangular pontuam um espaço paisagístico de Ribeiro Telles, alternando com as galerias comerciais e os blocos "duplex" de habitação. Uma estalagem (hoje Centro de Assistência a Deficientes - Centro Nuno Belmar da Costa) completava o conjunto." E José Manuel Fernandes terminava desta forma: "...Nova Oeiras ainda hoje demonstra a largueza da sua concepção, pela qualidade de vida que permite." Com efeito, a arquitectura e urbanismo contemporâneos foram capazes de criar, em poucos hectares de solo, novas e excelentes definições de espaço público e privado. Pena é que o demoníaco tráfico viário tenha hoje, infelizmente, invadido esta pacata zona residencial e que aquelas galerias comerciais, onde até nem falta um pequeno lago, estejam em avançado estado de degradação. Cumpre-nos pois, no exercício das nossas funções autárquicas, apelar aqui para as instituições, serviços ou organismos com responsabilidade na matéria, no sentido de podermos ver, a breve prazo, recuperado este conjunto arquitectónico que, para além de ser já uma referência na História de Arquitectura Portuguesa Contemporânea, faz parte do património da nossa Freguesia. Manuel Pimenta de Castro Machado Vogal para a Educação e Cultura - J.F. Oeiras Quote
JVS Posted November 9, 2006 Report Posted November 9, 2006 Um excelente topico. Neste momento os Olivais tem um Centro. Apesar de ser um Centro mau para os Arquitectos nao deixa de ser um centro, neste caso o Centro Comercial dos Olivais. E uma zona que desconhecia por completo. Hoje conheco uma parte. Diria que conheco a zona limitrofe do Bairro. Para almocar tem que se ir aos Centros Comerciais. Para cima existe o CC dos Olivais e para baixo o CC Vasco da Gama. Nota-se que aquele bairro e mais para os automoveis do que para as pessoas. Apesar de ter trilhos e passeios largos nao existem passadeiras com semaforos o que obriga a ter aquele cuidado de atravessar a estrada. A paisagem do Bairro e idilica. Muita boa arquitectura moderna no meio de vegetacao. Para quem gosta de Arquitectura Moderna, os Olivais e o local ideal para investiga-la. Ante da Rede 7 da Carris o autocarro 25 tinha um percurso fascinante da arquitectura contemporanea portuguesa. Oferecia a arquitectura existente nos Olivais, depois no Corredor de Chelas, mais tarde a Arquitectura existente no Bairro de Alvalade. Uma paisagem idilica com um senao. E um deserto. Aquilo e um bosque. Deserto. Um bosque cercado de estradas. Parece que quem percorre o bairro nao sao as pessoas mas sim os automoveis... Alem disto. Os restaurantes. Os restaurantes do bairro podiam ser melhores. Sao muito fracos. As alternativas estao num raio de km's. Os correios sao de matar a rir. Nos locais mais desertos possiveis, do genero de estarem no outro lado duma estrada com grande movimento automovel. E o outro esta no Centro Comercial. O Centro Comercial e o verdadeiro Centro dos Olivais. Perto dele estao os Correios, a Famacia, o Cineclub, os restaurantes, os cinemas, a escola, a pastelaria mais famosa dos Olivais e 3 paragens de autocarros mais uma saida de Metro. Eis o que sao os Olivais Sul. Quote
Gonçalo Cardoso Dias Posted November 10, 2006 Report Posted November 10, 2006 JVS tocas em pontos interessantes com esta tua intervenção. 1º a função de centro aglutinador que o centro comercial tem naquele bairro. 2º o papel dos automóveis no bairro. 3º a semelhança a ou deserto/bosque por falta de pessoas. em relação ao 1º ponto tens que compreender que apesar do centro comercial dos olivais ser mais ou menos recente aquele já era o centro aglutinador dos olivais, antes de ser construido o centro ja ali tinhas a Farmácia, a igreja, a pastelaria mais famosa dos olivais (por acaso nem concordo muito com isto mas pronto), curiosamente ja tinhas o pingo doce e os cinemas (estes a dada altura até tiveram que fechar devido a actos de vandalismo). O centro comercial não veio mais do que confirmar e melhorar uma situação. O papel dos automoveis num bairro como os olivais é fulcral. Primeiro temos que ver que há uma data de serviços, e locais onde as pessoas se tem de deslocar que são muito distânciados uns dos outros. Depois a ligação dos Olivais ao resto da cidade (apesar de um satisfatorio serviço de autocarros) tinha que ser feita predominantemente de automovel. A estação de metro é recente e bastante afastada de determinados pontos dos olivais, passando-se ali um pouco do que se passa na expo, que tem uma estação de metro para uma extensão de 3 km... Quanto à desertificação... bom eu conheci os olivais a ter uma vida até bastante concorrida, porém sempre teve esse aspecto. Eu atribuo-o isso à questão de haver muito espaço livre, se tivesses o mesmo numero de pessoas que anda ali naquelas ruas, no bairro de alvalade, provavelmente terias o bairro de alvalade atulhado de pessoas, porque está tudo muito mais concentrado. Atenção não quero de todo estar aqui a defender o plano dos olivais, acho que há coisas que funcionam, por exemplo quando era miudo e dormia em casa dos meus avós, era bom acordar de manhã com os passarinhos a cantar de facto, era um descanso fantástico, porém sempre achei os olivais um bairro bastante inseguro. Quanto aos restaurantes... há la uns poucos que são um pouco mais decentes, mas a maioria é dirigido a uma classe média baixa... Quote
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