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Materiais tradicionais em desuso nas habitações do Baixo Guadiana


Livro «Baixo Guadiana: materiais e técnicas de construção», da Odiana

Para não deixar escapar as memórias de uma parede de pedra, de um telhado de cana ou de um muro de cal, a Associação para o Desenvolvimento do Baixo Guadiana (Odiana) acaba de editar o livro «Baixo Guadiana: materiais e técnicas de construção».

A publicação resultou de um trabalho exaustivo que implicou um levantamento da arquitectura tradicional existente nos concelhos de Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António, onde foram apuradas técnicas remotas e identificados materiais que hoje já estão fora dos apartamentos ou moradias.

Em declarações ao «barlavento», o coordenador técnico do livro Paulo Quitério explicou que o trabalho pretende «afirmar a identidade de base das técnicas da arquitectura algarvia», o suficiente para que, dentro de uma década, «as pessoas possam ainda ter alguma memória da arquitectura tradicional».

Segundo o arquitecto, durante o levantamento que fez para a publicação – que durou um mês e meio e implicou a visita a dezenas de aldeias e montes – foi possível encontrar muito património em estado de degradação ou mesmo montes que se encontram sem qualquer habitante.

Isto porque muito do património popular não está sequer sujeito a regras de protecção, sendo ilustrados na obra exemplos de ruína ou má conservação de materiais antigos.

Embora com variantes no território do Baixo Guadiana, o coordenador da publicação avalia que as novas vias de comunicação têm trazido mais pessoas ao interior, embora note uma progressiva descaracterização do património nas localidades paralelas aos principais eixos rodoviários.

«Antes não havia estradas e as pessoas eram obrigadas a utilizar os materiais da região. Agora é possível trazer materiais de qualquer ponto do país, o que muitas vezes resulta em intervenções que não correspondem à realidade ou procuram imitar o tradicional», diz Paulo Quitério.

Segundo é avançado na publicação, depois das vagas migratórias dos anos 60, o regresso de muitos habitantes ao território do Nordeste, a que se juntou «o conhecimento de novas técnicas de construção e mesmo uma sede de mudança», foram igualmente responsáveis pela colocação dos materiais tradicionais em segundo plano.

Apesar disso, o arquitecto entende que a maioria dos imóveis de interesse histórico presentes na zona do Baixo Guadiana estão recuperados e aponta como exemplos as ruínas do Montinho das Laranjeiras ou o castelo de Alcoutim.

O livro «Baixo Guadiana: materiais e técnicas de construção» foi editado ao abrigo do programa comunitário Rural Med II e a edição é bilingue (Português e Francês). A obra pode ser encontrada na sede da Odiana ou nas bibliotecas municipais.

O projecto contempla também uma vertente educativa, ao pretender levar o tema do património às escolas. A pensar nisso, foram desenvolvidos um caderno de desenhos (para crianças dos 6 aos 10 anos) e um jogo didáctico.

29 de Outubro de 2008 | 09:03
Filipe Antunes

in http://barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=27924&tnid=5

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