Da minha vivência em Moçambique desde 1999, onde tenho a funcionar a minha empresa de consultoria em arquitectura e afins, contemplei in loco o vasto legado arquitectónico português que, aparte de todos os incontornáveis malefícios do nosso colonialismo, é uma importante herança deixada por nós naquelas paragens que, de alguma forma, ainda hoje perdura e se impõe na paisagem urbana e não só.
Este legado não se resume só á fascinante arquitectura de Pancho Guedes, mas também a tantos outros, mais ou menos conhecidos, muitas vezes quase anónimos que, naquele belo território, projectaram cidades inteiras de raiz, edifícios magníficos, em condições muito precárias que me fazem lembrar a história da construção da cidade de Brazilia.
Por achar que, de alguma forma, este legado tem sido renegado ao esquecimento, em grande parte pelo nosso recalcamento e sentimento de culpa colonial, gostaria aqui de lançar este tema para discussão e partilha de conhecimento, experiências e opinião sobre este assunto que, quer queiramos quer não, faz parte da nossa historia.
Entenda-se que este tema não pretende ser saudosista mas sim realista, aceitando os nossos defeitos e erros do passado, para assim aprendermos com eles, mas também para termos mais orgulho no que fomos e contribuimos, especialmente em termos arquitectónicos, por esse mundo fora, em geral, em Moçambique, em particular.
Kanimambo.