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guigigantetiago

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  1. Entenda-se a Habitação, não enquanto “a casa” ou “o lar”, mas como espaço criado na sua generalidade para Habitar. Trata-se, acima de tudo, da conceptualização possível do Acto de Habitar Contemporâneo, associado a áreas mínimas e temáticas cuja actualidade é indiscutível. Em causa está a defesa de uma tipologia, onde ao público em geral, com pouco acesso e conhecimento das reposnsabilidades e trabalho de um arquitecto, parece ser necessário apresentar possíveis aplicações práticas na actualidade. No entanto, a ideia de Habitação mínima não se pode limitar a esse conceito. É necessário procurar a viabilidade da Habitação mínima, entendida como ponto de partida para novas respostas na habitação contemporânea, projectada por arquitectos, acessível ao utilizador comum e enquanto espaço de apropriação que responda às necessidades de uma cultura doméstica contemporânea. Tendo em conta a actual condição da sociedade, numa época de transformações politicas, culturais e sociais, rodeada por uma crise mundial, em que classificações e conceitos na cultura urbana se encontram desvanecidos, prevê-se a apropriação do espaço do habitar por uma cultura doméstica contemporânea, sob a crença de que a Habitação mínima será capaz de responder a uma procura crescente de apartamentos económicos. Surge a necessidade de juntar todos estes factores, na tentativa de aprendizagem e entendimento de possíveis reflexos e influências que possam inspirar novas interpretações do Habitar Contemporâneo. Óbvio que quando nos referimos a Habitação mínima, esta teria de surgir juntamente com outras tipologias, que dessem respostas às necessidades habituais de habitação, mas cumprindo, entre outros, os mesmos requisitos económicos. E, ao contrário do que se possa pensar, é numa altura é que muitos jovens, casais sem filhos e mesmo idosos se parecem indignar com a falta de oferta na habitação e mesmo de apoios para a adquirirem, que essa mesma casa dita económica pode surgir enquanto solução temporária, de transição. Se existe fragilidade nos empregos, mas a vontade de deixar a casa dos pais é mais do isso mesmo, uma vontade e passa a necessidade, porquê seguir o mesmo caminho de endividamento para uma vida inteira? E como alguém referia nos tópicos anteriores, de em Portugal se estar habituado a viver em áreas grandes e se dever continuar a fazê-lo... a história não o parece confirmar, desde as construções pelo SAAL aos típicos bairros de pescadores na costa portuguesa, entre muitos outros exemplos. De referir que a população não parou no tempo: os modos de vida mudaram, já poucos tÊm a mesma vida que os papás tinham nessas casas "grandes" (esses mesmos papás passaram por outros tempos, em que trabalharam e muito para atingir esse nível, tendo começado bem por baixo..) Isso é Portugal!!!
  2. Creio que os jovens preferem ficar em casa dos pais, dada a diminuta oferta na habitação no que diz respeito a casa acessíveis e em parâmetros que os satisfaçam... e são esses mesmo jovens que sim, têm um estilo de vida equiparável a estilos europeus. Não é necessário ter dinheiro para visitar galerias, exposições, ir a um bar com os amigos... o que fica caro são as deslocações aos locais onde a oferta cultural se encontra, tendo que ir de automóvel, colocando os carros nos parques pagos, dada a diminuta oferta de estacionamento gratuito nos centros ou mesmo nos ditos "shoppings"... No que diz respeito à habitação mínima, talvez tenha razão..no entanto, como designar esses apartamentos de 35 a 40 m2??? E, infelizmente, não me parece que a questão se coloque no "numero de deslocados em Lisboa ou Porto (que) nao é suficiente para fazer disto uma questao pertinente no Pais." Centros históricos como os de Viana do Castelo e Braga, citando apenas duas realidades que também conheço, encontram-se completamente vazios À noite, maioritariamente devido a esse "êxodo" por parte da população que dantes aí habitava... se não, porquê a discussão por parte dos municipios para reabitar os centros?
  3. O actual contexto mundial, aliado a números recentes no que diz respeito ao panorama actual da Habitação em Portugal, parece ser motivo mais que evidente para uma nova oportunidade de explorar alternativas, num processo estancado de normas e modelos de há mais de 30 anos. A casa flexível, tecnológica, sustentável, ecológica y, sobretudo, exequível e economicamente acessível é uma directriz que pede investigação e imaginação, na procura de novas respostas que a tornem numa realidade, quanto antes. Quais as alternativas possíveis a habitação desse tipo, existentes em Portugal? Qual a oferta imobiliária/arquitectónica nesse sentido? Parecendo haver quem não concorde com a ideia da "habitação mínima", por ser o oposto da casa tipo portuguesa, com "grandes áreas e muita luz", mas não acessível à maior parte da população, que para tal teria de aceder a empréstimos bancários ou, ainda, a empregos estáveis (...) Porque não dotar os edifícios em áreas urbanas de marcada centralidade com possíveis alternativas de habitação (digo novas tipologias...) em regime de aluguer/rotatividade? É essa mesma noção de espaço doméstico, referente à distribuição/programa da habitação que permanece inalterável, enquanto "mecânica rotineira" induzida pelas normas e suposta resistência dos usuários (diria mais dos "construtores tipo", que se limitam a reproduzir o que sempre fizeram...) a receber configurações diferentes, novas tipologias. Com tais iniciativas, colocar-se-ia a hipótese da desejável "naturalização" da cidade, permitindo a integração de pessoas nos ciclos e processos urbanos, projectando num futuro imediato a chamada "cultura urbana", aí sim, em conjugação com os espaços públicos, equipamentos, etc. Factos como o abandono por parte de 30.000 pessoas do centro histórico do Porto desde 2001(com base nos Censos nacionais) e a existência de cerca de 12.000 casas vazias na cidade de Braga, não serão dados que indicam a dificuldade que as pessoas têm poucos recursos para aceder a uma habitação? Falta de terrenos ou de promoções públicas, a inexistência de políticas de habitação social, bem como de projectos urbanos de reailitação urbana, a inflação sem precedentes do sistema imobiliário, a precariedade laboral, o envelhecimento da populaçãoe a evidente dificuldade de emancipação dos mais jóvens, entre outros, não serão factores suficientes? Não tem o Habitante, dito "comum", direito a habitar uma casa projectada por um arquitecto? A uma casa que possa adaptar Às suas necessidades? Ou terão de continuar a ser elas a adaptar-se À habitação disponível? Por vezes, essas mesmas pessoas nem têm conhecimento da função social e activa que a Arquitecto deve desempenhar, bem como das suas obras... a obra de um arquitecto parece estar para sempre conectada com a ideia dos "projectos megalómanos, não acessíveis a qualquer pessoa" (como li num post de um blog, há dias...) Citando joagin, "é do confronto com as dificuldades, neste caso as áreas e os volumes reduzidos, q surgem as grandes ideias. Fazer o maximo com o minimo, faz-nos pensar e repensar, obriga-nos a optimizar o espaço. Nem q seja é um optimo exercicio de arquitectura!"
  4. "realidade 1: vamos progressivamente tentado aproximando-nos da Europa. Queremos que as nossas cidades sejam quanto mais europeias possam e não pensamos que, se calhar podemos construir uma modelo mais português." O modelo português poderá passar pela "tradição, talvez das melhores que nos separam da Europa...casas grandes, vivemos em espaços grandes, arejados, com boa vista e luz..." No entanto, quando se fala de Habitação Mínima, não se poderia pensar em Habitáculos como os criados por Kisho Kurokawa, na 'Nakagin Capsule Tower' (1972). Tais áreas seriam incompatíveis com a própria cultura portuguesa, certamente. "realidade2: a crise, mais uma vez a tal de crise, vai proporcionar essa aproximação com a Europa no sentido do arrendamento de pequenas tipologias do género transitório em detrimento da impossibilidade da compra da "casa para a vida" estilo americano." Qual será a melhor opção? A compra da "casa para a vida", por parte de jovens que não sabem se terão o seu emprego passados uns anos e que terão de pagar um empréstimo para toda a vida (infelizmente, a obtenção de empréstimos é uma realidade/necessidade mais que presente no nosso país) ou, viver numa casa arrendada, com uma renda adequada às posses do Habitante? Devido a esses mesmos "senhores do dinheiro e influência", vulgo especulação imobiliária, os preços por metro quadrado, em Portugal, são equiparáveis e por vezes mais altos que em Espanha. Daí a "solução" de apartamentos com áreas menores, onde as condições de habitabilidade não sejam posas em causa. (não havendo políticas institucionais que o promovam, quem continuará a mandar serão os "senhores do dinheiro e influencia"...) "realidade3: os centros, degradados e devolutos, e o mais significativo mal pensados já são e continuaram a ser o objecto alvo de reformulaçôes espaciais em aproximação a modelos Europeus." Como referido na entrevista do geógrafo Álvaro Domingues, é "errado pensar que os nossos centros serão ocupados única e exclusivamente por habitação". No entanto, reformular os centros históricos poderia passar, para além dos espaços públicos, pela reabilitação da habitação, procurando um novo Usuário alvo, como estudantes, turistas, jovens, etc.
  5. Na tentativa de alargar um pouco a discussão, não apenas a Arquitectos ou interessados na área, foi criada a página http://minimum-dwelling.webs.com/ , na qual se espera que o Habitante/Utilizador da habitação, alvo primordial da Arquitectura, possa intervir com as suas opiniões.
  6. Entrevista ao geógrafo Álvaro Domingues, no programa "Portugal em Directo", de 14 de Abril de 2009. Disponível na integra em http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=19455&idpod=24250&formato=wmv&pag=recentes&escolha=
  7. Gary Chang, Gary's Cahng apartment, 32m2. Hong Kong (versão de M_1998)
  8. O tema proposto deve-se à condição actual da habitação, entendida num contexto de crise, tanto económica como de valores. A temática da Habitação Mínima encontra-se balizada temporalmente por pesquisas históricas referentes à ideia de Existenzminimum, desenvolvida no design e arquitectura alemães nos anos 30, afirmada no II CIAM de Frankfurt, no ano de 1929, sob o tema do “mínimo para a existência”. Tais pesquisas, entre outras, viriam a ter reflexos na habitação social modernista de todo o século XX (Portugal e SAAL incluído). Desse modo e até ao presente tempo, a discussão na quantidade e qualidade da Habitação pública tem sido o programa mais sujeito a revisões. Actualmente, revisões no programa da Casa parecem ser necessárias, identificáveis pelo crescimento e legitima indignação de membros da sociedade que encontram diversas dificuldades quando se trata de encontrar a casa adequada onde viver, que vá de encontro tanto com as suas necessidades bem como com o orçamento disponível. Programas políticos diferentes, ao longo dos tempos, fornecem a oportunidade de explorar novas alternativas num processo baseado em modelos e regulações. A Casa flexível, tecnologicamente desenvolvida, sustentável e, acima de tudo, com preços razoáveis, é um desafio à capacidade de pesquisa e imaginação de todos os agentes envolvidos no processo. O programa da Casa é uma oportunidade de promoção de diferentes escalas, intercâmbios entre as escalas individual e colectiva, diversos estilos de vida e do habitar, herança e compromissos futuros. De salientar que nos últimos anos, se registaram sinais de uma crescente tomada de consciência e mobilização colectiva relativamente à importância do Habitar, que não podem deixar de ser vistas como uma reacção à resposta arquitectónica às necessidades actuais do Usuário comum. Entendendo a Habitação, não enquanto “a casa” ou “o lar”, mas como espaço criado na sua generalidade para o acto do Habitar, trata-se, acima de tudo, da discussão acerca da necessidade de (re)organizar as tipologias habitacionais, adaptadas a uma nova sociedade e incorporando novos conceitos energéticos, oferecendo como solução “ideal” a oferta de volume em vez de área/superfície habitável. Será a Habitação Mínima uma solução para o contexto actual na Habitação em Portugal? Quais os usuários alvo? Existe, a nível do panorama imobiliário português, oferta nesse sentido ou até mesmo população à procura desse tipo de habitação? Poderá a Habitação Mínima, enquanto nova tipologia, funcionar como solução para a ocupação dos centros históricos das cidades, cada vez mais abandonados? Estaremos perante o (re)surgimento da, infelizmente mal vista, habitação social? Partirá a iniciativa do Estado, com a criação de habitação pública, ou terão de ser iniciativas privadas? Ficam aqui algumas questões, creio que interessantes, para a discussão deste tópico.
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