JVS Posted July 10, 2009 Report Posted July 10, 2009 Arquivo: Edição de 23-06-2009 SECÇÃO: Lousada António Couto dos Reis, Presidente da Junta de Silvares, em entrevista “Projecto de requalificação urbana de Lousada é bastante equilibrado” António Couto dos Reis, presidente da Junta de Freguesia de Silvares há 16 anos, vai-se recandidatar a mais um mandato, o último, ao executivo da Junta de Freguesia. As raízes e a paixão pela freguesia levaram-no a aceitar o repto que lhe foi colocado pela actual Comissão Política Concelhia do PS Lousada. Nesta entrevista, fala dos investimentos que realizou neste último mandato, mas também de outros que estão por concluir e que gostaria de executar até às próximas eleições autárquicas. Reage com normalidade à candidatura da coligação "Lousada Viva", mas rejeita a visão de que a freguesia necessita de uma nova centralidade. __________________________________ TVS - O que pensa do projecto de requalificação urbana da vila? Acha que os autarcas deveriam ter sido ouvidos aquando da sua elaboração? António Couto dos Reis (AR): O edital foi remetido para a Junta de Freguesia, tivemos conhecimento do projecto e de o consultar nessa altura. Na minha opinião, os autarcas não tinham de ser necessariamente consultados durante a fase de elaboração do projecto até porque não poderíamos estar junto ao técnico ou do arquitecto que estava a idealizar o projecto. Acompanhamos todo o processo na sua primeira fase, propusemos algumas alterações que foram posteriormente atendidas. Agora, querer dar sugestões na fase em que o projecto está a ser elaborado acho que não faz qualquer sentido até porque existe uma equipa que está a trabalhar. A proposta apresentada parece-me bastante equilibrada e já engloba o centro da vila e o parque que vai nascer junto à feira, próximo do campo de futebol. Penso que se trata de um projecto bastante agradável o que não quer dizer que não possa existir um ou outro aspecto a ser revisto por isso mesmo é que se encontra em discussão pública. TVS: E acha que a população da sua freguesia vai sair beneficiada com esta versão? AR: Penso que todo o concelho irá sair beneficiado. Estamos a falar de uma obra que vai embelezar o concelho. TVS: Que balanço é que faz deste último mandato? AR: Existem projectos que já foram concluídos e outros estão ainda em fase de conclusão. Uma das nossas prioridades tem sido o apoio dado às inúmeras associações que existem na freguesia. Sempre que nos bateram à porta não virámos as costas a ninguém. A junta desenvolveu ainda um conjunto de actividades direccionadas aos estabelecimentos de ensino, com protocolos estabelecidos ano a ano, com transferências de verbas para as suas actividades, no apoio aos transportes. Em colaboração com a autarquia promovemos a remodelação de toda a rede eléctrica, sobretudo, da zona de Mós, na mesma freguesia colocamos a sinalização de trânsito, abrigos para as crianças e estamos a concluir, em articulação com a autarquia, a rede de saneamento no lugar da Cancela Nova. TVS: Qual é a taxa de cobertura da rede de saneamento? AR: Tanto a rede de água como o saneamento devem ultrapassar os cerca de 90 por cento. Ainda só não atingimos os 100 por cento porque existem algumas casas isoladas onde é difícil levar o saneamento. __________________________________ “Zona de lazer é fundamental” TVS: Está prevista a construção de uma zona de lazer em Silvares. O que é que se pretende com esta obra? AR: Estamos a falar de uma obra fundamental para a freguesia que vai permitir que as inúmeras pessoas que circulam à noite para fazer as suas caminhadas possam fazê-lo com toda a segurança no espaço de lazer que está a ser construído junto à Quinta de Vila Meã. Esta zona terá cerca de quatro quilómetros e integra um circuito de manutenção. Há pessoas que já utilizam este percurso só que não dispõem das condições que vai ter no futuro. A orçamentação da obra é da responsabilidade da autarquia e tem o apoio da Junta de Freguesia. TVS: Partilha da opinião de que os executivos das juntas deveriam ter mais verbas e competências para intervirem em determinadas áreas? AR: É óbvio que quantos mais verbas tiver uma junta mais obra poderá fazer. Conforme advém da lei todas as juntas de freguesia têm autonomia financeira para realizar aquilo que é da sua competência e nesse sentido acho que todos temos de fazer um esforço para adequar as verbas ao que se pretende fazer. Temos de saber quais são as nossas limitações para não cair no erro de fazer obras que depois não conseguimos suportar financeiramente. Temos de conhecer as competências, as verbas que dispomos e é em função destas que poderemos saber o que fazer. __________________________________ “Mós é um lugar que tem ganho muita visibilidade, com os acessos directos à vila, à auto-estrada e o complexo desportivo que está a ser criado ali perto” TVS: Uma das críticas que o candidato do PSD/CDS-PP lhe faz é o facto de não dispor de projectos mobilizadores que aproxime e atenue as diferenças geográficas da freguesia? AR: Não concordo. Tenho sido confrontado várias vezes com esta observação e de que a zona de Mós é um lugar completamente abandonado. Mas, se olharmos atentamente para o que tem sido feito verificamos que tal não corresponde à verdade. Este é um lugar que tem ganho muita visibilidade, desde os acessos directos à vila, à auto-estrada e ao complexo desportivo que está a ser criado ali perto. Existe, ainda, um acesso para Lustosa fundamental para os habitantes que venham a trabalhar na Zona Industrial que está a ser construída e é uma mais-valia para o lugar. É um erro dizer que existem lugares que estão mais isolados e que sofrem com a divisão geográfica da freguesia. Aliás, o isolamento, na minha opinião, pode ser sinónimo de tranquilidade e de alguma qualidade de vida. A maior parte das intervenções do executivo da freguesia têm sido realizadas nas suas zonas mais limítrofes. Hoje já não existem distâncias. Hoje estar em Mós ou na Vila, estar em Lousada ou no Porto é a mesma coisa pois estamos relativamente próximos de tudo. TVS: O facto da auto-estrada dividir a freguesia é um contra ou uma vantagem? AR: No início quando soubemos que a auto-estrada iria passar na freguesia ficamos assustados porque representava uma barreira. Desde o estudo de impacte ambiental que a nossa posição foi a de alertar para o facto desta via não poder ser um instrumento de divisão. Alertamos para a necessidade de serem restituídas e criadas ligações tanto à nova via como aos lugares da freguesia. __________________________________ "Não sei o que é isso de uma nova centralidade" TVS: Acha possível criar uma nova centralidade na freguesia? AR: Não sei o que é isso de uma nova centralidade. Não podemos deslocar os lugares e aproximá-los uns dos outros, pegar na Igreja e na junta e deslocá-la para próximo do centro da vila. Todas as freguesias têm lugares que são mais centrais e outros que são menos centrais. Há muita gente que continua a ter uma visão negativista da freguesia, mas a freguesia evoluiu. Todas estas disparidades fazem parte do orografia e do tecido habitacional da própria freguesia. TVS: O Centro de Dia é uma obra vital para a freguesia? AR: A Junta de Freguesia não tem competências para isso e é necessário estabelecer uma série de protocolos com a Segurança Social. Estamos a falar de um processo burocrático. Em Silvares existe uma instituição que trabalha com os idosos que é a Santa Casa da Misericórdia, que é uma instituição que conhece bem o tecido social da freguesia e do concelho. Existe um projecto no âmbito da Rede Social que promove actividades junto dos idosos de todas as freguesias do concelho que é chamado o Movimento Sénior e que contará com a adesão de todas as freguesias. Já participamos numa primeira reunião e iremos continuar a trabalhar para o desenvolver e participar neste movimento. Não estamos a falar de um centro de dia, mas de um movimento que tem por missão promover actividades para todos os idosos. A grande maioria dos nossos idosos sentem-se bem em casa, têm as suas actividades, gostam de estar em casa onde ocupam o seu tempo no seu quintal, têm os seus animais, etc... __________________________________ “Não hesitei quando me lançaram o repto para a recandidatura” TVS: Vai recandidatar-se? AR: Este é um assunto que está decidido e será o meu último mandato. Faço-o porque tenho aqui as minhas raízes, quero continuar a fazer algo pela minha terra. Estou nestas lides há 16 anos e continuo a querer lutar pela minha freguesia e como tenho essa possibilidade de o fazer mais uma vez, não hesitei assim que me lançaram o repto mesmo que este gesto me leve às vezes a prejudicar a própria família. TVS: A lista ao executivo da Junta vai manter-se? AR: Poderá existir uma ou outra alteração, alguns elementos que integram o executivo já me manifestaram essa intenção, mas no essencial vai manter-se. TVS: O que acha da lei da Paridade? AR: Há muitos anos que temos tido a preocupação de ter senhoras nas nossas listas. Aliás, a presidente da Assembleia de Freguesia é uma senhora. TVS: O facto de já ser conhecido o candidato da Coligação vai fazê-lo mudar de estratégia? AR: A minha atitude vai ser a de esperar que o povo decida. Vou estar sereno e mostrar que continuo disponível e com vontade de trabalhar, vou dar o meu melhor e estarei sempre disponível para ajudar as pessoas. Nestes 16 anos a tempo inteiro. Não venho cá de forma intermitente. Costumo dizer até em forma de brincadeira que nestes últimos 16 anos só a passar atestados já tenho um ano de trabalho. As pessoas sabem aquilo que foi feito, quem zela pelos seus interesses. TVS: Defende a limitação de mandatos? AR: De tempos a tempos julgo que seria desejável haver uma renovação dos mandatos, mas não tenho uma opinião formada sobre isso. __________________________________ Creche avança TVS: Que projectos gostaria de concluir até ao final do mandato? AR: Não gosto de falar de projectos porque às vezes acabamos por ser condicionados por outras coisas. Contudo, gostaria de concluir dois projectos que são fundamentais: um livro que vai ser lançado na próxima feira do livro, no dia 1 de Julho, e que nasceu de um desafio que foi feito a um conjunto de investigadores para que descobrissem coisas sobre Silvares. A freguesia possui um vasto património e uma história rica que estava ainda por descodificar e que a maioria das pessoas desconhece. Não se trata de um trabalho final, porque nunca está acabado. O outro projecto tem a ver com a construção de uma creche e que está em fase de adjudicação. Não se trata de uma obra da Junta de Freguesia, mas é uma obra que tem um apoio determinante do actual executivo da Junta que nunca poderia fazer uma candidatura a uma creche. Previamente foi criada uma Instituição Particular de Solidariedade Social e uma associação que quis avançar com o projecto. A creche vai ter 33 utentes, oito até um ano de idade, 12 de um a dois anos de idade e 15 de dois aos três anos. No futuro outras valências poderão surgir. in http://www.jornaltvs.net/noticia.asp?idEdicao=176&id=19350&idSeccao=2567&Action=noticia Quote
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