O homem desde sempre demonstrou vontade de trabalhar o espaço, desenhando-o, delimitando-o, criando barreiras físicas.., atribuindo-lhe funções segundo as suas necessidades e crenças. Ao longo dos tempos assistiu-se às mais variadas formas de exploração e apropriação. O aparecimento da família trouxe profundas alterações na configuração do espaço habitar, dilatando-o. A sua partilha gerou regras, mais ou menos rígidas, que perduram até aos dias de hoje. Cada um de nós tende, mesmo que inconscientemente, a demarcar o seu espaço pessoal. Essa necessidade também se reflecte na forma como articulamos os diferentes espaços que constroem a nossa casa. Se por um lado nos protegemos do estranho que se aproxima, por outro, presenteámo-lo com o nosso "hall" de entrada, que nos garante o tipo de privacidade que desejamos. A nossa marca será afirmada nos locais que nos oferecem maior identidade. E é no quarto de dormir que ela por norma se demonstra mais reveladora. Aqui asseguramos a nossa intimidade, nem que para isso tenhamos que fechar a porta à chave. A crescente falta de espaço em território urbano incumbe-nos nos dias de hoje, tarefa nem sempre facilitada, de repensar o dimensionamento do espaço habitar, motivo que me leva a aceitar o desafio proposto pelo Arquitectura.pt. A sugestão passa por criar dois volumes sobrepostos gerando duas áreas distintas, mantendo sempre a unidade de volume. O de maior dimensão, 25.2m3, configurado a apoiar actividades de carácter social e descanso, e um segundo, 1.71m3, direccionado à prática quotidiana de higiene pessoal, perfazendo um total de construção com 26,91m3. Formalmente, também por sugestão do programa, o logótipo do Arquitectura.pt assume-se na frente de acesso através de reentrância elaborada aquando do processo construtivo culminando num lanço de quatro degraus suportado pelo volume inferior que, pela reduzida dimensão, confere à proposta sentido de leveza e adaptação ao meio de inserção. Os materiais propostos são o betão armado com pigmentação branca como parte estruturante e imagem exterior, revestido internamente a placas de gesso cartonado sobrepostas sobre o isolamento que garante conforto térmico e acústico. Na zona sanitária e de higiene pessoal o revestimento far-se-á através de peças cerâmicas de 20x20cm excluído o isolamento por se tratar de uma zona de funcionamento esporádico mantendo-se fechada por duas portadas em madeira, tipo alçapão, material que se estende a toda a laje de piso. Duas peças de mobiliário darão apoio às actividades inerentes: áreas de arrumos através de um armário corrido a toda a extensão de um dos planos interiores e um banco/cama com caixote interno deslizante. O habitáculo sempre será associado à génese funcional do espaço habitar. O conceito passa por satisfazer as exigências que cada um de nós convenciona.