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Boas noites caros colegas :) Abro este tópico num tom um pouco de desabafo, pois é algo que me tem intrigado um pouco a medida que leio / abro os olhos sobre o panorama nacional em que a nossa arte se encontra, em termos profissionais. Sou estudante do primeiro ano de arquitectura pela Universidade Lusíada de Lisboa, e acabei de passar para o 2º ano. Vou tentar agora manter um discurso óbvio e linear para expor as minhas preocupações. Quando entrei no curso, não escondo o choque que senti, não só em termos de adaptação ao ensino superior como também a nível de "começar a estudar arquitectura". A típica e indispensável face que só nos estudantes e arquitectos conhecemos, o lado poético da arquitectura. A adaptação ao processo do projecto, intervir num lugar, ter um conceito que defina intenções foi algo que demorou o seu tempo, o que se reverteu nas notas do primeiro semestre. Tudo correr bem, entrei no 2o semestre mais confortável, consegui melhores resultados, finalizando o primeiro ano com media aritmética de todas as cadeiras de 14 e 15 a projecto. Primeira questão, todos os estudantes das diversas faculdades teem planos de estudo diferentes, mas por exemplo, conheço estudantes da FAUL e IST que teem um plano de estudo completamente diferente do meu (eles teem matemática mais "hardcore" e física, eu tenho desenho e mais historia de arte, e também tenho sempre uma cadeira de CAD e para o ano 3d). Em que sentido isto é bom para a formação de futuros arquitectos? No futuro vou ser um arquitecto que não vou saber tanto de física nem de matemática como outros arquitectos formados por estas instituições, mas provavelmente vou estar mais dentro do assunto em termos de conhecimento em software e ter uma atitude mais "artística" do que eles, pois acho que o plano deles foge um pouco a mãe da arquitectura, que é o grande vasto campo das artes. Neste plano estou confuso, estarei a ser penalizado no futuro por não ter formação no campo da matemática e física a nível de ensino superior? A outra grande questão, está o mercado assim tão saturado? Hoje em dia, a selecção dos arquitectos como é elaborada para concorrer a um atelier? A media tem grande importância? Guardo sempre como objectivo acabar o curso com media de 14, pois a minha professora de projecto deste ano disse-me que era mais fácil ter entrada como docente (algo que eu gostaria muito de ser) na universidade em que tirei o curso... Mas já ouvi dizer que a media não interessa muito, tal como o nome da faculdade pela qual estudamos... Isto assusta-me muito, pois ao longo do ano confirmei que é isto que quero fazer da minha vida, como profissão e realização pessoal. Não estou a tirar o curso para não ficar em casa sem estudar, este ano fiz com muito gosto, orgulhei-me e esforcei-me com muito gosto em todos os trabalhos que apresentei, coisa que acho que justifica a minha escolha. Não é propriamente uma preocupação, mas é tema de café todos os dias com amigos discutirmos a taxa de desemprego dos vários cursos e o facto do nome da univ / media carimbarem o profissional. Como não sei muito sobre o assunto, nunca falo do meu curso ;) Cumprimentos !

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Bem, há vários pontos que gostaria de tocar no teu discurso. Eu sou aluna do IST e não concordo em nada do que disseste quando referes que fugimos da "mãe arquitectura". Primeiro não temos um monte de físicas e matemáticas como fazes transparecer... temos 1 semestre de física e matemática e depois é que temos várias cadeiras de estruturas. Se saber de estruturas pode ser prejudicial à minha formação enquanto arquitecta, não concordo, pois faz todo o sentido saber falar o "idioma" dos meus colegas engenheiros com os quais vou ter que "gramar" o resto da vida. Nós também temos história e desenho e convido-te a ires um dia ao IST ver os nossos trabalhos de projecto para ver se falta alguma coisa de "artística". Para mim faz todo o sentido haver cursos com valências diferentes em relação à arquitectura, pois esta tem muita faces. Não é em 5 anos que se aprende a ser arquitecto e muito menos nesses 5 anos académicos que se acredita que é o que se quer fazer para o resto da vida. Já estou no 4º e várias vezes coloquei a hipótese de não fazer arquitectura, mas bastaram me 5 meses num atelier e mudei logo de ideias. Por isso, acredito que o inverso também pode acontecer. A média num curso de arquitectura é muito relativa, pois na avaliação de um projecto é difícil para um professor ser imparcial à sua visão arqutectónica. Vejamos, se o teu professor é um modernista puro e tu tens uma visão mais desconstrutivista ou maximalista, acredito que será difícil para esse professor julgar o teu projecto em todo o seu potencial. Mas quando levares esse mesmo projecto a um atelier, poderá ser a chave que te dará entrada no mundo da arquitectura. Depois há outro ponto. Conheço vários colegas já arquitectos, que já com 30 anos ainda não sairam da reprodução de desenhos dos seus chefes de projecto. Pelo que percebi... a vida de estudante não é nada em relação à escalada profissional que nos espera lá fora. Por isso é que não me preocupo muito com o curso neste momento, nem se o meu curso é melhor ou pior que o do vizinho, mas sim preparar-me para uma "guerra" que há fora das portas da faculdade. Sei de o meu valor e é com isso que quero contar, o resto será pura lei da sobrevivência.

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Espero não teres interpretado mal a minha ideia. Apenas quis transparecer o facto de vocês apostarem mais numa faceta técnica... não digo que o vosso curso foge à arte, erro meu, a expressão não foi muito esclarecedora... Conheço colegas no IST, e sim, os projectos deles são muito bons, mas é muito diferente, o que me preocupou um pouco... Quanto ao resto, concordo com tudo..

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EMontenegro, vou só dar um tópico: os cursos de arquitectura são oficiais e as escolas publicas suportadas pelo estado e portanto por todos os cidadãos, contudo visam uma licenciatura superior que no mercado de trabalho não tem exclusividade, tal como a medicina está para os médicos, o direito para os advogados. Posto isto e com a longinqua alteração ao famoso 73/73, o mercado e as saidas profissionais estão muito complicadas. Perante esta ambiguidade resta a paixão e a força para ir lutando pelo reconhecimento sério dos arquitectos.

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olá montenegro.

antes de mais, deixa-me dizer-te que vais encontrar aqui as mais variadas respostas, pois como deves compreender, existem as mais variadas experiências.
terminei este ano o curso na lusíada do porto e portanto posso falar-te da minha experiência (e também porque vais ter o mesmo programa de disciplinas como eu). vou responder-te por tópicos, para ser mais fácil :)

1. tal como no IST também vais ter estruturas, instalações tecnicas e infraestruturas técnicas, onde vais ter de aplicar/aprender conhecimentos de matemática. se é importante? claro que sim! um arquitecto deve ser multidisciplinar e saber "pincelar" sobre tudo um pouco que nos diga respeito. desde ao conceito até à construção, passando pela resistência, tubagens até ao pormenor do parafuso.

2. Não creio que o curso na lusíada tenha essa vertente artística tão forte como fazes parecer. creio sim, que é um curso multidisciplinar, com uma tendência mais vasta que tenta abranger vários aspectos: teorias, historias, sociologias...é verdade! mas também estruturas, instalações, infraestruturas, matemáticas e afins! (tal como referi no ponto anterior)

3. na minha experiência, posso dizer-te que a média não conta para nada. só para realização pessoal. andei a "matar-me" 5 anos e depois no fim, isso nem me foi questionado e no entanto encontro-me já a estagiar. curiosamente o nome da instituição já foi importante.

4. se o mercado está saturado? está...para quem não procura e não se faz à vida ;) a resposta não pode ser mais simples do que esta. não estejas à espera de encontrar trabalho precisamente na tua rua, a 2 m de casa a pé e com um ordenado surpreendentemente fantástico. isso não existe! e o que há...já está ocupado com os filhos, primos, sobrinhos, afilhados do pessoal... (infelizmente ainda é muito assim, mas creio que o é em todo o lado).

Há sim, trabalho, dedicação, cedências e alguma sorte no inicio de trabalho e acima de tudo, uma grande busca da tua parte. só para te dar um exemplo, sei de colegas que mesmo desempregados se recusam a procurar fora da sua área de residência...assim é complicado, não achas?

5. o trabalho de atelier nada tem a ver com o trabalho académico. tal como a leonor disse:"Vejamos, se o teu professor é um modernista puro e tu tens uma visão mais desconstrutivista ou maximalista, acredito que será difícil para esse professor julgar o teu projecto em todo o seu potencial. Mas quando levares esse mesmo projecto a um atelier, poderá ser a chave que te dará entrada no mundo da arquitectura"e tem toda a razão. sei de um caso que no 4º ano esteve prestes a reprovar de ano (a projecto) e que no 5º ano foi o melhor da turma e um dos melhores do ano. estranho não?! ;)

tudo é muito relativo e muito depende do professor que te avalia.

6. é importante saber trabalhar com o máximo de programas diferentes. desde archicad, autocad, photoshp, coreldraw, 2 ou 3 de 3D....quanto mais souberes, melhor para ti, porque um atelier irá empregar-te também por aquilo que saibas fazer e assim, tornarte-ás uma mais valia para o atelier.

7. Por fim, o que o marco1 diz é uma óptima reflexão para fazeres. não é a média que te vai abrir portas (a menos que queiras ser professor, mas mesmo assim, não esta fácil, porque simplesmente a tua fac. pode não estar interessada em mais ninguém), não é o nome da faculdade que te vai abrir portas.... é o teu trabalho, a tua perseverança e a tua insistência!!

margarida duarte

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m a r g a r i d a acho que respondeste a grande parte das minhas duvidas. Eu não queria comparar cursos atenção, não quero dizer que o IST é mais técnico e a Lusíada mais artística, apesar de ter dito isto por outras palavras simplesmente não é esta a minha intenção. Apenas estava preocupado pois este ano não tive muito de exercitar a matemática, ao contrario de amigos meus de outras instituições, em contrapartida, tive outras cadeiras. Percebo a importância de termos um conhecimento global sobre varias matérias dentro e fora da nossa área! Estou mais esclarecido agora, era isto que eu queria (exemplos dos exemplos :))

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