JVS Posted July 10, 2009 Report Posted July 10, 2009 A paixão pela arquitectura Café com... José Carlos Loureiro, arquitecto 2009-07-03 MANUEL VITORINO Meio século depois, o pavilhão Rosa Mota terá outras funções e o espaço envolvente recuperado. As árvores e o espírito do lugar serão mantidos. "Sou um amante das árvores", diz o projectista do Porto. Fez parte de uma geração de projectistas cujo mestre e referência intelectual foi o urbanista e pedagogo Carlos Ramos, arquitecto do modernismo português, director da ESBAP - Escola Superior de Belas Artes do Porto. Aos 84 anos, José Carlos Loureiro, arquitecto com obra espalhada pela cidade e edifícios marcantes na paisagem urbana do país, aceitou, recentemente, requalificar o pavilhão Rosa Mota, projectado e construído há meio século no Porto, precisamente no lugar onde esteve o Palácio de Cristal, ainda hoje referência afectiva na memória dos portuenses. Pois bem: 50 anos depois, o arquitecto Carlos Loureiro irá renascer o edifício de betão e dar-lhe outras valências para realizações de provas desportivas, congressos, concertos, conferências. Como existe algum ruído provocado por pessoas a falar daquilo que não sabem, o arquitecto afastou suspeitas e avisou: "As árvores ficarão no seu lugar de sempre, a paisagem envolvente será respeitada e mantida". Tem obras únicas na cidade, o Edifício Parnaso, o conjunto habitacional do antigo campo do Luso, o Hotel D. Henrique, a agência do BBI, no Infante. O que significa este regresso ao Rosa Mota? Emoção, entusiasmo. Já não será o entusiasmo dos 26 ou 27 anos, mas será, seguramente, a mesma paixão pela arquitectura. É também um desafio, um projecto complexo transformar radicalmen-te a função do edifício de abóboda gigante... É verdade, mas será um desafio estimulante transformar o pavilhão actual num multiusos com grande flexibilidade de funções e valências. O renovado Rosa Mota terá capacidade para acolher 5700 pessoas e simultaneamente, decorrerem provas desportivas, concertos, festas, representações de teatro, um sem número de eventos. O Norte precisa de um grande centro de congressos. O Rosa Mota está em vias de classificação como imóvel de interesse público pelo IPPAR e resistiu ao tempo. Com as tecnologias actuais o panorama da arquitectura não podia ser melhor? Dentro das tecnologias disponíveis, penso que existem boas construções. Mas as tecnologias do passado foram extraordinárias e mais duráveis. Temos pontes romanas com mais de mil anos de história, enquanto as pontes de betão têm de ter reparações constantes e manutenção cuidada. A sua proposta prevê o tratamento acústico e instalação de um sistema de obscurecimento no interior. E quanto aos jardins, o lago, as árvores? Tudo será preservado. Quem conhece a obra realizada por mim sabe do grande respeito que tenho pelas árvores. Veja a urbanização do Lima 5, onde plantei as árvores actuais, o edifício Parnaso tem várias espécies, a minha casa de aldeia tem 150 árvores e em Vimioso 10 mil. Sou um amante das árvores. Não há lugar a receios. Conheceu os mestres Viana de Lima e Fernando Távora. Que memórias guarda? Viana de Lima foi o grande arquitecto e figura de referência na arquitectura e urbanismo. O Fernando Távora foi um grande amigo, fomos companheiros na antiga ESBAP. E que lições preserva do professor Carlos Ramos? Um homem de grande verticalidade e dedicado à sua escola de sempre, a ESBAP. Para lhe dar um pequeno exemplo da minha ligação ao mestre, bastará dizer que, durante sete anos, trabalhei gratuitamente por amor à arte e respeito pelo professor Carlos Ramos. in http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1290864 Quote
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