Arquituma Posted May 15, 2008 Report Posted May 15, 2008 Olá a todos, estou com o seguinte problema pelo que agradecia as vossas preciosas opiniões. Pedi a um arquitecto que me fizesse um projecto de remodelação da minha casa para o aumento de um piso para dois pisos. A casa já tinha 50 anos mas apresentei as plantas que tinha. O arquitecto em momento algum foi ver a habitação. O projecto foi feito e aprovado na câmara municipal. O problema é que aquando do começo das obras verificou-se que a casa não tinha pilares de sustentação, ou seja, estava feita com tijolo travado o que não aguentaria um segundo piso. Agora a minha pergunta é de quem é a responsabilidade desta situação, se minha, do antigo dono da casa, se do arquitecto que não verificou essa situação. É que estou mesmo pendurada, porque vou ter de construir a casa de raiz sem estar preparada para a despesa económica que isso acarreta. Obrigada. Quote
lllARKlll Posted May 15, 2008 Report Posted May 15, 2008 É claro que é culpa do Arquitecto e pura estupidez da câmara municipal aprovar uma estrutura de pórtico (em aço/betão armado) sobre um edifício de alvenaria, sem estrutura independente. Mais do que construir uma casa de raiz, precisa de novo projecto/especialidades para consolidar uma estrutura na casa existente. É o Portugal que temos o descuido ao mais alto grau. Quote
Rui Fernandes Posted May 15, 2008 Report Posted May 15, 2008 Aqui acho que o erro foi de má avaliação da parte do arquitecto a câmara nesta fase só tem competência para avaliar em termos de cumprimento geral da regulamentação, os técnicos tem que ser responsáveis e partindo desse principio as câmaras actuam, senão teríamos câmara municipais ainda mais repressivas. A gora o que não abona a favor de uma boa pratica profissional e responsavel é não ir ao local... nem que seja para aferir se o levantamento apresentado está de acordo com o existente. No entanto parece-me exagerado a construção de raiz, pois existem muitas soluções técnicas para resolver esse problema, uma será fazer uma estrutura independente para suportar o piso superior, consolidando a já existente, não são soluções caras, deve-se agora informar com alguém experiente em projectos de recuperação, em particular um eng. civil. P.S. Apesar do arquitecto não ser responsavel directo pela estrutura, mas tem conhecimentos para avaliar e estudar uma solução, o que pode acontecer é que a estrutura necessária venha desvirtuar o projecto inicial. Mesmo que existi-se pilares estes não estavam calculados para suportar um novo piso, tanto que a partir de 40-50 anos a estrutura de betão armado perde alguma eficácia. Quote
vitor nina Posted May 15, 2008 Report Posted May 15, 2008 Arquituma, Muito embora me pareça estranho que o arquitecto não se tenha dado ao trabalho de ir ver o existente, não me parece que lhe seja atribuível a integral culpa pelo desconforto que está a sentir. Em primeiro lugar uma mudança estrutural (mais um piso) deveria ser obrigatoriamente objecto de intervenção por parte dum engenheiro, pelo que não percebo como é que a câmara aprovou o projecto sem isso; Quanto ao seu probelma em concreto, não tem necessariamente que construir o edifício de raíz e pessoalmente até me arrisco a desaconselhá-la dessa opção. As paredes de alvenaria de tijolo têm uma resistência bastante considerável, e possivelmente até podem ser totalmente aproveitadas como elemento resistente para suportar uma fatia importante do peso adicional que o acréscimo da construção acarretará. Só em Portugal e em Espanha (veja que no resto da Europa e nos EUA isso não acontece) é que existe a mania de fazer tudo com aço e betão por se ter entranhado a falsa ideia de que a resistência das alvenarias é para desprezar (estúpido desperdício de dinheiro). E não se diga que é porque os países mediterrânicos são sismicamente vulneráveis, pois a Italia, um dos mais críticos nesta matéria, apresenta uma grande percentagem dos edifícios de pequemo porte - 3/4 andares - construídos à base de alvenaria resistente. Se bem que haja cuidados especiais a ter com a alvenaria por causa dos sismos, existem hoje técnicas absolutamente fiáveis para as dotar com a segurança que é exigida a qualquer outra construção. Aconselho-a a ir ter com um engenheiro que esteja à vontade em alvenarias resistentes (são muito poucos, porque nas universidade isso foi matéria que durante muito tempo passou ao lado dos curriculums e só agora é que isso começa a ser aflorado) de modo a tentar encontrar uma solução. Boa sorte. PS.: Rui, uam coisa é uma estrutura de betão ser dimensionada para ter um período de vida útil mínimo de 60 anos; outra coisa é o betão armado só durar 60 anos, o que não é verdadeiro, como é verificável por um conjunto de estruturas existentes que já ultrapassaram em muito esse período. Quote
marco1 Posted May 15, 2008 Report Posted May 15, 2008 é escandaloso, começando pelo arquitecto e acabando no engenheiro que assinou o projecto de estabilidade. Tenho pena que existam arquitectos assim pois não é a postura que defendemos e que lutamos para dar mais relevo á classe. Como é obvio nem o antigo dono tem responsabilidades nem de certa forma a camara, assim parece-me que os projectistas envolvidos terão que solucionar o caso sem custos ( ao nivel de novos projectos) para o cliente. Quote
Rui Fernandes Posted May 16, 2008 Report Posted May 16, 2008 O vitor nina deu uma achega importante, não conhecemos o projecto e podemos estar a criar uma falsa questão, o engenheiro pode ter considerado que as paredes de alvenaria seriam suficientes para suportar a carga adicional... pois tb já vi projectos com esta solução apesar de não achar a melhor em caso de sismo, pois os comportamentos dinâmicos são muito diferentes. Caso nao tenha sido o caso é de uma tremenda irresponsabilidade por parte do engenheiro basear-se numa estrutura que supostamente deveria existir e que logicamente foi calculada para suportar um só piso, em qualquer das formas seria confiar em pés de barro. O betão esta sujeito a reacções químicas internas e agressões externas, que em suma podem reduzir os seus valores resistentes... não quer dizer que exista rotura, mas que a força resistente efectiva seja menor do que a calculada. Quote
lllARKlll Posted May 17, 2008 Report Posted May 17, 2008 Quer dizer, que as fundações seriam a alvenaria do edifício existente, isto parece uma solução um pouco transloucada! Quote
Pedro Barradas Posted May 17, 2008 Report Posted May 17, 2008 ... de tresloucada a solução de alvenarias resistentes que o Vitor Nina explica, nada tem... A outra solução para a ampliação do piso seria (assim a 2seco" sem ver as condições existentes e o nível de intervenção proposto) propunha a construção de um lintel de betão (se não houver já um) e a construção com solução "lighsteel", normalmente bastante recomendada e compatível para este tipo de intervenções... Quote Quem cria renasce todos os dias...Agua-Mestra, LdaNão sou perfeito, mas sou muito critico...
lllARKlll Posted May 17, 2008 Report Posted May 17, 2008 é que existe a mania de fazer tudo com aço e betão por se ter entranhado a falsa ideia de que a resistência das alvenarias é para desprezar (estúpido desperdício de dinheiro). Um dos avatares da Arquitectura moderna foi deixar de considerar as alvenarias interiores/exteriores como estruturas resistentes, o Planta Livre/Fachada Livre de Le Corbusier, permitia dentro de um determinado estrutura indeformável, alterar os interiores e fachadas com tremenda facilidade, sem nunca danar a estrutura do edifício. Estabeleceu-se como paradigma e é ainda a melhor solução para tudo o que seja edifício susceptiveis de sofrer alterações.... de tresloucada a solução de alvenarias resistentes que o Vitor Nina explica, nada tem...Não, é assim tão comum, simplesmente colocar um pilar de betão sem travamento horizontal, sobre uma simples parede de alvenaria, não é a inércia na vertical que ponho em causa, é a falta de inércia no horizontal que uma simples parede deste tipo não possui. Se o terreno for alvo de um shake it baby, algo me diz que aquela coisa se descompõe toda. Mas no fundo, é tudo uma questão de cálculo. Quote
Pedro Barradas Posted May 17, 2008 Report Posted May 17, 2008 ARK... tens q te actualizar, frequentar alguns cusos/ seminários de alvenarias resistentes, reabilitação do património construido, etc... É verdade que não existe sensibilidade na maior parte dos técnicos para considerar e intervir em alvenarias resistentes... mas é pura ignorância técnica. Existem soluções de consolidação de alvenarias resistentes para melhorar o seu comportamento às acções horizontais do sismo ( pode-se por exemplo, armar os rebocos exteriores com soluções adequadas) Quote Quem cria renasce todos os dias...Agua-Mestra, LdaNão sou perfeito, mas sou muito critico...
lllARKlll Posted May 17, 2008 Report Posted May 17, 2008 Isto é puramente uma questão de cálculo, física e de conhecer o existente, pouco tem a ver com cursos tirados ou não tirados...já que falamos de alvenarias de tijolo e nem sabemos se é furado, burro, maciço, etc... pura ignorância técnica será intervir sem o auxílio do Eng., este é um problema de Engenharia. Não estamos aqui a falar de Reabilitação, estamos a adicionar um piso, uma Remodelação. Quote
Pedro Barradas Posted May 17, 2008 Report Posted May 17, 2008 Claro q deveria ser acompanhado de Eng.º Civil, nem tal assunto está em questão, mas existem muitas soluções alternativas sem "forçar" o BA... Sem haver sondagens preliminares no existente. Estamos a falar de reabilitação/ alteração e ampliação e nunca de uma Remodelação. Quote Quem cria renasce todos os dias...Agua-Mestra, LdaNão sou perfeito, mas sou muito critico...
vitor nina Posted May 17, 2008 Report Posted May 17, 2008 Um dos avatares da Arquitectura moderna foi deixar de considerar as alvenarias interiores/exteriores como estruturas resistentes, o Planta Livre/Fachada Livre de Le Corbusier, permitia dentro de um determinado estrutura indeformável, alterar os interiores e fachadas com tremenda facilidade, sem nunca danar a estrutura do edifício. Estabeleceu-se como paradigma e é ainda a melhor solução para tudo o que seja edifício susceptiveis de sofrer alterações. Ark, tens toda a razão naquilo que escreveste mas é bom situar historicamente as condições em que esse paradigma se desenvolveu: início dos anos trinta, altura em que o betão armado começou a ter uma larga expansão na Europa, após o seu emprego se ter consolidado como material de excelência durante a década anterior em consequência da reconstrução imobiliária dos países europeus que sofreram no seu solo as consequências da 1ª Guerra Mundial. Nessa altura o BA era eterno e a sua capacidade resistente permitia toda a liberdade arquitectónica em vencer grandes vãos, facto que para muita gente era (e é) um must; acresce que nessa altura a engenharia sísmica ainda andava a aprender os primeiros passos.Nos anos sessenta, o eng. Mark Fintel, presidente do ACI (American Concrete Institute) e que viria a estar ligado de certa maneira à Sears Tower, teorizou que as estruturas à base de betão armado e com pisos vazados, tipo Pavilhão Suíço, em Paris, ou a Villa Savoye, ambos de Corbusier, seriam as mais aptas para resistir aos sismos. O pressuposto era que ao serem criadas descontinuidades entre o edifício e o terreno reduzir-se-iam os caminhos de transmissão por onde a energia libertada pelo sismo se pudesse processar, reduzindo-se, assim, a quantidade de energia que o edifício receberia. Por consequência, a excitação dinâmica a que este ficaria sujeito seria mais reduzida por comparação com as construções tradicionais apoiadas no terreno em todo o seu perímetro.Em 1972, no sismo de San Fernando, Califórnia, verificou-se que um inusitado número de edifícios de betão armado havia colapsado, e que grande parte deles apresentava este tipo de solução, designado por soft-storey.Afinal o que é que havia corrido mal? Verificar-se-ia que sendo certo que a quantidade de energia absorvida por estes edifícios era menor que os demais, o facto de existir uma pequena superfície de contacto levava a grandes concentrações de energia localizadas nas cabeças dos pilares que suportavam os pisos mais pesados, e que os obrigava a deformações para os quais não estavam preparados.O colapso dessas secções levaria, quase sempre, à destruição (inutilização) da totalidade do edifício. A partir dessa data a engenharia deu a machadada final nesse tipo de solução estrutural sem que a arquitectura em zonas sísmicas tenha conseguido até ao momento incorporar a perigosidade desse tipo de solução, continuando-se a ver de forma regular a proliferação deste tipo de edifícios que, ainda hoje, se afirma como uma das maiores causas de colapso em zonas urbanas pós sismos.Aquilo que ficaria conhecido como o “Estilo Internacional” afinal mais não é do que uma herança estruturalmente perversa (estruturalmente no sentido "engenheiril", entenda-se) , ainda que seja inegável o papel que representa na arquitectura contemporânea.Hoje dá-se uma extrema importância a um conjunto de situações que até aos anos 70 se desprezara, em particular a influência que a massa dos edifícios (e nela se incluí a distribuição de paredes) tem face a um sismo. Por isso, essa liberdade de alterar as paredes com a facilidade que se infere da tua mensagem não é tão verdadeira como advogas, porque daí podem advir alterações ao comportamento dinâmico das estruturas que podem amplificar ou diminuir as consequências das acções sísmicas. Não, é assim tão comum, simplesmente colocar um pilar de betão sem travamento horizontal, sobre uma simples parede de alvenaria, não é a inércia na vertical que ponho em causa, é a falta de inércia no horizontal que uma simples parede deste tipo não possui. Se o terreno for alvo de um shake it baby, algo me diz que aquela coisa se descompõe toda. Mas no fundo, é tudo uma questão de cálculo. Nunca advoguei pôr uma estrutura em pórtico em cima duma parede de alvenaria, solução que seria um perfeito disparate. Aquilo que disse é 1.- que pelo facto de não existirem pilares não significa que se tenha que demolir as paredes existentes, dando seguimento a um princípio que assumo - o despedício é mais uma das muitas formas de como a estupidez se manifesta - e que 2.- até se poderá aproveitar a capacidade resistente que as paredes existentes têm para apoiar o novo piso, bastando para isso que a nova estrutura seja, também, em paredes resistentes, sendo certo que isso dependerá do projecto, da localização da casa, do estado de conservação das alvenarias, etc, etc.O problema é que aquando do começo das obras verificou-se que a casa não tinha pilares de sustentação, ou seja, estava feita com tijolo travado o que não aguentaria um segundo piso. .... É que estou mesmo pendurada, porque vou ter de construir a casa de raiz sem estar preparada para a despesa económica que isso acarreta. Obrigada. O meu extenso relambório sobre as alvenarias na minha primeira mensagem é porque alguém com propriedade afirmou que o existente não aguenta. Ora cheira-me que tal perito seja alguém ligado ao empreiteiro - ou mesmo o próprio empreiteiro - que a olho concluíu isso sem fazer conta alguma. Como a formatação dos engenheiros e dos empreiteiros está dirigida para o BA, e porque não conhecem as alvenarias porque não é aflorado nas universidades a não ser pela rama (não é só fisica), tal perito pode estar a dar uma indicação técnica falsa porque tem um canudo que lhe dá um título mas, nesta matéria específica, não tem conhecimentos avalizados. Isto é um processo de intenções, claro, por isso, para bom entendedor... PS:Quer dizer, que as fundações seriam a alvenaria do edifício existente, isto parece uma solução um pouco transloucada! teresloucada?...eu, com ideias teresloucada czz, czz, ...francamente, arktkt, não habia czz, czz, nexexidade... solução um teresloucada?....czz. Quote
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