JVS Posted August 19, 2008 Report Posted August 19, 2008 Menos é muito, diz o mestre do minimalismoPhilippe Stark. É nome de pessoa e de marca. Uma assinatura comum a gares de aeroportos, espremedores de citrinos, carros, hotéis, cadeiras. Custe um euro ou um milhão de euros, a marca 'Starck' é adepta da multiplicação e avessa a elites. Agora aposta na ecologia Menos é muito, diz o mestre do minimalismo Diz quem já esteve no estado-maior do império de Philippe Starck que por ali tudo é branco, asséptico, como num bloco operatório. As paredes, o mobiliário, os computadores, até os lápis que esboçam as ideias de um criativo com obra espalhada por todos os continentes e que vai da arquitectura, ao design industrial, passando pela decoração de interiores, mobiliário, utensílios de cozinha, roupa... As ideias do mestre francês, a quem chamam o mais minimalista dos designers, vão da terra aos céus, passando pelo mar. Os mais críticos consideram- -nas pouco usáveis, mas o séquito de admiradores transformou-o num dos mais poderosos e influentes estetas contemporâneos e, pelo modo como transforma os objectos mais vulgares em obras de arte, há quem o considere o precursor da democratização do design. Ele que recentemente, numa entrevista a uma revista alemã, declarou estar cansado da sua profissão. "Passei a vida a criar materialidade e estou envergonhado." Estará para breve a reforma? Ele diz que talvez dentro de doi anos. Para já Philippe Starck continua a desenhar para mais de trinta marcas que usam a sua assinatura como sinónimo de distinção. Casos - só para citar quatro exemplos -, da Alessi, Aprilia, Ikea ou Cassina. A sua filosofia parece simples. Se tivermos uma boa ideia, porque não multiplicá-la? "Há 20 anos ou mais que tenho tentado mostrar que a verdadeira elegância é a multiplicação. Isto significa que quando temos a sorte de ter uma boa ideia, temos o dever de a multiplicar e fazê-la chegar ao máximo de pessoas." À multiplicação, acrescenta elegância e funcionalidade e, como nunca se cansa de sublinhar, aposta forte na 'deselitização', apesar de haver quem o considere o rei do ultrachique, uma contradição que explica em poucas palavras: "Não trabalho nem para ricos nem para pobres. Trabalho para pessoas inteligentes que possa respeitar." Eis a receita para o sucesso deste homem nascido em Janeiro de 1948, filho de uma pintora e de um desenhador de material aeronáutico, que não gosta de falar do passado. Olha para trás e vê-se no atelier do pai a fazer recortes e esboços, sempre sozinho, distraído de tudo e a tentar por tudo escapar à educação rigorosa imposta pelos pais num colégio religioso. A sua primeira oportunidade como designer foi na década de setenta, numa tournée dos Sex Pistols. Coube-lhe decorar a discoteca promotora. Mas a sua carreira só foi lançada em 1982 quando concebeu o interior do apartamento do então Presidente francês François Miterrand. Alguém que diz não sonhar com o design e que tem como objectivo prestar um melhor serviço à sociedade; que construiu um discurso onde a ética é uma palavra de ordem que na prática tenta cumprir. Por isso, da sua vasta carteira de clientes não consta nenhuma tabaqueira ou qualquer empresa ou instituição sustentada por receitas menos claras. É esse discurso e essa prática que alicerçam a sua mais recente aposta: a ecologia. Mas Starck é uma marca que rende milhões. O seu autor, no entanto, não se vê como um homem de negócios, mas como um criativo. Na sua empresa, delega a contabilidade e concentra-se na concepção de gares de aeroportos, hotéis de luxo em lugares exóticos ou cosmopolitas, fábricas em zonas industriais, candeeiros de linhas simples, porta-revistas, ratos de computador, acessórios para bebés. Qualquer que seja a sua aplicação, a marca Starck é reconhecível. Como alguém já referiu, cada uma das suas criações parece ter surgido de um planeta estranho onde o high-tech e o humor andam de mãos dadas. Apesar desse reconhecimento, Philippe Starck recusa-se a falar de um estilo Starck. Tal não existe. Existe "uma estrutura lógica, uma visão, uma política. Tudo o que se vê, bom ou mau, é desenhado por mim, só por mim. Isso significa que a única linha comum a tudo o que faço é o meu cérebro." Não se pense por isso que o seu atelier é composto por uma vas- ta equipa de designers cujo traba- lhoé apenas supervisionado por Philippe Starck. Nada disso. Na sede da sua empresa, situada na Rue du Faubourg, em Paris, estão ape- nas oito pessoas e é ele que concebe cada projecto. E podem ser dois ou vinte projectos em simultâneo, quase nunca desenhados no seu atelier, mas quando se refugia numa das 15 casas que tem espalhadas por toda a Europa, algumas em ilhas isoladas, sem água canalizada nem electricidade. "Ponho todos os designers nervosos quando digo que desenhei uma cadeira em dois minutos, mas é a verdade. Posso desenhar um hotel na totalidade, até aos puxadores das portas, no máximo num dia e meio. Posso desenhar dois hotéis em três dias. Tenho esta doença de produ- zir muito. Tenho centenas de projectos à espera no papel ou no meu cérebro", declarou numa entrevis- ta ao jornal britânico The Independent, em 2002. E to- do esse trabalho sem que um único objecto lhe tenha agradado na totalidade. "Por isso continuo a trabalhar", afirma. | in http://dn.sapo.pt/2008/08/16/dngente/menos_e_muito_o_mestre_minimalismo.html Quote
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