(VER FICHEIRO ANEXADO - IMAGENS)
Centro Artístico Real Companhia Vinícola
"O primeiro Plano de Urbanização da então Vila de Matosinhos,
previa a ocupação do Areal do Prado com uma malha ortogonal
regular composta por quarteirões rectangulares e é num destes
quarteirões do Plano que iria surgir o edifício da Real Companhia
Vinícola, grandes armazéns de vinho que foram mandados construir,
em 1897, por Menéres & Cª. Este excelente edifício fabril foi
precisamente a primeira unidade industrial a ocupar aquela zona (...)"
"Por ter sido a primeira instalação industrial implantada na área,
a "Real Companhia Vinícola", construída entre 1897 e 1901,
apresenta um processo construtivo bastante diferenciado das
contíguas construções industriais posteriores, caracterizadas pela
utilização do betão e asnas metálicas."
"Não há notícias que o edifício original tenha sofrido grandes
alterações, registando-se apenas uma ligeira ampliação ainda em
1903, através da qual é implantado um pequeno torreão num dos
extremos da fachada voltada para a Avenida Menéres, e obras de
decoração na fachada em 1929."
"Não obstante o seu encerramento, nos anos 30, a "Real Vinícola"
continuou a manter, embora de forma indirecta, uma ligação
estreita à história da evolução urbana da cidade. É que a construção
das docas do porto de Leixões, implicando o desaparecimento de
todas as edificações junto às margens em Matosinhos e Leça da
Palmeira, fez com que uma grande parte da população ribeirinha
até então aí residente se visse privada das suas habitações. Neste
contexto a "Real Vinícola" funcionou, durante vários anos, como
refúgio/albergue desses desalojados. Curiosamente, várias décadas
depois, na sequência da descolonização, voltaria a desempenhar
as mesmas funções em relação a retornados das ex-colónias
portuguesas em África." http://pedro-samuel.spaces.live.com/blog/cns!29C673088E24314A!1099.entry?sa=955200718
A história do edifício da "Real Companhia" faz-se a par da
história do desenvolvimento de Matosinhos como cidade. Nos
dias de hoje o edifício encontra-se degradado, dado ao abandono
e sem qualquer função própria. Tendo sido um edifício importante e
continuando a ser um edificío marcante na vida Matosinhence é
necessário atribuir-lhe uma função mais gratificante, que o permita
apresentar-se todos os dias na vida dos Matosinhenses com uma
cara nova e de forma a servir a cidade da forma que ela mais
necessita.
Matosinhos é uma cidade com uma grande ligação às artes,
no entanto são poucos e pouco conhecidos os espaços onde esta
pode ser exposta, explicada, aprendida e desenvolvida por todos
aqueles que se interessam por elas. Assim, o quarteirão da
"Real Companhia" parece ter aí a sua oportunidade de viver com
a cidade e com nomes na arte Matosinhense, na arte do país e do
mundo. O quarteirão é ocupado pelas instalações da "Real
Companhia" e de uma outra fábrica, também abandonada. Assim
temos ao dispor uma área vasta que pode ser trabalhada de forma a
preservar o que deve ser preservado, de modo a nunca perturbar o
edifício importante que é a "Real Companhia" e aproveitar outros
espaços menos importantes para inovar e renovar o quarteirão. Assim
opta-se por demolir na totalidade a fábrica abandonada a sul e
demolir parcialmente o braço sul da "Real Companhia" (onde se situa
o aqueduto) e um edifício de apoio ao edifício principal de pouco
interesse. Tendo já o quarteirão 'limpo' é necessário separar e decidir
onde as várias zonas que vão preencher o quarteirão se vão
encontrar.
O novo quarteirão, ou o "Centro Artístico Real Companhia Vinícola"
(CARCV) é composto por 4 Zonas, sendo elas, a Zona Museu, com
salas de exposição, galeria, salas polivalentes, auditório interior e
exterior, salas de sensibilização, livrarias e ateliês, a Zona Pousada,
com as instalações necessárias à estadia de qualquer pessoa, a
Zona Administrativa, responsável pela administração do espaço e a
Zona Comercial, com lojas onde os apaixonados pela arte podem
encontrar artigos de difícil acesso em Portugal e onde podem ter
contacto com peças das mais diversas áreas da arte e na nessa
mesma zona podem ter acesso a cafés, restaurantes e bares.
Assim a Zona Administrativa localiza-se na entrada principal,
a Norte (fachadas amarelas), a Zona Museu a Este e Sul (fachadas
brancas e roxas respectivamente), a Zona Pousada a Oeste
(fachadas vermelho salmão) e a Zona Comercial a Sul e Oeste
(fachadas roxas e vermelho salmão respectivamente). As cores das
fachadas do quarteirão foram escolhidas através da observação de
algumas pedras da fachada que denunciam as cores originais pela
coloração que algumas ainda mantêm.
Logo à entrada existe um aumento na cota do edifício,
denotando-se pelo uso de telhas na fachada nova, marca
característica em alguns edifício antigos da cidade do Porto.
Passamos o portão e somos recebidos num espaço mais amplo
que o resto, onde poderemos ter a oportunidade de ver algumas
peças expostas, e também optar pelo caminho que mais nos
convenha. Neste espaço é-nos possível observar uma referência a
uma pintura de Augusto Gomes, que faz, por sua vez, uma referência
ao Aqueduto de Vila do Conde. O "Aqueduto" é uma estrutura
permanente, quase como que uma escultura que representa essa
mesma pintura, sendouma réplica tridimensional do aqueduto quase
perfeita. No entanto a pintura tem um fundo roxo, o qual não seria
possível inserir na escultura, mas era possível criar esse plano num
fundo, o edifício novo, mais a Sul.
Assim se decidiu a paleta de cores a ser usada.
No meio da "Real Companhia" existem dois volumes formados por
paredes que terminam em colunas, ambos os elementos de pedra.
Estes espaços são mantidos em pedra e cobertos com uma estrutura
em aço corten, que deixa algumas aberturas, por sua vez revestidas
a vidro, de forma a cirar alguma aberturas. Assim criam-se dois
pavilhões de espaço livre que podem servir variadas funções.
Continuando para sul vamo-nos aproximando do Aqueduto e do
fim destes dois volumes de aspecto mais antigo que constrastam
com os materiais usados na envolvente. No fim destes dois volumes
e no espaço dominado pelo Aqueduto observamos outro espaço
aberto ao mesmo nível, onde há oportunidade de formar uma
esplanada. Daqui observamos o pátio inferior, localizado onde se
encontrava a antiga fábrica, completamente demolida.
Nesse pátio vemos o anfiteatro, áres verdes e espelhos de água,
presentes
também no pátio superior. Entre os dois pátios há uma escadaria e
uma rampa situada dentro do edifício principal da "Real Companhia".
Do pátio inferior temos uma visualisação perfeita do novo edifício,
um volume mais moderno que delimita os pátios e encerra a sudeste
um pátio que permite a paragem de veículos pesados para cargas e
descargas de passageiros ou mercadorias. Na fachada sul, edificio
roxo, há também a entrada para o parque de estacionamento inferior.
Jorge Monteiro 12ºG 10 ESAG03JUN'10