Dreamer Posted February 27, 2008 Report Posted February 27, 2008 O desenho da cidade Fotografia Adelino Meireles Gomes Fernandes, Arquitecto Acrónica, hoje, começa com uma pergunta será que os portuenses e os cidadãos em geral que utilizam a cidade se preocupam com o desenho urbano, do traçado dos arruamentos, dos prédios, da forma e composição dos jardins e de outros espaços de uso público, do mobiliário urbano? Os casos da reconversão de espaços públicos como a Praça de Lisboa e o Mercado do Bolhão, porventura extensíveis na filosofia política ao Ferreira Borges e Bom Sucesso, e agora o Plano da Marginal do Douro recentemente referido no JN, mostram que alguma coisa mexe, a razão é saber se daí derivam vantagens para a melhoria da imagem da cidade, entre outras vias pela do desenho urbano. O Porto é uma bela cidade, tem urbanismo de marca, arquitectura e património de referência e exemplos de qualidade de desenho na pedra, na azulejaria, nos canteiros de jardins, nas pontes antigas e modernas, em igrejas e teatros, livrarias e cafés, valores estéticos de urbanidade a que os cidadãos não podem nem devem ficar indiferentes. Contudo, os últimos 50 anos não foram brilhantes nesta matéria, um pouco por falta de desenho de arquitectos naquilo que se projectou e construiu, também por deficiente resposta de alguns destes técnicos nas encomendas que lhes foram feitas. Na última década, ligado a obras da Porto 2001 e do Metro e antes disso à acção do CRUARB e aos projectos dos túneis, produziu-se desenho urbano de qualidade, embora não se possa dizer que se criou nos serviços municipais uma cultura específica que venha a perdurar. Os casos acima referidos de reconversão de espaços públicos emblemáticos da cidade suscitam preocupação, pelo modo como foram desencadeados e por mexerem com espaços e edifícios há muito estabilizados na memória dos cidadãos. No Bolhão, concretamente, o que se contesta não é a reconversão do espaço e a sua modernização funcional, é, do ponto de vista da imagem e do desenho, a força de marca que o mercado tem como objecto urbano e a fragilidade, para não dizer ausência, das propostas avançadas. Não se pode mexer numa "jóia" urbana a buldozer ou picareta e o joalheiro-proprietário não pode ficar indiferente a esta aventura, pois, daquilo que se conhece como desenho-proposta, é o mínimo que se pode dizer. É aqui que se vai testar a cultura urbana dos serviços municipais com os arquitectos em primeira linha, pois exige-se-lhes um conhecimento histórico-patrimonial do sítio e uma exigência crítica estética que não podem ser alienados, sob risco de estarmos a destruir belo desenho urbano em troca de nada, que é uma das formas assumidas pelo vazio. O mesmo se poderá dizer da Praça da Lisboa (não façam Nazoni revirar-se na tumba!) e de outros casos. Sobre a marginal, o princípio adoptado, do concurso público de ideias, foi um bom princípio e espera-se agora que a Câmara avance sempre sob a batuta do arquitecto vencedor, Pedro Balonas, pois a frente ribeirinha já tem casos de boa qualidade de desenho urbano e agora pode cerzi-los numa "manta" mais vasta e coerente. O Porto precisa de apurar este exercício de artesania sobre o espaço da cidade e, para tal, precisam os jornais de falar mais sobre o assunto e de lembrar à Câmara e aos arquitectos as suas responsabilidades. Ambiente e qualidade de vida melhores também passam por aqui, porque o social e o económico não dispensam a exigência crítica e o apuramento do gosto, e isso são vertentes estéticas e éticas da cidadania. A qualidade do desenho urbano é um espelho da cultura e da preocupação dos cidadãos!gomes.fernandes@europlan.pt Link: http://jn.sapo.pt/2008/02/27/porto/o_desenho_cidade.html Respondendo à pergunta, uns preocupam-se, muitos não, mas a maioria gosta de ver a cidade "bonita", mas sempre ao seu gosto... Quanto a mim o ideal é que a cidade seja de tal forma bem desenhada, que o cidadão comum nem sequer tenha de pensar nisso... Quote Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...
Dreamer Posted February 27, 2008 Author Report Posted February 27, 2008 O desenho da cidade Fotografia Adelino Meireles Gomes Fernandes, Arquitecto Acrónica, hoje, começa com uma pergunta será que os portuenses e os cidadãos em geral que utilizam a cidade se preocupam com o desenho urbano, do traçado dos arruamentos, dos prédios, da forma e composição dos jardins e de outros espaços de uso público, do mobiliário urbano? Os casos da reconversão de espaços públicos como a Praça de Lisboa e o Mercado do Bolhão, porventura extensíveis na filosofia política ao Ferreira Borges e Bom Sucesso, e agora o Plano da Marginal do Douro recentemente referido no JN, mostram que alguma coisa mexe, a razão é saber se daí derivam vantagens para a melhoria da imagem da cidade, entre outras vias pela do desenho urbano. O Porto é uma bela cidade, tem urbanismo de marca, arquitectura e património de referência e exemplos de qualidade de desenho na pedra, na azulejaria, nos canteiros de jardins, nas pontes antigas e modernas, em igrejas e teatros, livrarias e cafés, valores estéticos de urbanidade a que os cidadãos não podem nem devem ficar indiferentes. Contudo, os últimos 50 anos não foram brilhantes nesta matéria, um pouco por falta de desenho de arquitectos naquilo que se projectou e construiu, também por deficiente resposta de alguns destes técnicos nas encomendas que lhes foram feitas. Na última década, ligado a obras da Porto 2001 e do Metro e antes disso à acção do CRUARB e aos projectos dos túneis, produziu-se desenho urbano de qualidade, embora não se possa dizer que se criou nos serviços municipais uma cultura específica que venha a perdurar. Os casos acima referidos de reconversão de espaços públicos emblemáticos da cidade suscitam preocupação, pelo modo como foram desencadeados e por mexerem com espaços e edifícios há muito estabilizados na memória dos cidadãos. No Bolhão, concretamente, o que se contesta não é a reconversão do espaço e a sua modernização funcional, é, do ponto de vista da imagem e do desenho, a força de marca que o mercado tem como objecto urbano e a fragilidade, para não dizer ausência, das propostas avançadas. Não se pode mexer numa "jóia" urbana a buldozer ou picareta e o joalheiro-proprietário não pode ficar indiferente a esta aventura, pois, daquilo que se conhece como desenho-proposta, é o mínimo que se pode dizer. É aqui que se vai testar a cultura urbana dos serviços municipais com os arquitectos em primeira linha, pois exige-se-lhes um conhecimento histórico-patrimonial do sítio e uma exigência crítica estética que não podem ser alienados, sob risco de estarmos a destruir belo desenho urbano em troca de nada, que é uma das formas assumidas pelo vazio. O mesmo se poderá dizer da Praça da Lisboa (não façam Nazoni revirar-se na tumba!) e de outros casos. Sobre a marginal, o princípio adoptado, do concurso público de ideias, foi um bom princípio e espera-se agora que a Câmara avance sempre sob a batuta do arquitecto vencedor, Pedro Balonas, pois a frente ribeirinha já tem casos de boa qualidade de desenho urbano e agora pode cerzi-los numa "manta" mais vasta e coerente. O Porto precisa de apurar este exercício de artesania sobre o espaço da cidade e, para tal, precisam os jornais de falar mais sobre o assunto e de lembrar à Câmara e aos arquitectos as suas responsabilidades. Ambiente e qualidade de vida melhores também passam por aqui, porque o social e o económico não dispensam a exigência crítica e o apuramento do gosto, e isso são vertentes estéticas e éticas da cidadania. A qualidade do desenho urbano é um espelho da cultura e da preocupação dos cidadãos!gomes.fernandes@europlan.pt Link: http://jn.sapo.pt/2008/02/27/porto/o_desenho_cidade.html Respondendo à pergunta, uns preocupam-se, muitos não, mas a maioria gosta de ver a cidade "bonita", mas sempre ao seu gosto... Quanto a mim o ideal é que a cidade seja de tal forma bem desenhada, que o cidadão comum nem sequer tenha de pensar nisso... Quote Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...
Sputnik Posted February 28, 2008 Report Posted February 28, 2008 No caso concreto da fotografia apresentada, pode-se dizer que foi isso que se passou: A equipa de Fernandes de Sá realizou à "unha" um desenho indicativo de como se poderia melhorar, através do desenho do espaço público, aquele troço da cidade do Porto. E foi impressionante verificar que já havia previsto o aqueduto, com um desenho quase semelhante ao que Carlos Prata faria mais tarde. De certa forma, o arranjo dos pavimentos tornaram evidente e necessária a reabilitação dos edifícios - eis que já se arrancou com a transformação de um armazem em habitações, e pouco a pouco (porque estas coisas demoram) começam a ver-se os seus efeitos. O desenho do espaço público é talvez das ferramentas fundamentais de transformação da cidade. Quote
Sputnik Posted February 28, 2008 Report Posted February 28, 2008 No caso concreto da fotografia apresentada, pode-se dizer que foi isso que se passou: A equipa de Fernandes de Sá realizou à "unha" um desenho indicativo de como se poderia melhorar, através do desenho do espaço público, aquele troço da cidade do Porto. E foi impressionante verificar que já havia previsto o aqueduto, com um desenho quase semelhante ao que Carlos Prata faria mais tarde. De certa forma, o arranjo dos pavimentos tornaram evidente e necessária a reabilitação dos edifícios - eis que já se arrancou com a transformação de um armazem em habitações, e pouco a pouco (porque estas coisas demoram) começam a ver-se os seus efeitos. O desenho do espaço público é talvez das ferramentas fundamentais de transformação da cidade. Quote
Recommended Posts
Join the conversation
You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.