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2/3 da população ainda não regressaram nem esperam regressar tão cedo a Nova Orleães. Os americanos são conhecidos por serem práticos. A cidade não tem condições para viver com razoável qualidade de vida. É uma das mais pobres da América. Não oferece nada de bom. Alta Criminalidade. A Cidade morreu. A Cidade está debaixo do nivel do mar quando há furacões. É perigosa. Para quê voltar para uma cidade que não tem nenhuma condição? Os europeus diriam que seria pelo Lugar, pelas Memórias ali vividas, é a morada... mas os americanos sendo práticos não ligam a esse tipo de coisas. Lugar, Memória e outras coisas são coisas sem qualquer interesse. O que ficou no passado já não interessa e assim morre uma das cidades icónicas do mundo. A Capital do Jazz morre por os americanos não querem saber do passado. Será assim tão linear?

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Spike Lee filma 'Requiem' sobre a tragédia do 'Katrina'

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José Mário Silva

No dia 29 de Agosto do ano passado, Spike Lee estava na Europa, a participar no Festival de Cinema de Veneza, onde foi exibido All the Invisible Children, um filme colectivo sobre a condição infantil no começo do século XXI, em que Lee juntava o seu episódio (Jesus Children of America) a pequenas ficções de Mehdi Charef , Emir Kusturica e John Woo, entre outros.

Pela TV, o realizador de Verão Escaldante assistiu, incrédulo, ao modo como o Katrina, um furacão de categoria 5, destruíu os vários diques que separavam Nova Orleães do lago Pontchartrain, transformando a cidade do Louisiana numa espécie de Veneza involuntária, com mortos a boiar e milhares de desalojados. Logo ali, decidiu que era sua obrigação explicar um dos maiores desastres naturais da história dos Estados Unidos da América, com base nos relatos de quem viveu a tragédia ou a testemunhou em primeira mão.

Menos de um ano depois, o resultado do seu esforço pode ser visto em When the Levees Broke: a Requiem in Four Acts (Quando se Romperam os Diques: um Requiem em Quatro Actos), o documentário de quatro horas em que reúne cerca de cem depoimentos e que estreou, dividido em duas partes, no canal de cabo HBO - a primeira parte foi exibida segunda-feira; a segunda, ontem à noite. O filme voltará ser emitido integralmente no dia 29, quando se assinalar o primeiro aniversário da catástrofe.

Anatomia de um 'crime'

Assente numa estrutura musical, When the Levees Broke... começa por alternar a memória das famosas paradas e festas de Nova Orleães com imagens das casas destruídas e dos cadáveres arrastados pelas águas, enquanto se ouve, em fundo, Do You Know What it Means to Miss New Orleans, de Louis Armstrong.

Depois, Lee ouve dezenas de vítimas, membros das equipas de salvamento e responsáveis directos pela gestão da catástrofe (como a governadora Kathleen Blanco e o mayor Ray Nagin), enquanto elenca os vários erros fatais que se foram sucedendo: da evacuação que não chegou a acontecer, apesar dos alertas, à paralisia do poder local e federal, culminando no atraso com que a Administração Bush decidiu enfrentar o problema. Para o cineasta, esta resposta tardia configura, de resto, "um acto criminoso". E o veredicto só podia assumir o tom da denúncia: "Esta devastação não se deveu apenas à Mãe Natureza. Houve pessoas com responsabilidades que não fizeram o que deviam ter feito."

Na ante-estreia do filme, que aconteceu faz hoje uma semana no New Orleans Arena, a poucos metros do Superdome (estádio que albergou durante semanas milhares de sobreviventes em condições precárias), os dez mil espectadores reagiram de forma emotiva às impressionantes histórias que Lee recolheu. Quando um homem descreve a morte da mãe, que estava numa cadeira de rodas à porta do Centro de Convenções, ouviram-se soluços e choros convulsivos. Quando George W. Bush e Michael Chertoff (responsável nacional pela Protecção Civil) apareceram no ecrã, ouviram-se vaias.

Para além da boa recepção junto de quem sofreu na pele o horror do Katrina, o documentário também obteve os favores da crítica. Para a Newsweek, por exemplo, esta é a obra mais importante da carreira de Lee, que "vê a tragédia como uma traição nacional baseada na classe social, mais do que na cor da pele; para ele, as vítimas partilham o facto de terem muito pouco à partida e de acabarem com nada de nada".

Mas também há quem acuse Lee de focar a sua atenção quase exclusivamente nos problemas das populações negras pobres (as mais afectadas), esquecendo as vítimas dos bairros brancos e da restante costa do Golfo do México. O realizador rebateu as acusações, dizendo que há bastante diversidade racial nos depoimentos e que apenas concentrou a sua atenção em Nova Orleães porque foi esse o foco da catástrofe.

When the Levees Broke... será exibido a 1 de Setembro no Festival de Veneza, fora de competição.

in http://dn.sapo.pt/2006/08/23/artes/spike_filma_requiem_sobre_a_tragedia.html

Bush procura atenuar a má imagem
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Helena Tecedeiro
O presidente George W. Bush, que decretou o 29 de Agosto como Dia Nacional da Memória do Furacão Katrina, chegou ontem a Nova Orleães para assinalar a data e procurar, um ano depois, atenuar a má imagem deixada pela resposta da Administração à tragédia, que custou a vida a cerca de 1800 pessoas.

Alertadas para o perigo do Katrina na véspera de este atingir a costa Leste dos EUA, as autoridades federais esperaram demasiado tempo para dali retirar os milhares de residentes. Esta foi a conclusão de um relatório do Congresso que apontou o Katrina como um "falhanço nacional", acusando todos os níveis de governação - desde as autoridades locais até à Casa Branca - de serem responsáveis.

Na semana passada, Bush admitiu que "será preciso tempo" para reparar os danos causados pelo furacão, mas sublinhou estar empenhado na reconstrução e em evitar que a tragédia se repita. Segundo o conselheiro presidencial Dan Bartlett, em última instância, Bush será julgado "pela forma como o Golfo do México vai ser reconstruído e como o Governo irá gerir a próxima crise".

Posta em causa a capacidade de resposta da Administração a uma catástrofe em solo nacional, em ano de eleições intercalares, Bush procura agora apagar da mente dos americanos a imagem que deixou em finais de Agosto de 2005 quando surgiu a espreitar a destruição em Nova Orleães pela janela do Air Force One, na viagem de regresso a Washington após as férias no Texas. Uma mancha na sua presidência agravada pelas acusações de racismo que surgiram aquando da passagem do furacão.

Questão racial

Após o Katrina, o "conservador compassivo", slogan de Bush nas presidenciais de 2000, viu pela primeira vez posta em causa a sua compaixão. Em Setembro, confrontado com a destruição que deixou dois terços da população de Nova Orleães sem tecto, atingindo sobretudo a comunidade negra (mais pobre), o presidente pediu "ousadia" aos americanos para combater essa catástrofe. Muitos críticos da Administração atribuíram ao racismo a falta de assistência imediata à população.

"Era a grande oportunidade para reabrir o debate sobre as questões raciais e de classes, e eles desperdiçaram-na", disse ao New York Times o reverendo Eugene F. Rivers III.

Num artigo de opinião publicado no site da televisão ABC, o professor de Direito David Dante Troutt sublinhou as dificuldades vividas pela comunidade negra de Nova Orleães e explicou que "o Katrina é o que acontece quando se segregam pessoas por raça e classe social".

Conhecida por ser um melting pot étnico, Nova Orleães viu, no último ano, a sua estrutura demográfica alterada: dos 465 mil habitantes da cidade, pouco mais de 200 mil regressaram, maioritariamente brancos e ricos. E se o famoso Bairro Francês saiu relativamente incólume, os bairros pobres foram os mais afectados e muitos dos negros que residiam em Nova Orleães continuam espalhados pelos EUA, a viver em caravanas fornecidas pelas autoridades federais. Imagem colocada

in http://dn.sapo.pt/2006/08/29/tema/bush_procura_atenuar_a_imagem.html
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Primeiro uma correcção, porque penso que segundo as últimas contagens, "apenas" metade da população não voltou à zona. Seja uma questão de mentalidade, ou outra qualquer, é legítimo que as populações abandonem este local. Em primeiro lugar temos que pensar que é uma zona simbólica de uma muito má recordação. Muitos foram os que morreram e os prejuízos materiais foram muitos. Mas sobretudo temos que ver que nas recuperações que estão a ser feitas nos diques que protegem a cidade, está a ser utilizada a mesma tecnologia daqueles que acabaram por ceder à um ano, o que ao nível das garantias de segurança é capaz de deixar as pessoas com o pé atrás. Será que os riscos de uma nova catástrofe valem um regresso ao mesmo local, mesmo tendo em conta o ser o berço do Jazz e uma cidade com história? Para metade dos habitantes sim, para outros tantos não... As duas soluções são compreensiveis e aceitáveis... Já agora, o tsunami no sudoeste da Ásia ceifou muitas mais vidas e destruiu muitas mais cidades. Quanto ao grau de recuperação de toda a zona (áreas turísticas e não turísticas) não sei como é que está, mas sendo a situação completamente diferente, já que há a possibilidade de voltar a acontecer, mas se calhar é menos provável, acredito que seja mais fácil às populações regressarem às suas habitações, mesmo apesar do ímpacto psicológico...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Já agora, o tsunami no sudoeste da Ásia ceifou muitas mais vidas e destruiu muitas mais cidades. Quanto ao grau de recuperação de toda a zona (áreas turísticas e não turísticas) não sei como é que está, mas sendo a situação completamente diferente, já que há a possibilidade de voltar a acontecer, mas se calhar é menos provável, acredito que seja mais fácil às populações regressarem às suas habitações, mesmo apesar do ímpacto psicológico...


É uma questão de mentalidades e de factores socio-económicos e politicos. Vê o caso de Lisboa depois de 1755. Uma das soluções era passar a cidade de Lisboa para onde hoje é Belém. Não foi aceite porque não era economicamente viável.
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Claro que sim, mas também não acredito que as pessoas que sairam de Nova Orleães e não voltaram tenham tido apoios estatais para se estabelecerem num outro local... Quanto ao Sudoeste Asiático, os grandes grupos financeiros que controlam o turismo sabem bem o que aquela zona vale, daí voltarem a investir lá e algumas semanas depois do cataclismo já os hoteis começaram a receber hóspedes. Quanto às populações costeiras, creio que as cidades não foram deslocadas e as aldeias, a terem-no sido, não terão ido para muito longe, porque a fonte de subsitência deles está ali, no mar... PS: A recuperação com o plano do sr Marquês também não deve ter saído nada barata, mas concerteza que as contas foram feitas...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

  • 2 weeks later...

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