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Arquitectura: Investigadora revela em livro novos dados sobre a Basílica da Estrela



Lisboa, 28 Fev (Lusa) - O projecto original da Basílica da Estrela - a primeira no mundo dedicada ao sagrado Coração de Jesus - incluía uma praça maior e uma outra ala conventual, afirmou a historiadora Sandra Costa Saldanha.

O projecto, segundo a historiadora, perspectivava que esta zona de Lisboa se tornasse um pólo de desenvolvimento urbanístico diferenciado da baixa pombalina e, além da Basílica, Palacete e ala conventual (actualmente existentes), previa-se uma outra ala que não chegou a ser edificada, "e uma praça maior, um espaço mais amplo como pede a monumentalidade do conjunto edificado".
"Este é um dado totalmente novo" resultante da investigação sobre aquele templo religioso levada a cabo por Sandra Saldanha, que a publica numa obra editada pelos Livros Horizonte, intitulada "A Basílica da Estrela - Real Fábrica do Santíssimo Coração de Jesus".


O projecto de uma praça real "era bastante mais ambicioso do que o actual largo da Estrela, implicando o seu prolongamento para nascente, e estava prevista a colocação de uma estátua da Rainha ao centro", explicou.
"A estátua, uma encomenda de Pina Manique que desejava que esta expressasse `a bondade da Rainha`, depois de várias andanças pela cidade, acabou por ficar no largo fronteiro ao Palácio de Queluz, onde ainda está", acrescentou.


Todo o projecto inicial é transformado no actual jardim da Estrela, inaugurado a 03 de Abril de 1852.
Do projectado pólo urbano resta hoje, segundo a investigadora, "a silhueta da Basílica, que pontifica na paisagem ocidental de Lisboa".


A basílica, construída "por expressa vontade da Rainha D.ª Maria I e do seu marido D. Pedro III, é o primeiro templo no mundo dedicado ao culto do sagrado Coração de Jesus", daí "ter estabelecido a sua iconografia".


"Em termos de pinturas, temáticas e a própria representação do Sagrado Coração de Jesus, é na Basílica da Estrela que são conhecidos os primeiros modelos no mundo", indicou ainda a investigadora.
Em termos decorativos, a Basílica contou com a colaboração "de alguns dos melhores artistas da época", nomeadamente o pintor Pedro Alexandrino de Carvalho e Machado de Castro, que "dirigiu toda a parte escultórica", além do entalhador José de Abreu do Ó.


A basílica foi construída entre 1779 e 1790, em cumprimento de um voto da Rainha por ter dado à luz um filho varão, o Príncipe D. José, que morreria anos mais tarde, vítima de varíola.
O primeiro projecto é da autoria de Mateus Vicente de Oliveira, que não participou nas obras de reconstrução pombalinas, tendo sido alterado por outros responsáveis da obra, designadamente o marquês de Angeja e Anselmo da Cruz Sobral.


A edificação do monumento "levantou uma polémica muito grande relativamente aos seus custos e financiamento", assinalou Sandra Saldanha.


Todavia, "os seus críticos inflacionaram em muito o custo, que foi avultado para a época", acrescentou.
A actual disposição da Basílica "pouco difere da original, apesar de algumas mudanças pontuais mas pouco expressivas, nomeadamente a colocação de uma N.ª S.ª de Fátima no local reservado inicialmente ao Santíssimo ou a actual colocação do túmulo da Rainha".


O mobiliário e outros bens móveis do convento, que foi ocupado pelas Carmelitas por influência de D. Frei Inácio de S. Caetano, confessor da Rainha, foram leiloados em 1884, após a morte da última religiosa.
Dos três órgãos que existiam, do organeiro António machado e Cerveira (irmão de Machado de Castro), "desconhece-se o paradeiro de um deles".


O livro, resume a historiadora, "é um súmula da encomenda da obra que permite melhor interpretar um templo que em termos de gramática decorativa e arquitectónica faz a transição do barroco para o neo-clássico".


"Por exemplo - referiu - as quatro estátuas que ladeiam no topo do centro da fachada a Adoração ao Santíssimo Coração de Jesus, não são santos, mas representam a Fé, a Devoção, a Gratidão e a Liberdade".


Integrado na mesma colecção é editado também, de Sílvia Ferreira, um livro sobre a talha dourada da igreja de Santa Catarina, que os lisboetas conhecem também como igreja dos Paulistas por ter pertencido à Ordem de S. Paulo.


"A igreja de Santa Catarina - A talha da capela-mor" é o título do livro, que nasceu da dissertação de mestrado de Sílvia Ferreira e incide sobre o trabalho do entalhador Santos Pacheco.




www.rtp.pt

margarida duarte

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