Jump to content

Recommended Posts

Posted

Construiu a partir de uma cruz no território, à semelhança dos romanos "A fusão entre a força da natureza e a tentativa da regra." Eis uma breve definição da obra de Oscar Niemeyer que é também a síntese da conferência e visita guiada realizadas ontem, no Museu da Electricidade, à exposição 100 Fotos, Obras, Anos de Oscar Niemeyer, do fotógrafo Leonardo Finotti, pelos arquitectos Ricardo Carvalho e Ricardo Bak Gordon.

Esta mostra, patente até 2 de Março - comissariada por Michelle Jean de Castro e organizada por iniciativa da Fundação EDP -, associa--se à celebração do centenário de Niemeyer, revelando-nos Finotti, também ele arquitecto, nas palavras de Ricardo Carvalho, "uma organização pouco interessada em sair do âmbito da radicalidade disciplinar e apostada em edifícios protagonizando a dramatização da construção, na representação poética de um elemento e no desafiar da gravidade."

Uma arquitectura leve, simples, que encontrou o método no betão, captada em cem fotos a partir do "talento avassalador" de Oscar Niemeyer e fez , de raiz, um território novo num planalto em Brasília. Situação ímpar que - com o apoio do poder político -, tentou afirmar a arquitectura moderna, na sua perícia técnica e estética, por meio da construção de edifícios públicos e da ideia de uma vasta solidariedade.

É esse trabalho, realizado em Brasília, mas igualmente espalhado pelo mundo, que Finotti, durante um ano, fotografou, em jeito de reportagem, nele introduzindo, segundo Richard Gordon, o valor do tempo. Panorama abrangente que leva o espectador a interrogar-se sobre a relação da arquitectura com a sociedade, desigual e caótica, e o ser humano.

Não será por acaso que Niemeyer constrói, diz Ricardo Carvalho, a partir de uma cruz no território, tal como os romanos, sendo que em Brasília se vê, sobretudo o céu, mas o que domina é a linha do horizonte.

Ateu, comunista, judeu, Niemeyer investiu - não obstante a inovação da sua obra, marcada por uma eloquência sensual -, na faceta arcaica em Brasília (os arcos por exemplo): "Há uma presença do futuro, que se acredita democrática, e um olhar sobre o passado", salienta.

Relembre-se o Museu de Arte de Niterói, actual MAC, de 1991: edifício a que não são alheias as formas da cerâmica grega. Explica Ricardo Carvalho: "Temos aqui um arquitecto mais maduro do que aquele que construiu Brasília. Mais inquieto, vai--nos dizendo ainda que museu é a materialização do que falta na linha do horizonte." No fundo, é sempre a natureza, subvertida, a inspirar as formas desafiadoras do criador.

Ricardo Gordon recorda, também, por outro lado, que houve quem considerasse a ideia de Brasília provinciana. Tratava-se, todavia, de criar um espaço para todos, de oferecer poesia a todos: "Não deixa de ser fascinante olhar para este projecto utópico, este modelo de arquitectura plural." Niemeyer assinou à volta de 40 projectos, do Palácio do Itamaraty de Brasília ao Auditório Ibirapuera, em São Paulo, da Casa de Canoas à Igreja de São Daniel, na favela Manguinhos, no Rio de Janeiro.

in DN
Posted

Construiu a partir de uma cruz no território, à semelhança dos romanos "A fusão entre a força da natureza e a tentativa da regra." Eis uma breve definição da obra de Oscar Niemeyer que é também a síntese da conferência e visita guiada realizadas ontem, no Museu da Electricidade, à exposição 100 Fotos, Obras, Anos de Oscar Niemeyer, do fotógrafo Leonardo Finotti, pelos arquitectos Ricardo Carvalho e Ricardo Bak Gordon.

Esta mostra, patente até 2 de Março - comissariada por Michelle Jean de Castro e organizada por iniciativa da Fundação EDP -, associa--se à celebração do centenário de Niemeyer, revelando-nos Finotti, também ele arquitecto, nas palavras de Ricardo Carvalho, "uma organização pouco interessada em sair do âmbito da radicalidade disciplinar e apostada em edifícios protagonizando a dramatização da construção, na representação poética de um elemento e no desafiar da gravidade."

Uma arquitectura leve, simples, que encontrou o método no betão, captada em cem fotos a partir do "talento avassalador" de Oscar Niemeyer e fez , de raiz, um território novo num planalto em Brasília. Situação ímpar que - com o apoio do poder político -, tentou afirmar a arquitectura moderna, na sua perícia técnica e estética, por meio da construção de edifícios públicos e da ideia de uma vasta solidariedade.

É esse trabalho, realizado em Brasília, mas igualmente espalhado pelo mundo, que Finotti, durante um ano, fotografou, em jeito de reportagem, nele introduzindo, segundo Richard Gordon, o valor do tempo. Panorama abrangente que leva o espectador a interrogar-se sobre a relação da arquitectura com a sociedade, desigual e caótica, e o ser humano.

Não será por acaso que Niemeyer constrói, diz Ricardo Carvalho, a partir de uma cruz no território, tal como os romanos, sendo que em Brasília se vê, sobretudo o céu, mas o que domina é a linha do horizonte.

Ateu, comunista, judeu, Niemeyer investiu - não obstante a inovação da sua obra, marcada por uma eloquência sensual -, na faceta arcaica em Brasília (os arcos por exemplo): "Há uma presença do futuro, que se acredita democrática, e um olhar sobre o passado", salienta.

Relembre-se o Museu de Arte de Niterói, actual MAC, de 1991: edifício a que não são alheias as formas da cerâmica grega. Explica Ricardo Carvalho: "Temos aqui um arquitecto mais maduro do que aquele que construiu Brasília. Mais inquieto, vai--nos dizendo ainda que museu é a materialização do que falta na linha do horizonte." No fundo, é sempre a natureza, subvertida, a inspirar as formas desafiadoras do criador.

Ricardo Gordon recorda, também, por outro lado, que houve quem considerasse a ideia de Brasília provinciana. Tratava-se, todavia, de criar um espaço para todos, de oferecer poesia a todos: "Não deixa de ser fascinante olhar para este projecto utópico, este modelo de arquitectura plural." Niemeyer assinou à volta de 40 projectos, do Palácio do Itamaraty de Brasília ao Auditório Ibirapuera, em São Paulo, da Casa de Canoas à Igreja de São Daniel, na favela Manguinhos, no Rio de Janeiro.

in DN

Join the conversation

You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.

Guest
Reply to this topic...

×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

  Only 75 emoji are allowed.

×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

×   Your previous content has been restored.   Clear editor

×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.

×
×
  • Create New...

Important Information

We have placed cookies on your device to help make this website better. You can adjust your cookie settings, otherwise we'll assume you're okay to continue.