JVS Posted August 19, 2008 Report Posted August 19, 2008 http-~~-//arnaldomadureira.blogs.sapo.pt/arquivo/ConstantinoNery.jpg SECÇÃO: Sociedade Cine-teatro Constantino Nery A casa da cultura Inauguração agendada para 15 de Novembro. Cinco milhões de euros de investimento. 15 de Novembro é o dia em que o Cine-teatro Constantino Nery reabre ao público, colocando um ponto final a décadas de degradação e abandono. “Nesse dia, a cidade estará em festa”, garante o presidente da Câmara Municipal de Matosinhos (CMM). Na passada quinta-feira foi apresentada, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, a programação para o próximo ano. O orçamento é de um milhão de euros. Os preços dos bilhetes ainda estão a ser estudados, mas Guilherme Pinto assegura que serão acessíveis a vários tipos de públicos. O investimento global na obra atinge os cinco milhões de euros. Um verba que o autarca espera ver rentabilizada com as receitas dos espectáculos. A programação é muito variada: música, teatro, dança, poesia, conferências, workshops, ateliers, cinema e novo circo. O Cine-teatro Constantino Nery estará aberto durante todo o ano, das 10h00 às 24h00, encerrando apenas às segundas-feiras. Segundo Guilherme Pinto, a programação assenta na irreverência e criatividade, proporcionando momentos de reflexão e relaxamento. Depois da cidade de Matosinhos ser conhecida como a “sala de jantar” do Grande Porto, o edil pretende que o Cine-teatro Constantino Nery seja “um sofá energizador”, “o principal embaixador em termos culturais”, ultrapassando as fronteiras físicas do concelho. O Vereador da Cultura da CMM, Fernando Rocha, acrescentou que “a programação foi feita com algum cuidado, foi contida, porque os tempos assim o obrigam”. No entanto, ressalvou que “não vai haver lugar à facilidade e à mediocridade”: “A programação foi feita a pensar nos diferentes tipos de público. Achamos que esta programação irá afirmar Matosinhos no panorama da cultura a norte e, em alguns capítulos, a nível nacional. Foi um processo difícil, demorado, mas a persistência tem sempre vencido o descrédito”. De acordo com a directora artística do Cine-teatro Constantino Nery, Luísa Pinto, “a grande preocupação foi o projecto educativo para captar novos públicos”, trabalhando, para o efeito, em estreita colaboração com os professores do ensino secundário. “O Constantino Nery deveria chamar-se Hoje Acontece. Todos os dias acontece alguma coisa, com excepção da segunda-feira. É uma casa virada para o mundo. Não pode ser um teatro de bairro. Vamos estar atentos ao que se passa lá fora para trazermos outros espectáculos a Matosinhos”, frisou Luísa Pinto. Além da programação, será instituído o Prémio Constantino Nery, que visa distinguir uma obra inédita de um autor da lusofonia. Teatro O leque é muito variado: teatro clássico, contemporâneo, alternativo, produção própria, co-produção e acolhimento. O Cine-teatro Constantino Nery participará no Festival de Teatro Lusófono e no Fitei e promoverá um Encontro de Teatro Amador. Artelier, Balleteatro, Academia Contemporânea do Espectáculo, Escola de Mulheres, Teatro do Bolhão e Teatro de Marionetas do Porto são as companhias de teatro que virão a Matosinhos apresentar os seus espectáculos. O Festival Lusófono contará com a exibição de peças de teatro do Brasil, Moçambique, Angola, Portugal e Cabo Verde. A Companhia Teatro Reactor estreará o espectáculo “Memórias Póstumas de Brás Cuba”. Luísa Pinto será a encenadora da peça “Janis Joplin”, uma produção da CMM/ Cine-teatro Constantino Nery, da autoria de Filipe Pinto e Pedro Pinto, com direcção musical de Carlos Tê. No que diz respeito ao projecto educativo, estão previstos cursos, oficinas temáticas, ensaios abertos ao público, oficinas de expressão dramática, visitas guiadas e conversas com os criadores. Música Para a inauguração do Cine-teatro Constantino Nery foi encomendada uma produção inteiramente nova à Orquestra Jazz de Matosinhos, que contará com três dos mais importantes saxonistas/improvisadores. São eles: Chris Cheek, Joshua Redman e Mark Tuner. Ao longo de toda a temporada de 2009 haverá uma programação contínua de música clássica, jazz e alternativa. Estão previstos ciclos de concertos com a Orquestra Jazz Matosinhos e conferências coordenadas por Manuel Jorge Veloso. Ainda no jazz, estão prometidos os concertos da portuguesa Maria João e do cabo-verdiano Mário Lúcio. Cinema A programação contínua de ciclos de Cinema Independente inclui sessões dedicadas a temáticas como o Natal, Carnaval, o Cinema em Viagem, Festa do Mar, Laços de Família, Máscaras, Migrações, Clássicos do Cinema, Cidades, Juventude Inquieta, Música e Cinema, Cenas da Vida Conjugal. Haverá ainda workshops de cinema, um encontro de cinema lusófono e ibero-americano e uma extensão do Festival Indie Lisboa em 2009. Dança Além de uma programação contínua de Dança Contemporânea, haverá workshops de dança. Clara Andermatt, Balleteatro- Né Barros e Olga Roriz são as companhias cujos trabalhos marcarão presença em Matosinhos. Café Concerto Estará aberto até às duas da manhã durante a semana e, aos fins-de-semana, até às quatro. Estão previstas noites de poesia, festas temáticas, pequenos concertos, tertúlias, artes performativas, mostra de documentários, entre outras propostas. Obras O Cine-teatro Constantino Nery foi inaugurado a 10 de Junho de 1906, na Avenida Serpa Pinto. Os anos 50 e 60 foram o seu período áureo, com a exibição dos grandes êxitos do cinema italiano e os westerns americanos. No final da década de 70, o Constantino Nery começou a entrar numa fase de decadência com a abertura de salas cinemas do Porto, acabando por encerrar as portas já na década de 80. A CMM adquiriu o espaço em 2001 por mais de 350 mil euros. O arquitecto Alexandre Alves Costa foi o autor do projecto de recuperação que venceu o concurso público internacional. Do antigo edifício apenas se mantém a fachada e a volumetria. O piso inferior terá uma pequena sala polivalente para conferências, exposições e pequenos concertos. No piso superior haverá uma sala de espectáculos com 240 cadeiras de plateia amovíveis. A cobertura do Cine-teatro Constantino Nery será em cobre. Haverá uma torre com 14 metros de altura que terá uma luz que funcionará como uma espécie de farol. A empreitada representa um investimento de três milhões e 500 mil euros, sendo que um milhão e 755 mil euros foram financiados pelo Programa Operacional da Cultura. Por: Dulce Salvador in http://www.matosinhoshoje.com/index.asp?idEdicao=374&id=18782&idSeccao=2972&Action=noticia Quote
JVS Posted November 12, 2008 Author Report Posted November 12, 2008 Vereador da Cultura da Câmara fala sobre a obra Venham mais 100 anos! O Cine-teatro Constantino Nery foi inaugurado a 10 de Junho de 1906. Com o tempo, o espaço entrou em decadência e acabou por fechar já na década de 80. A autarquia adquiriu o imóvel em 2001 e transformou-o num edifício renovado, seguindo o projecto do arquitecto Alexandre Alves Costa. O resultado está à vista. Fernando Rocha acompanhou o processo de recuperação do centenário Cine-teatro Constantino Nery do primeiro ao último dia. Satisfeito com a obra, o vereador da Cultura garante que não haverá espaço à “mediocridade”, apostando na qualidade dos espectáculos. Matosinhos Hoje- O projecto de intervenção no Cine-teatro Constantino Nery manteve apenas a fachada? O interior do edifício foi totalmente remodelado? Fernando Rocha- Sim, mas isso estava previsto já no caderno de encargos. A única referência que tínhamos era a manutenção da fachada. Apareceram vários projectos e, na altura, achamos que este seria o mais interessante. Não havia grandes possibilidades de se manter a estrutura do Constantino Nery. A estrutura tinha caído. Estava completamente destruída. A estrutura do teatro que havia não era compatível com uma sala de espectáculos legalizável hoje. Estamos a falar de saídas de emergência, de circulações, da teia que não existia para as exigências que nós queríamos, não tinha o número de camarins obrigatório, não tinha as áreas técnicas que hoje em dia são obrigadas a existir. Estamos a falar dos ares condicionados, som, luz, protecção contra incêndios. Não tinha um posto de transformação que é obrigatório ter e que está cá. MH- A fachada é, para muita gente, um elemento simbólico do que foi o Constantino Nery... FR- Quisemos deixar ficar a fachada por isso mesmo. Se não fosse para manter a fachada, teríamos feito o teatro noutro sítio e não teríamos os constrangimentos que este espaço nos provocou. Estamos a falar de um teatro que está encaixado na malha urbana, que não teve um metro quadrado de crescimento possível. A fachada é a memória, é a recordação. Quisemos manter o teatro no seu lugar histórico, na Avenida Serpa Pinto. MH- A fachada mantém-se exactamente igual? FR- A fachada está rigorosamente igual. Inclusivamente há peças que tiveram que ser construídas a partir de fotografias existentes. Estava bastante destruída. Havia alguma painéis estragados. Havia peças em falta, nomeadamente na zona das varandas. Foram colocadas agora. A fachada era aquela que as pessoas viam, no início, há 100 anos. MH- Como será resolvido o problema do estacionamento, uma vez que o teatro está situado numa das artérias mais movimentadas da cidade? FR- Fizemos um acordo com a Docapesca, em os utentes do Constantino Nery vão ter uma tarifa especial e não vão ter carga horária para estacionar. Estamos a falar de um sítio que fica a 50 metros daqui. É uma tarifa realmente mínima. MH- A entrada em funcionamento do Constantino Nery altera alguma coisa em termos de programação cultural da autarquia? FR- Não vai haver uma grande alteração daquilo que nós já fazemos. O que vai haver é uma melhor oferta de conforto para as pessoas e vai haver a possibilidade de mantermos a regularidade em algumas áreas que até hoje não era possível, como o teatro, o cinema e a dança. Vai também, de certa forma, centralizar um pouco as nossas actividades. As pessoas vão ter o Nery como uma referência nos seus momentos de lazer e de fruição cultural. Não vamos entrar pelo facilitismo. Vamos ser rigorosos, vamos fazer programação de qualidade. Não iremos dar espaço à mediocridade no Constantino Nery, mas isso é o que temos feito ao longo dos anos e tem corrido bem. A filosofia do pelouro da Cultura da Câmara de Matosinhos, que está consolidada pelo Presidente, por mim próprio e assumida pela equipa dirigida pela Drª Clarisse Castro, não se vai alterar minimamente. Este teatro foi feito a pensar em todo o tipo de público. Vamos fazer espectáculos de qualidade. MH- Quando escolheu a Luísa Pinto para directora artística do Constantino Nery, esperava uma certa polémica em relação ao facto de ter sido contratada antes da obra estar feita e de auferir alegadamente um ordenado elevado? FR- Foi uma polémica num circuito fechado. Passou-me até um bocadinho ao lado. Não é verdade que o ordenado seja principesco. É mentira. O ordenado é público. O facto de ser com muita antecedência também não é verdade. Só quem nunca programou ou quem estiver de muita má fé é que alimenta uma coisa dessas. Nenhuma sala de espectáculos ou nenhuma actividade cultural se programa a um mês ou a 15 dias. A escolha da directora artística foi por ser uma pessoa de Matosinhos, estava ligada à área e tinha um passado de colaboração com a Câmara. Não há aqui mais nada. Ponto final. MH - O vereador da CDU, Honório Novo, votou, em reunião de câmara, contra a contratação de uma empresa de trabalho temporário, afirmando que a lei prevê outras alternativas para contratar funcionários para o Constantino Nery. Como lida com essa crítica? FR- Eu compreendo as posições do eng. Honório Novo, porque conheço a filosofia e a ideologia do partido dele. A contratação de uma empresa de trabalho temporário não se enquadra no Partido Comunista e é uma coisa que eu respeito perfeitamente. Como sabe, nós não temos experiência de gestão de um espaço destes. Por outro lado, a Câmara Municipal não tem nos seus quadros o pessoal técnico qualificado que exige um teatro. Não tem produtoras. Não há técnicos de som, não há técnicos de luz, não há directores de cena, não há na estrutura da Câmara, mas não sabemos o que é que uma estrutura destas pretende. Temos uma ideia base. Andamos a estudar o assunto. Achamos que não devíamos arriscar à primeira, mesmo o próprio modelo de gestão. Este primeiro ano é o ano de experiência para depois tomarmos as decisões definitivas. É lógico que não nos passa pela cabeça manter esta situação eterna. Presumo que nos primeiros quatro, cinco meses, vamos retirar as nossas conclusões, como fizemos na Biblioteca ou no Museu Quinta de Santiago, em que recorremos a trabalho externo. Não é, de todo, uma novidade. MH- O modelo de gestão do Constantino Nery poderá passar pela criação de uma empresa municipal como existe para o desporto? FR-É uma possibilidade em aberto. Até esta fase, nunca achei que houvesse necessidade de construir ou de montar uma empresa municipal para a cultura. Agora, vamos ver que dinâmicas é que vai introduzir o Constantino Nery e fazer essa avaliação. Não tenho nenhuma certeza absoluta sobre nada. Vamos ver, vamos estudar, vamos pensar. De certeza que a solução encontrada vai ser a melhor para a cultura e para Matosinhos. MH- A Câmara Municipal de Matosinhos investiu três milhões e meio de euros na recuperação do Constantino Nery... FR- Sim, financiados pelo Estado em quase metade. Esse financiamento não surgiu pelos nossos lindos olhos. Surgiu pelo nosso trabalho, porque estamos a falar de uma candidatura. Termos sido incluídos no Programa Operacional da Cultura, quer através do projecto do Constantino Nery quer através do projecto do Museu da Quinta de Santiago mostra que nós trabalhamos. Exigiu calendarizações e prazos a cumprir que, quer no Nery quer na Quinta de Santiago, estão cumpridos. MH- Espera algum retorno financeiro desse investimento ao nível da receita dos espectáculos? FR- Não vejo isso dessa maneira. Acho que quando se faz uma estrada, ninguém está à espera que ela dê o retorno financeiro. O retorno é facilitar a vida às pessoas. Nos equipamentos culturais é igual. É lógico que toda a gente sabe dificilmente a cultura se auto-financia. O que nós vamos tentar no Constantino Nery é minimizar esses custos. Agora, não tenho dúvida nenhuma que o Constantino Nery não se vai auto-financiar a 100% e muito menos vai criar riqueza para pagar o investimento. Estes equipamentos são para servir o público. Faz parte do plano de investimentos de qualquer autarquia do país e a de Matosinhos não é diferente das outras. MH- Depois do Constantino Nery, o que lhe falta fazer? O Auditório Municipal? FR- Falta-me fazer muitas coisas! Temos vários projectos em andamento. O nosso mandato acaba em finais de 2009. Eu vou trabalhar até ao último dia como se fosse o primeiro. Temos, neste momento, em mãos o Auditório, o Museu da Indústria Conserveira, a nossa parceria com o Museu de Serralves para a criação do Pólo de Matosinhos, a Casa da Arquitectura... Temos também em mãos, mas de mãos amarradas, o Museu da Cidade, que será no Quartel da GNR em Leça da Palmeira, mas enquanto a GNR não sair de lá, não podemos fazer nada. Ao nível de equipamentos, entendo que não nos vamos alargar muito mais, porque, efectivamente, os que temos dão resposta às nossas necessidades. Por: Dulce Salvador in http://www.matosinhoshoje.com/index.asp?idEdicao=388&id=19643&idSeccao=3053&Action=noticia Quote
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