JVS Posted July 23, 2008 Report Posted July 23, 2008 Projecto de Carlos Marreiros vence concurso para Pavilhão de Macau na Expo de 2010 O Coelhinho vai para Xangai O júri presidido por Francis Tam escolheu a proposta de Carlos Marreiros para servir de base ao Pavilhão da RAEM na Exposição de Xangai. A “Lanterna do Coelhinho” completa o simbolismo do Pavilhão Nacional. Foi a proposta mais viável em termos de custos e prazos de execução e a mais criativa. O Lampião abre as portas aos criativos locais ao prever um sistema multimédia e fica a promessa de mais ofertas de emprego para as gentes de Macau. Sónia Nunes É o projecto do arquitecto Carlos Marreiros que vai dar forma ao Pavilhão de Macau na Exposição Mundial de Xangai em 2010. A “Lanterna do Coelhinho” conquistou os votos do júri, presidido pelo secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, por se aproximar do “Campeão do Oriente”, o Pavilhão Nacional. O lampião que fazia as delícias das crianças de Macau é também o guardião da “Porta do Céu Sul” e um símbolo da política “um país, dois sistemas”. Mitologias e semióticas à parte, a caixa de aço e vidro com balões no tecto - entenderam os jurados - faz também uso da tecnologia, é amiga do ambiente, plena em criatividade e promete divertir os visitantes. Foi também a proposta, entre as três seleccionadas, que apresentou a maior viabilidade, custos e prazos de construção “em conformidade com as limitações à execução de obras” e com os constrangimentos de tempo – a execução tem de estar pronta entre 6 a 9 meses. O orçamento apresentado pelo arquitecto ronda 32 milhões patacas mas as contas ainda não incluem o sistema multimédia e os custos do simulador pensado para agitar 38 pessoas. “Estou naturalmente feliz. Vencemos de forma transparente e justa um concurso que foi muito participado. E, como disse a coordenadora, este pavilhão não é do Governo de Macau mas de todos os cidadãos de Macau. Aproveito para felicitar os meus dois colegas finalistas porque o merecem e partilho com eles esta vitória”, comentou Carlos Marreiros ao Hoje Macau. As felicitações são dirigidas a Chio Wao Tong e Loi Mang Choi que receberam o segundo lugar (e um prémio de 60 mil patacas) por “Dancing Lotus”, e à equipa liderada por Carlos Couto que conquistou o terceiro lugar (e vai receber 30 mil patacas) com “Glitter” – os três concorrentes (seleccionados a 8 de Julho) apresentaram ontem de manhã os argumentos finais junto dos jurados. Apelo à participação dos cidadãos O veredicto final saiu depois de uma reunião de cerca de quatro horas e juntou Francis Tam, a coordenadora do Gabinete Preparatório, o administrador do Conselho de Administração do IACM, o director do Gabinete de Comunicação Social, o presidente substituto do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, o chefe do departamento de Património Cultural do Instituto Cultural, e os presidentes das associações de arquitectos, engenheiros e designers. Carlos Marreiros começa agora a desenvolver a proposta de desenho conceptual para o Pavilhão de Xangai e apela à participação dos cidadãos. “As estruturas de multimédia vão exigir a utilização de muitos recursos criativos de Macau, como jovens realizadores ou artistas consagrados. É uma grande oportunidade para empregar muitos talentos locais”, destacou. O arquitecto espera que o antigo lampião revitalize o artesanato local – há ainda, revela, dois artesãos, na rua da Palha, que fabricam as tradicionais lanternas - , e desencadeie exposições sobre a prática cultural e competições que sirvam de promoção à Expo 2010. “Concursos de vídeo, lembranças, produtos com alma e bom design. Há um mundo de actividades que podem ser feitas”, avança. A próxima fase, garante, será tornada pública e aceitam-se opiniões. Afinal, “o pavilhão deve ser a alegria de todos”. O piscar de olhos às actividades de publicidade ao evento foi enaltecido pelo júri. Na nota de imprensa, lê-se que a “Lanterna do Coelhinho revela uma grande flexibilidade para a realização destes projectos associados porque o desenho está cheio de criatividade, dotado de uma sala de apresentação operada por simulação computorizada, um mini-teatro e um escorrega para crianças”. O espaço permite assim, entre outras iniciativas, “actuações culturais e artísticas, actividades de desfile e venda de lembranças”. De acordo com o comunicado, foram cinco os critérios que validaram a escolha do júri pelo projecto de Marreiros. A saber: os custos e prazos de construção, a compatibilidade com outros projectos; “características singulares e atraentes”, a técnica do desenho e a “ideia de protecção ambiental”. Acresce ainda a aproximação ao Pavilhão Nacional. A “Lanterna do Coelhinho adopta uma famosa mitologia chinesa, onde é comparado o Campeão do Oriente com a Porta do Céu do Sul que separa os deuses e seres humanos”. O lampião é, na lenda, “o coelho do céu” que aguarda a entrada “dos convidados”. A estrutura, continua o Gabinete Preparatório, usa “tecnologia moderna avançada e o conceito de protecção ambiental, revelando completamente as características culturais de Macau”. Através do mito sabe-se que “Macau é parte integrante da China mas beneficia das vantagens resultantes da política de um país, dois sistemas”. Ficou cumprido, destaca-se, o tema do Pavilhão de Macau – “Espírito de cultura, Essência de harmonia”. Chuvada de S. João Carlos Marreiros não foi um candidato natural para a Expo 2010. Organizou cinco equipas de trabalho, escolheu três para concorrer e tinha como certo que não iria participar no concurso – até que, uns quatro dias antes do prazo para a entrega de candidaturas, chegou uma forte chuvada que assombrou o arraial de S. João deste ano. Olhou para o esboço que tinha feito no bloco de notas e viu a “Lanterna do Coelhinho”. “Achei que tinha desenvolvido uma ideia dinâmica. O nosso pavilhão está entalado entre o de Taiwan e o de Hong Kong que têm forma de paralelepípedos. Tínhamos de explorar outra forma. O coelhinho tradicional permite que a cabeça seja pneumática e que mexa. Com efeitos especiais de luz pode mudar de cor e ter várias modalidades. A cabeça sobe, a cauda junta-se à cabeça”, descreve. A lanterna procura também ser um fuga aos lugares comuns. “Cercos clichés maçam-me imenso. Nos anos 90, era a amizade luso-chinesa; no pós-99 é o lótus. Era necessário pensar uma coisa que reflectisse o multiculturalismo, fosse tradicional e refeita em linguagem contemporânea”, avança. O arquitecto destaca que tem feito uma investigação sobre os lampiões que “andaram nas mãos de toda a gente”. “Era uma tradição do sul da China que, por conjunturas várias, foi desaparecendo, mantendo-se em Hong Kong e Macau. Chineses, portugueses e macaenses, todos brincavam com as lanternas. É um coelhinho estilizado, com pelinhos, quatro rodinhas de madeira, uma cabeça que treme e uma caudinha. Há ainda os miúdos que a puxam. É amoroso, é simpático”, frisa. Marreiros destaca ainda a ausência de barreiras arquitectónicas – há uma rampa que vai desde o rés-do-chão até ao topo, onde se encontra uma sala de projecção de filmes – e uma panóplia de actividades que podem ser promovidas no pavilhão. “Há um simulador muito sofisticado que treme, achincalha, deita fumo e jactos de água. É um investimento mas é um atractivo muito grande. Muitos pensam que a Expo é uma exposição de arquitectura. É um erro. É uma exposição de exuberâncias, de fantochadas no bom sentido”, entende. A componente multimédia, os hologramas, projecções de slogans e imagens, e visitantes com uma lanterna na mão permitem que se construa a ideia de acontecimento. “É um espectáculo. O público é um actor, participa no pavilhão”, sublinha. A estrutura, continua, é ecológica – os painéis solares garantem energia eléctrica para 560 metros quadrados – e pode ser facilmente desmontada e transportada para um parque. “Os materiais podem ainda ser reutilizados noutros edifícios, como escolas”, exemplifica. “A ideia é boa porque é fácil de executar e é barata. A construção está pensada para custar 32 milhões de patacas: 15 mil patacas o metro quadrado de construção; o sistema de painéis solares custa 5 milhões e 20 mil patacas; 800 mil para os balões; 6 milhões e 500 mil para consultadoria, projectos e execução”, estima o arquitecto. Porém, o simulador e os efeitos especiais ainda não foram contabilizados: “É caro, mas é possível. Todos os criativos, os realizadores de Macau vão ter trabalho”, reitera. A Lines Lab foi uma das lojas que já se associou ao projecto: desenhou sofás, malas e chapéus. Até 2010, a organização pode promover o Pavilhão. Com “concursos para a mascote, promoções, vídeos, uniforme das coelhinhas...Há um mundo que nunca mais acaba para entreter Macau”, remata. in http://www.hojemacau.com/news.phtml?id=29688&type=culture&today=23-07-2008 Quote
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