Começando por falar no pré Centro, os Capelinhos tinham uma paisagem vulcânica, com um farol parcialmente soterrado e destruído. Paisagem esta que atraía todos os visitantes do Faial e Faialenses para ver o vulcão e os seus danos. Uma estrada que terminava num cul-de-sac onde os carros paravam, as pessoas olhavam, umas davam a volta ao farol, os mais aventureiros escalavam até uma das janelas que dava acesso à escada e à torre, e partiam com a máquina cheia de fotos das ruínas do farol, do vulcão ao fundo e de uma paisagem quase lunar de cinzas. Agora, os Capelinhos continuam a atrair pessoas, estas chegam, vêm uma paisagem vulcânica, umas ruínas de farol soterradas e o vulcão. É isso, a paisagem que atraia as pessoas continua a mesma, pois o edifício é enterrado. O grande foyer central, ponto de recepção de visitantes encontra-se por baixo do antigo cul-de-sac, mas este grandioso espaço encontra-se à cota do terreno antes da erupção, ou seja cerca ao nível térreo do farol, ao nível das habitações ali existentes. Por baixo desta grande arvore, cálice, erupção, ou o que entendam por bem chamar ao único e grandioso pilar central da sala, entra-se um mundo mágico de salas e sucessão de espaços, despidos de acabamentos dando assim grande importância ao conteúdos expositivos interactivos, dinâmicos e físicos. O edifício totalmente construído em betão à vista, como que queimado pelo vulcão, tem pequenos espaços que oferecem um conforto quer físico quer psicológico através das cores fortes, sendo o auditório com poltronas vermelho, o bar com sofás em Jacinto-de-água amarelo, a sala de exposições temporárias verde mar, e as respectivas casas de banho também acolhem confortavelmente os seus utilizadores através das cores escolhidas para os seus acabamentos. Toda a visita multimédia vai contando e explicando a história daquele local, desde a construção do Farol, o vulcão, e a paisagem actual. A sucessão de salas a sua organização o percurso, até a sua iluminação estão agradavelmente estudados e levam o visitante a desligar de tudo e a contemplar o sítio e o espaço, até à surpresa final que se encontra na saída deste edifício; esta, acontece numa sala lateral do farol virada para o vulcão. Há depois a possibilidade de subir ao farol, para quem não tenha medo de alturas, e ai termina o auge da visita com uma vista de 360º sobre toda esta paisagem tão nova e tão antiga. Espero ter aguçado o interesse, eu sou uma apaixonada pelos Açores, vou lá com alguma regularidade. O Governo dos Açores está a desenvolver o arquipélago com a construção de arquitectura de qualidade em espaços muito interessantes, todos os arquitectos, engenheiros, estudantes e interessados deveriam conhecer os Açores e as suas novas obras.