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Quarteirão dos Aliados vai ter habitação e estacionamentoImagem colocada
Patrícia Carvalho

SRU já aprovou o projecto-base de documento estratégico que sugere habitação e criação de núcleo museológico na Igreja dos Congregados


Já está na fase de consulta e discussão pública o projecto-base de documento estratégico do quarteirão do café Imperial, que engloba o núcleo urbano entre as praças da Liberdade e Almeida Garrett, e as ruas de Sá da Bandeira e Sampaio Bruno, no Porto. A discussão pública arrancou na passada quinta-feira e prolonga-se por, pelo menos, 30 dias, para que os interessados se possam pronunciar sobre o projecto que aconselha a reabilitação integral dos pisos superiores do edificado, para instalação de habitações e a criação de estacionamento, no miolo do quarteirão.

No geral, a proposta da Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana do Porto (SRU) "não incluirá projectos de transformação profunda da estrutura e volumetria dos edifícios", diz o documento estratégico disponível em www.portovivosru.pt. Contudo, admite-se que possam existir "intervenções no interior do quarteirão para introdução de sistemas de parqueamento ao nível das caves".

Das 15 parcelas do quarteirão, parte delas encontra-se completamente devoluta, enquanto outras tantas apenas têm ocupação nos pisos inferiores. De facto, a análise da SRU constatou que apenas os edifícios da Igreja dos Congregados, do Hotel Peninsular e da Caixa Geral de Depósitos "desempenham cabalmente a sua função", estando 60 por cento da totalidade dos edifícios desocupada. A SRU defende, por isso, que é essencial "a reconversão funcional dos edifícios subaproveitados do quarteirão, através de um programa misto de comércio, serviços e habitação."

No que se refere ao comércio, a Porto Vivo defende que ele seja "recuperado e dinamizado". E deixa um alerta: os passeios com dez metros de largura, que existem em parte do quarteirão, são excelentes para a instalação de esplanadas, pelo que é admitida a hipótese de alguma da ocupação actual ao nível do rés-do-chão se deslocar, para os pisos superiores, libertando essa zona para a instalação de espaços de hotelaria ou similares.

Nos andares superiores que se encontram desocupados neste quarteirão dos Aliados, a resposta encontrada pela SRU é a mesma que tem sido defendida no processo da "re-habitação" da baixa: "Como regra geral, nos andares superiores dos edifícios, dever-se-ão introduzir as alterações necessárias para a criação de habitações, com vista a alojar no quarteirão uma população própria permanente", defende aquele documento estratégico.

Reabilitação de fachadas
Quanto aos edifícios que se encontram a funcionar em pleno, o projecto em discussão pública deixa dois conselhos. O hotel, aconselha a SRU, "poderá ganhar visibilidade e qualidade, através das ampliações, já previstas, para aumento do número de quartos e das condições de conforto dos hóspedes". No caso da Igreja dos Congregados, o destaque vai para o seu espólio valioso, concretizado num núcleo museológico capaz de "constituir um interessante atractivo para a visita cultural ao quarteirão".

Para alguns edifícios da avenida é proposta uma intervenção conjunta, enquanto outros precisam de reabilitação das fachadas e recuperação dos telhados. No total, o investimento previsto para as intervenções defendidas pela SRU ronda os 6,1 milhões de euros. O calendário definido pela Porto Vivo aponta para que os edifícios com intervenções médias possam estar concluídos até ao final de Setembro de 2009, mas as obras mais profundas de outros prédios podem, no entanto, prolongar-se até a Março de 2011.

6,1 milhões de euros é o total de investimento previsto para reabilitar o quarteirão da Avenida dos Aliados

Link:
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fpage%3D20%26dt%3D20080720%26id%3D13837721%26c%3DB%26web%3DEI

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Os mistérios da avenidaImagem colocada

O quarteirão da Avenida dos Aliados foi uma verdadeira surpresa para os técnicos da Sociedade de Reabilitação Urbana. Não só pelo estado de degradação em que se encontram alguns dos edifícios - resultado, em grande parte, da desocupação e que não é visível do exterior, devido à boa manutenção da fachada -, como por outros aspectos bem mais curiosos. Vários prédios têm caixas--fortes (memórias de bancos que por lá estiveram instalados) e a Igreja dos Congregados tem "um valioso património arquitectónico", em espaço e em peças de arte, que não é visível para quem lá entra.


Por ali, há também (acredite ou não) um laboratório de análise de metais raros e uma barbearia que ainda mantém "em bom estado todo o mobiliário e decoração de origem, da autoria do arquitecto Marques da Silva (o mesmo da Estação de S. Bento, da casa de Serralves ou do Teatro de S. João)". No caso deste espaço, a SRU defende que, "apesar de constituir uma actividade com sinais de decadência e não estando o interior sob qualquer classificação patrimonial, importa preservar o valor estético da loja, de preferência dentro do mesmo ramo ou, com um programa que admita a manutenção da sua imagem e acabamentos (integralmente realizados em mármore)".


Link:
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fpage%3D20%26dt%3D20080720%26id%3D13837721%26c%3DB%26web%3DEI

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