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Museu judaico está em fase de "estudo"

2008-12-27

TELMA ROQUE

A Comunidade Israelita de Lisboa está a "estudar" a possibilidade de instalação de um museu judaico em Alfama, num espaço cedido pela Câmara, mas o projecto poderá não avançar a breve prazo. Em causa estão os elevados custos da obra.

Há pouco mais de uma semana, António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, anunciou, na cerimónia de apresentação do Plano de Actividades para 2009, que a autarquia tinha adquirido um imóvel em Alfama, para que aí pudesse ser instalado um museu judaico, um sonho há muito acalentado pela Comunidade Israelita de Lisboa. Contudo, os custos e a actual conjuntura económica podem adiar a realização da obra.

"Ainda nada está decidido. É uma obra que envolve custos. A Comunidade há muito que gostaria de ter um museu, mas é prematuro falar sobre o assunto. A situação (económica) não é favorável", frisou ao JN Esther Mucznik, responsável da Comunidade Israelita de Lisboa.

O espólio, muito rico em quantidade e variedade, garante Esther Mucznik, está catalogado e guardado em diversos locais. Em 2003, foram feitas obras profundas de restauro na Sinagoga Shaaré Tikvá, mas foi posta de parte o projecto de construir um núcleo museológico na traseira lateral do templo devido à exiguidade que o espaço oferecia.

Já na altura Esther Mucznik sublinhava que construir um museu no templo centenário daria apenas a possibilidade de contar a história dos últimos 200 anos da presença judaica em Portugal. A Comunidade pretende ir mais longe e quer exibir espólio que mostre mil anos de história.

Será um museu que percorrerá as origens, a longa batalha pelo seu reconhecimento, o trabalho em prol dos refugiados da Segunda Guerra Mundial, a vivência religiosa e histórias individuais de homens, mulheres e rabinos.

A centenária sinagoga Shaaré Tikvá (Portas de Esperança), situada na Rua Alexandre Herculano, ao Rato, está classificada como Imóvel de Interesse Público e foi a primeira Sinagoga construída de raiz em Portugal. Foi inaugurada em 1904, segundo um projecto do conceituado arquitecto Miguel Ventura Terra, com o apoio de Joaquim Bensaúde, historiador e presidente honorário da Comunidade Israelita de Lisboa. A construção da sinagoga teve que incluir um muro exterior, para que o templo, não católico, não pudesse ser visto a partir da via pública.

in http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Lisboa&Option=Interior&content_id=1063777

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