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Aniversário da Fundação de Vila Real de Santo António

VRSA: Tecnologia de ponta e traços pombalinos na "casa nova"

13-05-2009 19:12:00

A Casa da Câmara de Vila Real de Santo António recupera as características pombalinas e entra em funcionamento com um forte investimento nas novas tecnologias.

Um sistema informático totalmente renovado e medidas de segurança que incluem controlo biométrico, vídeo-vigilância e cartões de acesso são alguns dos aspectos que sobressaem no novo edifício da Câmara Municipal vila-realense, inaugurado hoje com as presenças do Secretário de Estado Adjunto e da Administração Local, Eduardo Cabrita, e do Bispo do Algarve, Manuel Quintas, entre outras personalidades.

O projecto de arquitectura, assinado por Walter Rossa, recupera as características pombalinas presentes no edifício original, do tempo do Marquês de Pombal, fundador da Vila Real Real de Santo António.

As opções a adoptar para o edifício surgem de muita pesquisa e do contacto com a população, explica o arquitecto, que comenta com um sorriso as críticas que lhe chegaram ao longo de todo o processo.

“Quando um edifício é indiferente a toda a gente, é porque não traz nada de novo, é porque não mexe com as pessoas”, afirma.

Walter Rossa defende que as pessoas têm sempre reacções à mudança e, comenta o exemplo dos funcionários da autarquia.

“Tem sido difícil, por exemplo, distribuir os funcionários da Câmara, porque é a questão da hierarquia, e porque fica ao sol, e porque fica à sombra, e porque fica sem janela. É uma reacção à mudança. Essas mesmas pessoas funcionavam neste edifício que metia água, era frio, tinha humidade, não tinha condições nenhumas de trabalho. Depois mudaram para o outro, têm estado a trabalhar às escuras, sem ventilação”.

“Só espero é que as pessoas consigam ser felizes aqui dentro”, acrescenta.

Águas-furtadas foram exigência da população

A inclusão de um relógio no exterior do edifício e a construção de águas-furtadas foram dois aspectos solicitados pela população local.

“As águas furtadas eram uma opção que nós não tínhamos no projecto, por uma razão muito simples: porque é um edifício público, somos obrigados a ter três metros de pé-direito livre, como nós tínhamos a altura limite dos edifícios pombalinos, três mais três, seis, com a espessura da laje, estávamos completamente ‘pele’. Não queríamos pôr águas-furtadas porque não servem para nada”, explica Walter Rossa.

A decisão de incluir este aspecto arquitectónico surgiu numa reunião da Assembleia Municipal.

“A população, numa Assembleia Municipal, deixou bem claro que queria as águas-furtadas, com um argumento definitivo: se o edifício é emblemático daquilo que pode ser uma recuperação da cidade, se você não puser lá as águas-furtadas mais ninguém as faz”. Walter Rossa achou que o argumento era suficientemente forte e avançou.

Outro aspecto para o qual a participação popular também foi uma mais-valia prende-se com a reposição da fachada.

Já o átrio “é uma espécie conjugação entre o antigo, o novo, do que cá estava do edifício anterior e também a própria simbologia que têm as Casas de Câmara, que sempre tiveram uma tendência para ter uma escada central. Esta, a anterior tinha, a pombalina não tinha. E, portanto, há ali uma conjugação destas tradições todas”, refere.

Edifício com interior “móvel”

Uma das características do edifício é a possibilidade de poder ver o interior alterado sem ser necessário partir paredes, uma vez que as divisórias são amovíveis.

“O edifício, provavelmente, daqui a cinco, seis ou dez anos, alguém acha que já está na altura de mudar e é uma questão de mudar o mobiliário com pequenas adaptações. O edifício tem essa mabealidade, são grandes espaços”, diz o arquitecto.

Quanto a um à capacidade da construção resistir à passagem do tempo, Walter Rossa está convicto que a estrutura é “resistente a todos os níveis e é um edifício para durar largas décadas”.

“Eu acho que não será a condição física a ditar a sua caducidade mas, eventualmente a sua própria utilização. O que eu espero, sinceramente, é que quem venha a intervir nele mantenha aquilo que nós tentámos recuperar, que foi a volumetria pombalina, a imagem pombalina no que diz respeito à praça, porque isso é essencial. Agora as transformações são normais”, acrescenta.

Segundo Walter Rossa, com a obra da Casa da Câmara e com o plano de salvaguarda do património de Vila Real de Santo António, a cidade “tem condições para poder, aqui a alguns anos, candidatar com sucesso a Património da Humanidade”.

Os serviços camarários entram em funcionamento no novo espaço amanhã. A Assembleia Municipal vai continuar a funcionar nas condições actuais mas, está prevista a sua transição para o antigo edifício da Alfandega, para o qual estão projectadas obras de recuperação e requalificação.


Inês Correia

in http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=29341

  • 4 weeks later...
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Walter Rossa: «Não tenho medo das críticas porque aprendi muito com a população»


Filipe Antunes


Walter Rossa


Sem medo do confronto popular, Walter Rossa deu novo rosto à Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e procurou repor as características essenciais que o edifício continha na primeira década do século XX.


Entre um compromisso com o passado e uma estrutura tecnológica invejável, o arquitecto resume as motivações de dois anos de trabalho e explica como conseguiu colocar a população a falar sobre urbanismo.


barlavento (:D - O antigo edifício da Casa da Câmara durou um século. Qual será o prazo de validade desta nova versão?


Walter Rossa (WR) - É um edifício para durar largas décadas e não será provavelmente a condição física a ditar a sua caducidade, mas a sua própria utilização, até porque as transformações são normais ao longo do tempo.
Espero que quem vier a intervir nele, mais cedo ou mais tarde, mantenha o essencial que tentámos recuperar, como foram os casos da volumetria e da imagem pombalina no que diz respeito à praça.


b - O que aqui foi feito em pleno século XXI foi uma intervenção sobre uma intervenção. Será ainda possível uma terceira intervenção?


WR - Claro que é possível! Nós passamos a vida a alterar as obras dos nossos colegas, principalmente quem trabalha em património. Aqui [em Vila Real] recuperámos o projecto [original] do Reinaldo Manuel e não o do colega que teve menos respeito e fez a intervenção [adulterada] de 1908. Mas não creio que este edifício se vá manter sempre igual.
Ainda [a versão de 2009] não tinha sido alterada e já tinha uma colega a fazer uma intervenção ao nível da decoração dos espaços de atendimento, que, quanto a mim, os desqualificou.


b - Teve medo de partir para tamanhas alterações, sobretudo no exterior?


WR - Tive receio até ter convicção. Isto é, havia um quadro teórico, do ponto de vista conceptual, acerca do que é Vila Real de Santo António. O edifício individualizado tem apenas um interesse relativo, mas nada que justifique o grande investimento que se faz.
O importante aqui era o todo da cidade e do conjunto. No fundo, estou a restaurar um dos lados da praça. A partir desse pressuposto, foram discutidas as opções que nos lembrámos e que nos lembraram.


b - Mas, apesar disso, houve bastantes críticas ao projecto por si desenhado…


WR - Não tenho medo das críticas, porque aprendi muito com a população acerca deste edifício. Conto muito esta história aos meus alunos, sobre o que é um processo participado e como as coisas devem ser conduzidas.
Quando um edifício é indiferente a toda a gente, é porque não traz nada de novo nem mexe com as pessoas. Mas entendo que haja sempre uma resistência à mudança.


b - Foi então importante essa participação da população para as opções que tomou?


WR - Há um conjunto de opções que foram claramente assumidas pela população. As águas furtadas eram, por exemplo, algo que não tínhamos no projecto.
Por um lado, porque não servem para nada; por outro, porque, como se trata de um edifício público, somos obrigados a ter três metros de pé direito, o que iria levantar questões em relação à volumetria pombalina.
A mim custa-me ver um espaço que não tem funcionalidade, já que não havia hipótese de lhes dar utilidade. Mas a população, numa Assembleia Municipal, deixou muito claro que queria as águas furtadas.
O argumento – que resolvi aceitar – era que o edifício era emblemático do ponto de vista da recuperação da cidade. Depois, disseram-me que se eu não as colocasse lá, nunca mais ninguém as faria [em futuras acções de restauro].


b - Qual é o seu espaço favorito neste edifício?


WR - Costumo dizer que, na arquitectura, os espaços mais importantes são os que não servem para nada, como os halls ou os corredores, que visam sobretudo a distribuição. É como nas cidades, as praças.
Por isso, neste edifício, o espaço que eu acho mais interessante – além do átrio, que é uma espécie de conjugação entre o antigo e o novo e uma reposição do que estava no edifício anterior – é a galeria exterior superior. Por estranho que pareça, sou arquitecto, mas gosto de espaços ao ar livre.
Depois, o espaço desta galeria superior ocupa o logradouro do antigo mercado pombalino e, por isso, será um espaço de descompressão que ajuda a refrescar o edifício.


b - Mas procurou que o espaço do antigo mercado voltasse a ser um local de visitação pública?


WR - Sempre quisemos que o mercado voltasse a ser mercado, neste caso, o mercado dos serviços ao município.


b - Passámos então a ter um edifício que distingue as áreas de gestão das áreas de atendimento, que passaram a estar localizadas na parte posterior?


WR - Uma coisa é o público que vem tratar de um assunto rotineiro e que tem um atendimento público de balcão, quase sem passar por filtros.
A outra parte do edifício trata-se de uma área de gestão [política] e de acesso relativamente restrito.


b - Este edifício é fundamental para cimentar as bases do Plano de Salvaguarda do Núcleo Pombalino?


WR - Eu sou o autor do Plano de Salvaguarda, do projecto deste edifício e de mais uma ou duas coisas que podem ou não ser feitas.
A Sociedade de Reabilitação Urbana é que tem que implementar o plano; a mim compete-me ir dando opiniões e ir discutindo as opiniões dos outros.


b - Mas é um exemplo?


WR - É, pelo menos, um sinal muito forte que é dado à comunidade, ao país e à população de que a Câmara Municipal está neste registo de ir requalificando e investindo no património. Agora, tudo está no domínio das opções políticas.


28 de Maio de 2009 | 14:31
Filipe Antunes


in http://barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=33334&tnid=3

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