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Ricardo Vieira de Melo, presidente do Núcleo de Arquitectos de Aveiro: “Crescer para a periferia não é necessário nem vantajoso”

“O desafio é qualificar as cidades e não torná-las maiores”, refere Ricardo Vieira de Melo. O presidente do Núcleo de Arquitectos de Aveiro (NAV) diz-se “chocado” com a construção do ramal ferroviário para o porto


Qual o trabalho que o NAV desempenha?
A Ordem dos Arquitectos faz o papel principal. Nós somos uma delegação que tem competências sobretudo ao nível da divulgação cultural da arquitectura. A ideia não é só trabalhar em prol dos arquitectos, mas trazer um pouco mais de cultura arquitectónica à população em geral, porque ainda é necessário que isso aconteça. A cultura arquitectónica é uma coisa que se constrói, mas demora algum tempo.

Como se incute essa cultura no cidadão comum?
Quanto mais não seja através da máxima divulgação possível da boa prática arquitectónica. Exposições, palestras e acções de formação são alguns meios para chegar ao grande público e aos profissionais.

Acha que Aveiro tem essa cultura arquitectónica?
Às vezes tem, outras nem por isso.

Que bons exemplos de arquitectura existem na cidade?
A Universidade de Aveiro é uma referência a nível nacional e internacional. E pontualmente há outros.

Como por exemplo?
Temos dois edifícios do arquitecto Fernando Távora, dos anos 50, assim como outros do início do século passado, também associados à Arte Nova, o Teatro Avenida, que não está tão acarinhado quanto poderia estar…

É difícil apontar bons exemplos de construções actuais?
É mais difícil porque a classificação sobre a qualidade de um edifício não é uma coisa que se consiga de imediato; é preciso dar algum tempo para se perceber como foi assimilado pela cidade, se se comporta bem perante o espaço… É mais seguro fazer essa identificação em edifícios que tenham já algum tempo de maturação.

Disse que o Teatro Avenida não está tão acarinhado quanto poderia estar. O que deveria ser feito nesse edifício?
É sempre difícil falar nesse tipo de situações, porque são edifícios que estão entregues aos privados. Não podemos transformar todos estes edifícios em museus, isso é incomportável para qualquer autarquia, mas algumas parcerias público-privadas poderiam eventualmente servir para a sua revitalização. Há de vez em quando a tendência – e refiro-me ao país – de imaginar a construção de edifícios novos a partir do momento em que uma necessidade é identificada. Às vezes essa necessidade é facilmente solucionada pela reconversão de um edifício existente, o que traz vantagens se for bem executada, desde logo a localização, porque são edifícios centrais. Isso contribui para a revitalização dos centros das cidades, que é urgente fazer.


http://www.diarioaveiro.pt/main.php?srvacr=pages_13&mode=public&template=frontoffice&layout=layout&id_page=6106

margarida duarte

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