JVS Posted April 11, 2009 Report Posted April 11, 2009 Duas soluções para o mesmo problema Como um arquitecto de há cem anos e os seus colegas actuais procuraram soluções para adequar os edifícios que projectaram ao aproveitamento da luz solar e da ventilação natural. Com o advento das energias fósseis os modos de habitar foram sendo modificados paulatinamente. No passado os edifícios eram pensados para se comportarem dentro de parâmetros de conforto com um mínimo de intervenção mecânica.Edifícios de terra, adobe ou tabique permitiam a manutenção de uma humidade interior à volta dos 50% e uma temperatura constante entre os 18 e os 25 graus centígrados. A grande inércia proporcionada pelos materiais guardava a energia captada do sol para a distribuir durante o período nocturno pela habitação. Dois exemplos construídos em Lisboa, um antigo outro contemporâneo vão permitir-nos perceber melhor a dinâmica subjacente à arquitectura bioclimática. Vila Berta Em pleno bairro da Graça, em Lisboa, afastado da zona central está este bairro concebido pelo arquitecto Diamantino do Tojal em 1902. À primeira vista nada anuncia as suas características bioclimáticas, mas elas são diversas. O R/C foi deixado para garagens e armazéns, coroados por jardins e árvores de sombra. A humidade libertada pelas plantas permite baixar a temperatura no verão e subir no inverno. As varandas de grandes dimensões, para além de proporcionarem sombra, são óptimos painéis de evaporação quando molhados. Estas diferenças térmicas vão criar correntes de ar por convecção. Leves brisas que amenizam o ambiente e permitem usufruir da paisagem do Tejo, por cima dos telhados. As janelas têm estores basculantes exteriores de forma a criar sombra e ventilar o interior ao mesmo tempo. Os beirados, mais alargados, protegem as paredes da chuva e do sol no pino do verão, obviando amplitudes térmicas extremas que danificam as superfícies por contracção e dilatação. http-~~-//aeiou.expresso.pt/users/2407/240714/171aa640.jpg Vila Berta (exposição sul) Arq. Diamantino Tojal, 1902/08, Graça Silo da Calçada do Combro Um edifício referência da dupla Appleton e Domingos. Foi pensado para minimizar o impacto que este tipo de construções tem no tecido histórico urbano. Optou pelo contraste e inovação estética da volumetria. Parece um código de barras gigante revestido a azulejo. Não foi equacionado para ser bioclimático mas acaba mesmo assim por funcionar na perfeição. Vãos de alto abaixo, dão-lhe um ar impessoal e permitem uma ventilação cruzada entre as paredes exteriores completamente furadas. Os furos formam desenhos abstractos que deveriam ser complementados por heras plantadas a descer ao longo das paredes."-Está tudo preparado para isso, o sistema de rega e os cabos montantes estão instalados, as plantas é que ainda não foram lá colocadas"- diz-nos a arquitecta Isabel Domingos. O edifício é composto por 11 pisos para cerca de 150 automóveis. Nos pisos superiores a ventilação e iluminação natural são suficientes, nos inferiores é necessário recorrer ao ar condicionado. O conforto dentro do edifício é agradável. A sua exposição a sul, ao longo da calçada, permite aquecer por insolação durante o dia e a inércia dos materiais de betão e paredes em azulejo, feitos propositadamente pela fábrica Viúva Lamego, dão o aquecimento para a noite. http-~~-//aeiou.expresso.pt/users/2407/240714/ce5c670a.jpg Silo automóvel da Calçada do Combro de Appleton e Domingos, o único construído de uma série aprovada no tempo de Santana Lopes http-~~-//aeiou.expresso.pt/users/2407/240714/4186b99f.jpg 1. Esquema bioclimático na fachada sul da Vila Berta; 2. Processo de ventilação transversal no silo (Archicad 10); 3. Sombreamento no verão, minimizado pela espessura entre painés verticais de ventilação (Ecotect 5.5) in http://aeiou.expresso.pt/duas-solucoes-para-o-mesmo-problema--=f507933 Quote
JVS Posted February 19, 2010 Author Report Posted February 19, 2010 A arquitectura bioclimática é a forma mais racional de construir uma habitação, mas os seus princípios são pouco aplicados nas modernas construções e habitações. Arquitectura bioclimática dá passos ainda tímidos na Região Projectar e construir um edifício considerando a envolvente climática é o objectivo da arquitectura bioclimática, um conceito que, afinal, não é nada de novo, uma vez que nasceu com as primeiras habitações construídas pelos homens. Todavia, os princípios da arquitectura bioclimática têm sido esquecidos e ignorados na construção das habitações modernas, onde a utilização do betão e das “soluções fáceis” continua a dominar, com consequências nefastas no consumo energético e na vida dos edifícios. Na Madeira, o conceito de arquitectura bioclimática dá ainda passos tímidos. Da utilização do conceito de arquitectura bioclimática advêem ganhos bastante significativos. Tanto no Inverno, como no Verão, quase não precisa de aquecer ou arrefecer as divisões de casa. Tal repercute-se na conta da electricidade e de gás, mais baixa do que em construções onde o conforto térmico não está assegurado. Tal como realçou ao JM o Eng.º Filipe Oliveira, da Agência Regional de Energia e Ambiente da Região Autónoma da Madeira (AREAM) tem um clima bastante favorável à adopção dos princípios da arquitectura bioclimática. Deste modo, salienta haverem “princípios simples que pode serem aplicados na construção das habitações, como seja fazer os sombreamento, a orientação, a ventilação natural e o aproveitamento da luz natural”. Todavia, realça que embora “estes princípios sejam do senso comum há quem aplique mal e ourtos procuram aplicar melhor”. A falta de conforto térmico nas casas resulta de problemas construtivos. Para ultrapassar o desconforto, gasta-se electricidade em excesso para aquecer ou arrefecer. Porém, as casas construídas segundo critérios bioclimáticos apresentam temperaturas que, na maior parte do ano, dispensam equipamentos de aquecimento ou arrefecimento. Assim, como acentua Filipe Oliveira, na arquitectura bioclimática, a exemplo do que foi feito na Casa Solar do Porto Santo, “podem-se utilizar entradas de ar subterrâneas em que o ar entra por debaixo da terra e arrefece e quando entra dentro de casa já fresco, o que é uma grande vantagem no Verão”. Por outro lado destaca a utilização de “janelas fingidas” ou “parede de Trombe”, em “que do lado de fora tem um vidro e por detrás da janela tem uma parede, em betão ou pedra, em que o sol passa através do vidro e aquece a parede que, depois, durante a noite vai libertando calor”. Deste modo, sublinha “existirem muitas soluções “para aquecer” ou “arrefacer” uma casa, destacando que na arquitectura solar passiva ou na arquitectura bioclimática “o motor ou a fonte de energia é o sol e o vento”. “É o vento na parte da ventilação, para fazer entrar e sair o ar, e o sol, que faz aquecer e circular o ar”. Neste âmbito destaca a importância de uma casa estar bem orientada, de modo a receber o máximo de luz solar, o que, conjugado com entradas de ar na habitação, nomeadamente pode debaixo da terra, “quanto mais sol tiver mais circulação de ar faz”. Os materiais de construção também influenciam as condições climatéricas no interior. A inércia térmica, própria dos materiais pesados, como dos tijolos maciços e da pedra, é importante em casas bioclimáticas. Com grande inércia térmica, mantêm-se mais tempo frescas durante o dia, enquanto armazenam calor, que libertam à noite. Por isso Filipe Oliveira destaca a importância da “inércia térmica” na habitação. “Se tiver isolamento térmico por fora, a massa que está por dentro vai armazenar o calor no interior, o que quer dizer que se houverem uns dias muito frios as paredes como estão quentes vão manter o calor e uniformizar a temperatura dentro de casa, o mesmo acontecendo nos dias de Leste”. Questionado sobre a razão por que os conceitos da arquitectura bioclimática não são mais vezes utilizados na construção das habitações, salienta que tal deve-se ao facto de que “obriga o arquitecto a pensar”, referindo que são sobretudo os arquitectos mais novos a valorizar estes princípios. Assim, salienta que muitos arquitectos “têm pouca sensibilidade” para a aplicação dos conceitos da arquitectura bioclimática. “Preocupam-se com o interior, com a distribuição de espaços, com a ocupação do lote - embora muitas vezes o terreno seja um factor limitativo - e porque sempre fizeram assim têm mais tendência a fazer de forma idêntica. Quando o projecto é ditado pelos promotores imobiliários a construção segue o princípio do mais barato, embora algumas destas soluções da arquitectura bioclimática não sejam as mais caras”, sublinha. Embora reconheça que hoje em dia a legislação obrigue à utilização de técnicas que conduzem a uma melhor eficiência energética dos edifícios, Filipe Oliveira realça que um edifício que utilize as soluções da arquitectura bioclimática “tem um bom desempenho energético, embora o que é exigido não leva a que haja uma generalização do bioclimático”. Considerando um cenário de consumo de 12.500 kWh/ano, correspondente a um gasto de electricidade de cerca de € 65 mensais e de € 35 de gás, a redução em 80% da fatia do aquecimento significa uma poupança anual superior a 250 euros. Como conseguir um maior conforto térmico Uma construção atenta aos pormenores Técnicas de construção. Para perceber como aplicar algumas técnicas na sua casa, de modo a conseguir um maior conforto térmico, pode recorrer às agências de energia, municipais ou regionais. A ADENE (www.adene.pt) ou AREAM (www.aream.pt) tem informação sobre o Sistema de Certificação dos Edifícios e os novos regulamentos. A orientação das fachadas da casa a Sul é favorável, no Inverno ou Verão, desde que com sistemas de sombreamento a proteger do sol directo. Numa sala de 30 m², por exemplo, as necessidades de arrefecimento podem aumentar em 1 kW, se a sala for orientada a Oeste, em vez de a Sul. O isolamento térmico das paredes simples previne fugas de calor entre o interior e o exterior da habitação. O mesmo deve ser colocado no exterior, revestindo paredes e vigas e evitando as pontes térmicas. Uma parede simples isolada pelo exterior evita até 50% das perdas de calor. Os vidros duplos protegem do calor e do frio. Têm duas camadas de vidro, separadas por uma câmara de gás inerte, de maior efeito isolante. As perdas de calor para o exterior reduzem-se em 45% com uma janela de vidro duplo e caixilharia isolante. A chamada Parede de Trombe é constituída por um vidro exterior orientado a Sul, uma caixa-de-ar e uma parede de grande inércia térmica (de tijolo maciço, por exemplo). Estas paredes acumulam o calor do Sol durante o dia, transmitindo-o para o interior durante a noite. A técnica de arrefecimento pelo solo permite refrigerar as divisões, fazendo passar ar do exterior por tubos enterrados, onde arrefece, sendo depois libertado na casa. No Inverno, o mesmo sistema permite pré-aquecer o ar. A água pode ser usada para arrefecer o ar. Caso haja espaço disponível em frente à habitação, é possível criar espelhos de água. A evaporação da água dá-se junto às paredes exteriores da casa, diminuindo a temperatura do ar em seu redor. As palas, ou varandas, por cima das janelas ajudam, durante o Verão, a quebrar a incidência directa do Sol. As janelas basculantes permitem, com o estore parcialmente fechado, arejar a casa. Por sua vez, as janelas pequenas evitam o arrefecimento excessivo das casas viradas a Norte. A forma do edifício influencia as perdas e os ganhos de calor entre o interior e o exterior. Quanto mais compacto for o edifício, menor serão as perdas energéticas. Além disso, uma casa baixa está menos exposta ao vento. O uso de vegetação, de preferência a Este e a Oeste, evita a entrada de radiação solar directa através das janelas e protege as paredes exteriores do excesso de calor. A vegetação também protege do vento e oxigena o ar. A utilização de painéis solares fotovoltaicos permite converter a energia solar em eléctrica, enquanto os colectores solares têm a vantagem de usá-la para aquecer água. A instalação destes sistemas leva à redução do consumo de energia eléctrica. Legislação não ajuda à aplicação dos princípios da arquitectura bioclimática «As pessoas estão pouco esclarecidas» Ara Rodrigo de Castro é um jovem arquitecto que procura aplicar na construção de casas e edifícios os princípios da arquitectura bioclimática, reconhecendo no entanto que os obstáculos são vários. Salienta que esta arquitectura “sempre se fez, desde o que o homem surgiu no planeta, pois desde o Pólo Norte ao Pólo Sul todas as habitações eram feitas consoante o clima e o local, utilizando os materias disponíveis nesse local, o que fazia com que as casas se tornassem quentes do Inverno e frescas no Verão”. Todavia, realça que “com a Revolução Industrial e com o paradigma da Escola Bauhaus, com a construção em betão, tudo foi destruído, passando-se a construir rapidamente”. Deste modo, Rodrigo de Castro destaca que “as casas de pedra antiga madeirenses” eram feitas com os princípios da arquitectura bioclimáticas, ou seja, “viradas a sul, com as paredes com uma determinada espessura e com as aberturas correctas, o que fazia com que o sol aquecesse a casa durante o dia e o calor fosse libertado no interior da casa durante a noite, aquecendo a casa”. Portando, acentua que o objectivo da arquitectura bioclimática “é projectar consoante a natureza do próprio local e do clima e com os materiais do local”. Deste modo, este jovem arquitecto considera que “pouco se fez em Portugal no âmbito da arquitectura bioclimática”, realçando que a maioria das “pessoas estão pouco esclarecidas e elucidades”, destacando que “muitas vezes o papel do arquitecto é desvalorizado em favor do técnico”. Assim, culpa o decreto-lei 73/73 por esta situação que permite que os engenheiros técnicos possam assinar projectos de arquitectura “deixando o papel do arquitecto um pouco à margem da sociedade”, isto a par da falta de exigência de “projectos de execução” na maior parte das construções. Rodrigo de Castro, salienta, assim, que estes factores contribuem para “que não haja um controlo da qualidade e execução dos edifícios”, o que, acentua, “contribui para por de parte os princípios da arquitectura bioclimática”. Para além de defender uma alteração da legislação, considera que será sobretudo pelo factor de “imitação” que a arquitectura bioclimática irá se impor, uma vez que se as pessoas souberem que o vizinho tem uma casa que gasta metade da energia que consomem “vão querer também ter uma habitação igual”. Augusto Soares in http://www.jornaldamadeira.pt/not2008.php?Seccao=14&id=145361⊃=0&sdata= Quote
JVS Posted February 19, 2010 Author Report Posted February 19, 2010 Casas bioclimáticas ainda não convencem portugueses por Lusa07 Fevereiro 2010 Os edifícios bioclimáticos permitem um ambiente mais confortável e gastam menos energia, sendo mais económicos, mas os portugueses ainda resistem a optar por estas casas, por falta de sensibilização e também pelo preço inicial, que pode ser mais elevado. A orientação do edifício, com as divisões mais utilizadas viradas a sul, a distribuição das áreas envidraçadas, a ventilação e a forma de utilizar os materiais são factores decisivos para obter uma casa bioclimática, ou seja, uma casa que "responde" bem às condições do clima, sem grandes necessidades energéticas. Porém, na hora de comprar um imóvel, os portugueses não questionam a eficiência energética da construção, como já fazem quando adquirem um frigorífico, por exemplo. Estão mais preocupados com o preço e a localização do novo lar. Segundo alguns técnicos do sector, as casas bioclimáticas apresentam um preço inicial mais elevado, um acréscimo recuperado a médio ou longo prazo, com a redução dos custos energéticos. Outras opiniões referem que se trata de usar os mesmos materiais, mas de forma diferente, o que não implica aumento de investimento. "A arquitectura bioclimática consiste em projectar um edifício tendo em conta a sua envolvência climatérica e as características do local" de modo a "maximizar o conforto ambiental no interior", na temperatura e humidade, mas também na acústica, luminosidade e qualidade do ar, referiu à Lusa o director técnico da consultora Carbono Verde, Pedro Carvalho. Pretende-se "ter o máximo conforto térmico com o mínimo consumo de energia", resumiu o técnico, salientando que não basta passar a habitar um edifício bioclimático, é "fundamental" que os consumidores saibam utilizá-lo, caso contrário "pode gastar-se tanto como uma casa não bioclimática". O responsável pelo sistema de avaliação de sustentabilidade LiderA, Manuel Pinheiro, defendeu que "fazer casas bioclimáticas não é mais caro do que fazer das outras", já que se trata de optar por uma forma de construção, tendo cuidado com alguns pontos, como a orientação do edifício ou o isolamento. No entanto, "tem de ser pensado no projecto". Manuel Pinheiro realçou que a construção tradicional, que atendia às condições do clima, perdeu terreno, "mas está a ser retomada, a diferentes níveis" e começa a haver no mercado procura para este tipo de casa. Em Portugal, "ainda há poucos exemplos de casas a seguir estas regras", como apontou também a técnica da DECO/Proteste Isabel Oliveira. "Não há procura, não há oferta", resumiu o director geral da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas (AECOPS), Pais Afonso. "Quando existir um verdadeiro mercado de arrendamento, teremos mais procura de edifícios racionais", defendeu Pais Afonso, realçando que esta é uma "razão específica" para a situação em Portugal, onde a preocupação face à sustentabilidade ambiental é mais recente do que em outros países europeus. in http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1489120&seccao=Biosfera Quote
sribas Posted March 9, 2010 Report Posted March 9, 2010 Não existe mercado de edificios Bioclimáticos..........isso é inexistente........porquê esta conversa acerca dos portugueses e da sua atitude para com "edificios Bioclimáticos"????? E não vai ser com a actual mentalidade RCCTE que as coisas vão melhorar. porquê? 1º Portugueses não sabem criar manuais técnicos suficientemente explicitos e legiveis que acompanhem as leis que fazem. 2º Se não o sabem fazer, que copiem quem o sabe fazer, e que já o faz há alguns anos com exito. 3º O actual RCCTE é omisso em muitos itens importantes na avaliação de um edificio, sobrevalorizando o tipo de equipamento mecanico utilizado, em detrimento de soluções passivas e de boa concepção. 4º O actual RCCTE atribui a mesma classificação a edificios de tipos diferentes (moradia = apartamento) Quote
Recommended Posts
Join the conversation
You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.