Hoje visitei uma casa que está em acabamentos.
É um projecto de arquitecto que não vou aqui tecer considerações sobre estética, integração na paisagem, integração no meio urbano, integração no espaço envolvente e consonância com as habitações envolventes apenas vou fazer alguns reparos e até tirei fotografias, mas ainda não descobri como aqui po-las.
Pois bem os puxadores das portas dos roupeiros são dois pedaços de chapa de alumínio, aparafusadas de forma perpendicular e que com as portas fechadas ou abertas constituem autenticas laminas para a cabeça de crianças e mesmo um descuido dos adultos os pode magoar e bem.
Chamou-me a atenção as clarabóias da cozinha e da sala que dão para a cobertura, que é em terraço. Estas clarabóias são apenas um vidro de 5 ou 6 mm colado numa abertura feita na cobertura, sem qualquer grade de protecção. Acho que é um convite à entrada de larápios mesmo com os donos a dormir, basta meter um pé de cabra, descolar o vidro e imediatamente se entra na casa.
Mais, gostei das enormes portas que eu mais chamaria montras de abrir e com estores eléctricos com cerca de 4 metros de largura, que por serem eléctricos se abrem na perfeição.
Detestei portas de correr pesadísimas com dimensões de 2x3 m, com apenas uma caixilharia à volta do vidro duplo e cujo puxador não passa de um buraco onde apenas se podem meter a ponta de 3 dedos. Pergunto quando as pessoas forem mais velhas e perderem a força ou como pode uma criança abrir uma porta daquelas?
Reparei que o pavimento dos quartos é em soalho executado em pinho, bonito sem dúvida, mas muito claro e que em nada contrasta com o branco de toda a casa é tudo branco, e remata directamente ao aro das portas dos quartos, que são de correr. Que acontecerá a este soalho quando começar a chover e a água se infiltrar entre o soalho e o aro das portas de correr?
Gostos não se discutem, mas qual a ideia de revestir as paredes da cozinha e das casas de banho com azulejos mas deixar partes das paredes (à altura da banheira e restantes loiças) e o chão em cimento afagado e envernizado à cor natural? Para além da "pedra" de bancada da cozinha ser uma laje com 8 cm de espessura também à cor natural?
Mais, qual a piada de fazer uma casa totalmente branca por dentro e por fora, com paredes e portas brancas incluindo as dos roupeiros dos quartos e as que protegem interiormente as janelas (uma espécie de taipais de correr) em que apenas o elemento que muda de cor é o soalho em pinho (poderia ser ao menos uma teca ou um mogno ou um castanho ou uma nogueira para criar algum contraste, mas pronto é pinho muito claro). Inclusive toda a cozinha é totalmente branca e nada é lacado é tudo pintado a um branco baço tipo casca de ovo que ao fim de um mês vai estar tudo a precisar de litros de lexívia para tirar a sujidade e a gordura natural das mãos.
Outra coisa que me deixa confuso é como para outros projectos o arquitecto da autarquia é tão exigente com os alumínios que têm de ser lacados e assemelhar-se o mais possível a madeira e neste caso deixou utilizar alumínio à cor natural?
Mas, sinceramente será que são mesmo permitidos aqueles puxadores de roupeiro com arestas vivas e saídos cerca de 4 cm perpendicularmente às portas dos roupeiros? Que acontcerá a uma criança traquinas se andar a correr à volta da cama e ali bater com a testa ou com um olho? E as clarabóias no tecto sem uma protecção?
Cumprimentos.
Ricardo Vaz