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O projecto para uma moradia unifamiliar, situado na zona de Bucelas, próximo de Loures, assume-se como um enorme desafio. Poucas vezes temos a hipótese de intervir em contextos como este, uma paisagem singular, praticamente intacta da intervenção humana, com uma beleza e envolvente natural surpreendente. Todos estes factores acentuam o grau de responsabilidade nas opções tomadas.
O local da intervenção, integrado na região vinícola de Bucelas, é caracterizado por uma paisagem montanhosa com grandes extensões de vinhas que se estendem pelas encostas envolventes.
Situado junto à estrada que liga Bucelas a Santiago do Velhos, o lote de terreno a intervir caracteriza-se pela sua irregularidade formal e por um declive acentuado de Norte para Sul, bem como de Nascente para Poente, sendo que grande parte da sua área se situa a uma cota inferior á cota da via de acesso.
A volumetria e forma do edifício surgem de um conceito fortemente influenciado pela envolvente imediata, expressa pelo relevo irregular, pelos inconstantes desníveis encontrados ao longo do terreno, bem como pela extensa e magnifica vista sobre o vale, propicia à contemplação, com as vinhas de Bucelas como pano de fundo.
O edifício assume-se como uma composição fragmentada, adoçado á encosta, estendendo-se transversalmente pelo terreno, embora de modo assimétrico, acompanhando a irregularidade do relevo, permitindo assim multiplicar e diversificar as vistas sobre a paisagem envolvente.
A fragmentação dos volumes pretende ser uma fuga a um volume unitário, demasiado denso, procurando uma forma mais fluida e orgânica que não altere a configuração original do relevo. Assim, a proposta apresenta-se formalmente como um conjunto irregular de volumes, que se intersectam, se subdividem e se complementam com vários contrastes entre cheios e vazios.
O volume principal, a Poente, é composto por dois pisos. No piso térreo acede-se a um Hall que organiza e determina os acessos aos vários espaços do edifício. Através deste podemos aceder á zona social ou á zona privada do piso térreo bem como ao piso inferior. A zona social é constituída por uma cozinha, áreas de serviço e uma sala de estar/ refeições com uma varanda exterior. Este volume é composto ainda por um nível inferior, composto por uma sala de estar e de leitura com contacto directo com a zona da piscina. Os volumes a Poente, ao nível do piso térreo, incorporam a zona de quartos e suite, ginásio e piscina interior. A ligação entre os dois volumes é conseguida através de uma passagem/ corredor que atravessa todo o edifício.
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Apesar de ser um projecto onde o controlo de custos e a melhor solução funcional, não são objectivos em si, dado que projecta sem o uso de "paredes meias", opta por corredores compridos, para ir de um simples quarto à uma sala, rampas para deficientes são preteridas a favor de escadarias, a verdade é que, do ponto de vista estético, ao nível do observador o alçado de aproximação está bom, tem sentido de pertença em relação ao lugar, se existe sempre este jogo de forças entre a estética e a função, aqui a estética foi predominante.

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Caro colega, agradeço desde já o seu comentário. Uma critica, boa ou má, é sempre melhor que uma "não-critica". Permita-me apenas fazer um reparo. Quando diz que "opta por corredores compridos, para ir de um simples quarto a uma sala", esse corredor "comprido" que fala é um elemento de organização e distribuição espacial, que separa a zona social( Piso 0 - cozinha; sala de estar/ jantar; serviços e Piso -1- sala de estar; escritório; piscina), da zona privada (4 "simples" quartos, uma sala de Tv, ginásio e piscina interior), Essa opção deveu-se sobretudo ao facto que a zona social, devido ás exigências e especificidade do cliente, será mais que uma zona social "tipo apartamento" onde a familia se reune simplesmente para tomar refeições e ver televisão. A separação funcional entre espaços é, neste caso, uma necessidade do cliente face ao seu modo de vida. Essa sua obcessão pela componente funcional lembra-me uma frase de Oscar Niemeyer, "...se ficar preocupado só com a função fica uma *****..."

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O Oscar quando projectou para Brasília, deu atenção às duas, digo até, foi o ponto alto da carreira.

Eu não tenho nenhuma obsessão pelo termo funcional, aliás, provavelmente a maioria dos alunos a sair das universidades, hoje em dia, acredita que o binómio forma/função está datado e é a teoria do século passado, o que é verdade, mas não deixa de ser, em termos de conteúdo teórico, aquela que legou as melhores obras de Arquitectura que temos hoje em dia.

Existem coisas absolutamente pirosas, feitas na dita moda brand new e outras absolutamente intemporais feitas à meio século. É mais difícil fazer simples e contido, do que expansivo e ornamental, a última, qualquer um faz.

No seu caso, tem um cliente que provavelmente lhe deu liberdade de fazer uma coisa com cunho de autor e com alguma liberdade em termos de orçamento, o que é bom. Só a questão das rampas para o pessoal de mobilidade condicionada, poderá parecer menos bem, existe sempre a possibilidade de acoplar uma plataforma elevatória, eu se estivesse numa carreira de rodas, preferia rampas a plataformas.

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