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Siza Vieira: Reforma da baixa de Madrid será pacífica

O arquitecto Álvaro Siza Vieira afirmou hoje à Lusa, no Porto, que está convencido que a aprovação final do seu projecto para a reforma do eixo Prado-Recoletos, em Madrid, deverá ser pacífica.
«Continuamos a aprofundar o trabalho no terreno em alguns pontos onde isso pode ser feito, estamos à espera da aprovação da Comunidad (Governo Regional) de Madrid para que as obras possam avançar«, disse o arquitecto.

Siza Vieira acrescentou que a baronesa Thyssen, principal impulsionadora da contestação à reforma, já não tem objecções ao projecto e que até agora «não lhe chegaram quaisquer novas críticas, nem exigências«, pelo que a aprovação deverá ser pacífica.

O arquitecto falava à Lusa no Palácio da Bolsa, no Porto, à margem da apresentação do projecto de reabilitação e ampliação do Vidago Palace Hotel, um projecto que envolve um investimento de 56 milhões de euros e a criação de 110 postos de trabalho.

Siza Vieira salientou que o projecto para a reforma daquela zona da baixa madrilena, que mereceu críticas de algumas personalidades espanholas, foi aprovado em finais de 2007 pela Câmara de Madrid «por unanimidade, sem qualquer objecção e com elogios«, o que o deixa esperançado na aprovação final.

«Sei que a questão está envolvida numa luta política entre o poder municipal e o poder regional de Madrid, cujos responsáveis, por sinal até são do mesmo partido [Partido Popular], mas isso são questões políticas que me ultrapassam, eu nem percebo nada de política«, frisou o arquitecto.

A 25 de Fevereiro último, o presidente do Ayuntamiento (câmara municipal] de Madrid, Alberto Ruiz-Gallardón, condicionou a sua permanência no cargo à aprovação do projecto de Siza Vieira para a reforma do eixo Prado-Recoletos, no centro da capital espanhola.
Ruiz-Gallardón (Partido Popular) explicou que a decisão final sobre o projecto do arquitecto português deverá ser conhecida em Abril, mês em que se espera uma decisão da Comunidad (Governo Regional) de Madrid, presidida por Esperanza Aguirre (também do PP).

«O eixo Prado-Recoletos é a acção política mais importante desta legislatura. É o coração, se não mesmo o motor do arranque da recuperação de todo o centro de Madrid. É prioridade absoluta«, insistiu então o alcaide.

Apresentado a concurso há cinco anos, e com obras previstas para começarem em 2009, o projecto desenhado por Siza Vieira para a autarquia de Madrid tem sido marcado praticamente desde o inicio pela polémica.

Quer o projecto inicial, quer uma versão alterada, apresentada em Dezembro, foram contestados pela baronesa Thyssen, que chegou a ameaçar levar o Museu Thyssen para outro ponto de Madrid, com menos tráfico, se a ideia avançasse.
A reforma em questão centra-se no eixo das avenidas Prado e Recoletos, duas das principais da capital espanhola e onde estão, entre outros, o Museu do Prado e o Museu Thyssen, dois dos maiores ícones culturais de Madrid.

O desenho inicial, que há cinco anos foi posto a concurso, causou intensa polémica, levando a baronesa Thyssen a acorrentar-se a uma árvore em protesto contra o corte previsto de árvores e contra a reforma que prejudicaria o Museu Thyssen.

Depois de meses de polémica, a autarquia apresentou algumas alterações que, depois da mediação do Ministério da Cultura, acabaram por contar com o sim das instituições culturais afectadas.

Fora do acordo ficou porém o governo regional da Comunidade de Madrid, cuja presidente, Esperanza Aguirre, criticou o projecto, sustentando que ele afectará a circulação de tráfico na zona, deixando assim em aberto uma eventual rejeição das obras.

O projecto é um dos palcos da guerra política entre Ruiz-Gallardón e Esperanza Aguirre, vistos em alguns quadrantes como sucessores do actual presidente do PP, Mariano Rajoy e que, pelo conflito político, acabaram por ser afastados das listas populares de deputados nas eleições legislativas de 09 de Março último.

A derrota de Mariano Rajoy nas eleições, ganhas pelo PSOE, não abrandou a luta entre as duas facções do PP, uma vez que não se sabe ainda se o líder popular deixa ou não a presidência do partido.

Ruiz-Gallardón, tido como representante da ala mais moderada do PP, e Esperanza Aguirre, apoiada pela ala direita do partido, perfilam-se ambos como candidatos à sucessão do presidente do PP espanhol.

Diário Digital / Lusa

Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=4&id_news=328388&page=4

  • 9 months later...
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Siza garante que projecto para a baixa madrilena é agora pacífico

Arquitectura. Medalha de Ouro do Royal Institute of British Architects ser-lhe-á entregue no dia 26

Álvaro Siza afirmou ontem "estar ultrapassado" o longo braço-de-ferro com a baronesa Carmen Thyssen- -Bornemisza, principal opositora ao seu projecto de requalificação do eixo Prado-Recoletos, em Madrid, apresentado a concurso há seis anos, mas em compasso de espera por força da actual crise económica.

O arquitecto, que falava à margem da conferência "Ganhar Évora como Cidade de Cultura", disse ainda que o projecto, que deveria avançar este ano, permitirá quer a "descompressão", designadamente viária, daquele eixo fundamental da baixa madrilena quer a "reposição, com base em documentos históricos, do que era aquele espaço".

Controverso desde a primeira hora, recorde-se, o projecto (e subsequentes alterações) foi recebido com duras críticas por parte da baronesa, em particular quando Carmen Thyssen-Bornemisza ameaçou transferir o seu museu e se acorrentou a uma árvore em protesto pelo anunciado abate de 600 outras. Olhando o processo em retrospectiva, Álvaro Siza disse acreditar que "o problema básico" residiu, antes, numa "luta política entre o alcalde de Madrid [Ruiz-Gallardón] e a presidente da Comunidade [Esperanza Aguirre]".

Relativamente às alterações que o projecto sofreu, o arquitecto - que, no dia 26, receberá em Londres a Medalha de Ouro do Royal Institute of British Architects, em reconhecimento pela sua carreira - reafirmou terem sido feitas "no sentido de se salvarem algumas das árvores que eram derrubadas, mas que eram poucas, não 600". Ao longo destes seis anos, disse, "desapareceram 200 [daquele eixo]", por alegadas razões fitossanitárias.|- M.J.P. com Lusa e RIBA (www.architecture.com)

in http://dn.sapo.pt/2009/02/02/artes/siza_garante_projecto_para_a_baixa_m.html

Espanha: "Ultrapassadas" divergências no projecto para baixa de Madrid - Álvaro Siza (C/ VÍDEO)

Évora, 01 Fev (Lusa) - O arquitecto Álvaro Siza Vieira, responsável pelo projecto para a reforma do eixo Prado-Recoletos, em Madrid, garantiu hoje estarem "ultrapassadas" as divergências com a principal contestatária da reabilitação, a baronesa Thyssen.

Évora, 01 Fev (Lusa) - O arquitecto Álvaro Siza Vieira, responsável pelo projecto para a reforma do eixo Prado-Recoletos, em Madrid, garantiu hoje estarem "ultrapassadas" as divergências com a principal contestatária da reabilitação, a baronesa Thyssen.

"As questões estão ultrapassadas neste momento", afiançou, defendendo que o seu projecto, que ainda não avançou devido à actual crise económica, vai permitir "descomprimir" o eixo Prado-Recoletos.

Segundo Siza Vieira, trata-se do "arranjo" daquele eixo, "muito importante e muito usado" em Madrid, e a intervenção "vai no sentido de o descomprimir e de repor, com base nos documentos históricos, o que era aquele espaço".

"Há toda uma série de medidas complementares de descompressão, porque hoje é o grande eixo de distribuição de Madrid", no que respeita ao tráfego automóvel, disse.

O objectivo do projecto, de acordo com o arquitecto português, é também o do "repor a qualidade do passeio para os peões", naquelas artérias da baixa madrilena.

Apresentado a concurso há seis anos, tendo as obras estado previstas começar este ano, antes da crise económica, o projecto desenhado por Siza Vieira para a autarquia de Madrid foi marcado, praticamente desde o início, pela polémica.

Quer o projecto inicial, quer uma versão alterada, foram contestados pela baronesa Thyssen, que chegou a ameaçar levar o Museu Thyssen para outro ponto de Madrid, com menos tráfego automóvel, se a ideia avançasse.

A reforma em questão centra-se no eixo das avenidas Prado e Recoletos, duas das principais da capital espanhola e onde estão, entre outros, o Museu do Prado e o Museu Thyssen, dois dos maiores ícones culturais de Madrid.

O desenho inicial posto a concurso causou intensa polémica, levando a baronesa Thyssen a acorrentar-se a uma árvore, em protesto contra o corte previsto de árvores e contra a reforma que prejudicaria o Museu Thyssen.

O projecto foi também um dos palcos da guerra política entre o presidente da câmara, Ruiz-Gallardón, e a presidente do governo regional de Madrid, Esperanza Aguirre, ambos do PP e apontados como candidatos à sucessão na presidência do partido.

"Era dito que iam ser derrubadas 600 árvores e que eram do século XVIII. Simplesmente, um dos elementos da equipa de Madrid descobriu uma fotografia aérea, posterior à Guerra Civil [de Espanha, 1936-1939], em que se via que não havia árvore nenhuma, porque durante a guerra foram destruídas", contou o arquitecto à Lusa.

Siza Vieira, que acredita que o "problema básico" em torno do seu projecto foi "uma luta política entre o 'alcalde' e a governadora da região de Madrid", explicou ainda que o seu projecto teve várias alterações, depois de recolhidos contributos durante a fase de exposição pública, nomeadamente no que respeita ao abate de árvores.

"Houve modificações no perfil, de pormenor, no sentido de se salvarem algumas das árvores que eram derrubadas, mas que eram poucas, não eram 600", disse, realçando, contudo, que "desapareceram 200 árvores" durante este período.

"As pessoas esquecem-se que as árvores também morrem. Houve árvores que estavam velhas e os agrónomos da câmara tiveram que as derrubar, porque estavam a ameaçar queda", sublinhou.

RRL/SYM/PF/ASP.

Lusa/Fim

IN http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/495327

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