Arq.to Posted June 2, 2011 Report Posted June 2, 2011 Barack Obama discursa na entrega de prémio a Souto de MouraO presidente norte-americano, Barack Obama, participa hoje, com a primeira dama, Michelle Obama, na "coroação" de Eduardo Souto de Moura com o Prémio Pritzker de Arquitetura 2011, em Washington DC. Keith Walker, da organização do evento, disse à Lusa que são esperados cerca de 400 convidados para a cerimónia de gala de entrega daquele que é considerado o mais alto galardão da arquitetura internacional, que tem como palco o auditório Andrew W. Mellon, marco entre os edifícios clássicos da capital norte-americana. "O presidente participa porque é uma cerimónia importante de entrega de prémios em Washington DC", adiantou Walker. A organização rejeita qualquer relação entre a presença presidencial no evento e a recolha de fundos para a campanha das próximas eleições presidenciais de novembro de 2012 de Barack Obama, que se tem desdobrado nas últimas semanas em ações do género em vários pontos do país. Com raízes em Chicago, tal como o presidente, a família Pritzker é uma das mais ricas dos Estados Unidos e desempenhou papel importante na recolha de fundos de várias eleições em que Obama participou, mormente a de 2008. Devido à presença do presidente na cerimónia, esta será restrita aos meios de comunicação social que integram o corpo de imprensa da Casa Branca, estando todos os outros jornalistas convidados apenas a assistir. A imprensa convidada está impedida de fazer perguntas ao presidente e de usar telemóveis para recolha de áudio ou vídeo. Antes do evento, o embaixador em Washington, Nuno Brito, será o anfitrião de um almoço em homenagem a Souto de Moura, em que participa também a família e convidados do arquiteto portuense. No valor de 100 mil dólares (€70 mil), o prémio Pritzer foi criado em 1979 por Jay Pritzker e a sua mulher Cindy, através da sua Fundação Hyatt. Já distinguiu oito arquitetos norte-americanos e 28 de dez outros países, incluindo o também português Siza Vieira (1992, Chicago). in Expresso Quote Arquitectura, Arquitetura, Construção, Engenharia e outros Espaço de Arquitetura e Fórum da Casa E LEGO, Comunidade LEGO, notícias e novidade LEGO
Arq.to Posted June 3, 2011 Author Report Posted June 3, 2011 "Como [Thomas] Jefferson, [souto de Moura] passou a sua carreira não apenas a redefinir as fronteiras da sua arte, mas a fazê-lo de maneira que serve o bem público", disse Barack Obama na entrega do Pritzker 2011 ao arquitecto português, em Washington. Ao lado da primeira-dama, Michelle Obama, o presidente enalteceu "as formas simples e linhas limpas" dos trabalhos de Souto de Moura, que se enquadram facilmente no ambiente circundante. "Souto de Moura desenhou casas, centros comerciais, galerias de arte e estações de metro, tudo num estilo tão natural quanto belo. É um especialista no uso de diferentes materiais e cores", adiantou o presidente norte-americano. Ler todo o artigoin Jornal de Notícias Quote Arquitectura, Arquitetura, Construção, Engenharia e outros Espaço de Arquitetura e Fórum da Casa E LEGO, Comunidade LEGO, notícias e novidade LEGO
Arq.to Posted June 4, 2011 Author Report Posted June 4, 2011 Discurso de Souto MouraExmo. Sr. Presidente dos EUA, Presidente do Júri, elementos do Júri, meus Amigos, minhas Senhoras e meus Senhores, Só quando recebi o convite dizendo “Eduardo Souto de Moura of Portugal” é que acreditei que tinha ganho o Pritzker 2011. Não posso esconder que fiquei feliz, por mim, pela minha família, colaboradores, amigos e clientes. Em nome de todos, os meus sinceros agradecimentos. Aprendi a desenhar na Escola Italiana do Porto, cidade onde nasci, e no liceu decidi ser arquitecto. Não é que tivesse alguma paixão especial pela disciplina, mas na crise agnóstica dos 15 anos, duvidei se Deus devia ter descansado ao 7º dia. É que, pensando bem, ficou por fazer uma geografia como a de Delfos, a Acrópole para receber o Parténon ou secar um pântano no Illinois, onde a Farnsworth pudesse ficar. Em 1975 depois da Revolução dos Cravos, comecei a trabalhar com o Arqº Siza Vieira. Não só pela arquitectura, mas sobretudo pela pessoa em si, foi uma experiência excepcional que ainda hoje continuo a fazer com o mesmo prazer. Saí do seu escritório nos anos 80, para ser arquitecto. Foi difícil começar, mas usar a sua “linguagem” parecia-me uma traição e mesmo que o quisesse, não o conseguia fazer, por pudor. Depois da Revolução, e restabelecida a Democracia, abriu-se a oportunidade de redesenhar um país, onde faltavam escolas, hospitais, outros equipamentos, e sobretudo meio milhão de casas. Não era certamente o Pós-Modernismo, na altura em voga, que nos poderia resolver a questão. Construir meio milhão de casas, com frontões e colunas seria uma perda de energia, pois a ditadura já o tinha ensaiado. O Pós-Modernismo chegou a Portugal, sem quase termos passado pelo Movimento Moderno. É essa a ironia do nosso destino: “antes de o ser já o éramos”. Do que precisávamos era de uma linguagem clara, simples e pragmática para reconstruir um país, uma cultura, e ninguém melhor que o proibido Movimento Moderno poderia responder a esse desafio. Não era só um problema ideológico, mas sobretudo de coerência entre material, sistema construtivo e linguagem. Se “arquitectura é a vontade de uma época traduzida num espaço”, Mies van der Rohe abriu-nos as portas na redefinição da disciplina tão massacrada até aí, pela linguística, semiótica, sociologia e outras ciências afins. O importante é que a arquitectura fosse “construção”, assim com urgência, nos pedia o país. Com 10 séculos de História, Portugal encontra-se hoje numa grande crise social e económica, como já aconteceu em vários períodos anteriores. Hoje, como ontem, a solução para a arquitectura portuguesa é emigrar. Como dizia Paul Claudel: “Le Portugal est un pays en voyage, de temps en temps il touche l’Europe”. Resta-nos a “mudança”, como quer dizer a palavra “crise” em grego. Resta-nos decifrar o significado dos dois caracteres chineses que compõem a palavra “crise”: o primeiro significa “perigo”, o segundo “oportunidade”. Em África e noutras economias emergentes não nos faltarão oportunidades, o futuro é já aí. “Trabalhar na transmutação, na transformação, na metamorfose é obra própria nossa.” (1) Muito obrigado. Eduardo Souto de Moura (1) Herberto Helder, “O Corpo. O Luxo, A Obra” In: Público Quote Arquitectura, Arquitetura, Construção, Engenharia e outros Espaço de Arquitetura e Fórum da Casa E LEGO, Comunidade LEGO, notícias e novidade LEGO
Arq.to Posted June 4, 2011 Author Report Posted June 4, 2011 Helena Roseta: 'arquitectura é recurso nacional e exporta a marca Portugal'A arquitecta Helena Roseta afirmou esta sexta-feira que «a arquitectura portuguesa é um recurso nacional e exporta a marca Portugal», referindo-se ao discurso de Souto de Moura na cerimónia em que recebeu o Prémio Pritzker 2011. A actual vereadora da Câmara de Lisboa disse ainda que Eduardo Souto de Moura «tocou» numa questão importante que foi numa altura de crise (o pós 25 de Abril de 1974) a arquitectura portuguesa ter encontrado uma «marca de origem». «A seguir ao 25 de Abril [de 1974] faltavam meio milhão de casas e tiveram que construir de uma forma simples clara e paradigmática e isso influenciou toda a nossa arquitectura», disse a ex-presidente da Ordem dos Arquitectos. Na sua opinião, essa necessidade sentida após a Revolução dos Cravos, «retomou a linguagem de estilo moderno da arquitectura de uma forma muito mais simples, directa e depurada, com materiais do local, em que Siza Vieira foi pioneiro». «Isso – prosseguiu - é uma marca de origem que o Souto Moura reconhece e que lhe permitiu chegar a um Pritzker e é um exemplo para hoje em que também se atravessa uma crise e podemos encontrar na arquitectura motivos para sair dela». Referindo-se às declarações de Souto de Moura sobre a necessidade de os arquitectos portugueses terem que emigrar, Helena Roseta afirmou que “sempre que a arquitectura portuguesa emigra leva a marca Portugal”. «É negativo porque o mercado de trabalho está difícil, mas quando [a arquitectura] emigra leva a marca de Portugal com ela. Temos uma influência na arquitectura mundial muito superior à escala do país», sustentou. A arquitecta afirmou-se ainda «satisfeita» por ter estado com Souto Moura no «combate pela alteração legislativa que permite que só os arquitectos possam assinar projectos». Souto de Moura recebeu hoje de madrugada, em Washington, o Prémio Pritzker 2011, considerado o Nobel da arquitectura. O arquitecto evocou as suas raízes na arquitectura, ao lado de Siza Vieira, o primeiro Pritzker português, no pós-25 de Abril, e a forma como a realidade do país de então acabou por ditar o seu trabalho e de outros colegas de profissão. SOL/Lusa In Jornal SOL Quote Arquitectura, Arquitetura, Construção, Engenharia e outros Espaço de Arquitetura e Fórum da Casa E LEGO, Comunidade LEGO, notícias e novidade LEGO
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