JVS Posted February 27, 2009 Report Posted February 27, 2009 Entrevista a João Mendes Ribeiro “Não podemos pensar apenas em edifícios” O arquitecto João Mendes Ribeiro, cuja exposição “Arquitecturas em palco” está de passagem por Coimbra, defende que na arquitectura «é muitíssimo importante investir no espaço público», não esquecendo as pessoas. O vencedor da medalha de ouro na Quadrienal de Praga acredita que a criação de um pólo cultural na zona do Pátio da Inquisição «está a ser uma realidade», mas «o caminho tem sido muito lento»Está intimamente ligado ao projecto da Escola da Noite e é autor de algumas das mais emblemáticas cenografias do percurso da companhia. Como encara a relação entre a arquitectura e o teatro?A arquitectura e o teatro são duas disciplinas distintas, mas existem pontos de ligação. Ambas trabalham com o espaço. A cenografia estuda como fazer uma casa para actores. Trabalhamos com os actores e tentamos organizar o espaço em palco que sirva a intenção dos intérpretes. E a ideia de organização de espaço a partir de uma ideia de uso é também comum na arquitectura.O Teatro da Cerca de S. Bernardo acolhe, até 28 de Fevereiro, a exposição de cenografia “Arquitecturas em Palco”, vencedora da medalha de ouro na Quadrienal de Praga, o mais importante prémio mundial na área da cenografia. O que notabilizou este seu projecto?Tem a ver com a autonomia dos objectos, o fascínio da possibilidade de uma máquina cénica que está relacionada com a possibilidade de criação que existe no teatro. É a importância do “encenamento”, o objecto multifacetado, que se desdobra e que precisa da acção dos actores. Mas, às vezes, o objecto cénico pode ser também um género de actor do próprio espectá**lo.Estamos a falar de uma grande capacidade de partilha real, com um género de palco dentro do palco. Sim. Outra característica do meu trabalho é a ideia do uso dos materiais: objectos verdadeiros, reais, que se auto-estruturam e podem deslocar-se para outros lugares que não o palco. Ganham uma medida para a sua presença através dos intérpretes. É a ideia de geometria e estrutura de espaço, que é o arquitectónico. Nunca consegui coreografar os materiais: se é uma pedra é uma pedra, não a vou fazer de esferovite. O projecto de requalificação da zona do Pátio da Inquisição tem 12 anos, data de 1997. A ideia passava por criar um pólo cultural nesta zona da cidade. Existem actualmente dois equipamentos de peso: o CAV e o Teatro da Cerca de S. Bernardo, mas o projecto está longe de estar completo. O pólo cultural está a ser uma realidade, é um caminho muito lento, mas alguma coisa mudou. Penso que era possível abrir mais lugares, criar outra dinâmica e espaços culturais complementares a esses dois núcleos. Na altura falou-se de criar uma galeria de arte e um café-concerto. A nível de enquadramento, acho completamente necessário recuperar a ala nascente do Colégio das Artes, porque tem uma relação muito forte com o Pátio da Inquisição. O projecto inicial incluía também uma ligação à Rua da Sofia, completamente necessária de forma a ter estes interiores de quarteirão próximos da cidade, em arti**lação com o espaço público.Não é a primeira vez que fala na importância do espaço público.É muitíssimo importante investir no espaço público. Nós, arquitectos, não podemos pensar apenas em edifícios. É uma ambição requalificar o espaço público e edifícios antigos, mas para abrir a cidade e criar espaços de qualidade para as pessoas.O projecto do pólo cultural é viável do ponto de vista arquitectónico. Então para o completar falta um empurrão de quem? Da autarquia?Sim, a iniciativa deve partir da Câmara Municipal de Coimbra.A nível de desenvolvimento arquitectónico como está a cidade de Coimbra quando comparada a outras capitais de distrito?Há edifícios e espaços públicos com alguma qualidade. Por exemplo, o Pavilhão de Portugal de Álvaro Siza Vieira e as margens do rio são espaços de qualidade. A Universidade de Coimbra também tem desenvolvido alguns projectos de grande qualidade, quer no Pólo II, quer no Pólo III. A Ponte Pedro e Inês é outro belo trabalho. E ainda há expectativas em relação a novos projectos. Ainda há muitas coisas a fazer. in http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=810&Itemid=135 Quote
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