helgacv Posted February 17, 2008 Report Posted February 17, 2008 Boas ,caros colegas Estou a investigar esse tema "Tecnologia do tijolo de solo-cimento" para elaborar a minha tese de mestrado. Tenho estado a pesquisar na internet sobre o solocimento, mas nao encontro qualquer referencia da sua utilização aqui em Portugal. Se caso alguem souber e tiver alguma informaçao sobre o solo-cimento aplicado em Portugal, poderiam me disponibilizar ou indicar alguma referencia ou lugar onde me possa dirigir? Obrigada ja agora pela vossa antençao dispensada nesse topico. bons trabalhos Helga Vicente Quote
Pedro Barradas Posted February 17, 2008 Report Posted February 17, 2008 ... não tenho conhecimento de utilização de solo-cimento, aliás este designação é normalmente utilizada pelos brasileiros... O que é normalmente fabricado, é a utilização de BTC (Blocos de Terra compactado) que, além de "terra" também poderão ser adicionados percentagens de ligantes hidraulicos (cimento, Cal hidraulica, cal aérea, etc) e pigmentos se desejado tirar partido estético do BTC à vista(para interiores). Existe uma fábrica de BTC em Lagos, e várias empresas de construção de técnicas tradicionais que também possuem tecnologia para o fabrico dos mesmos em esclas mais reduzidas, por exemplo em SERPA a empresa "BETÃO e TAIPA". Faz uma busca na net por BTC ou Blocos de Terra compatada, verás que existe alguma informação disponível. PS: Já fiz vários BTC, numa máquina manual, se estiverem interessados posso, depois de procurar as ditas, ilustrar com algumas fotos... :p Quote Quem cria renasce todos os dias...Agua-Mestra, LdaNão sou perfeito, mas sou muito critico...
vitor nina Posted February 17, 2008 Report Posted February 17, 2008 Helga, Solo-cimento é uma técnica que se utiliza na construção de pavimentos rodoviários de secundária importância, ainda que em tempos tivesse tido algum peso, particularmente em zonas rurais. Basicamente consiste na melhoria das capacidades de solos fracos mediante a adição de cimento em quantidades que dependem da natureza dos solos a tratar e seguindo metodologias que em Portugal estão definidas na especificação do LNEC E304 - 1974. É uma técnica da área da engenharia não conhecendo eu a aplicação da mesma para execução de blocos de alvenaria. Quote
Pedro Barradas Posted February 17, 2008 Report Posted February 17, 2008 Vitor... em blocos ou em "taipa", o Brasil utiliza bastante esta técnica de construção nas áreas interiores pobres... pela facilidade de obtenção de matérias-primas, baixo-custo, não necessitando de grande tecnologia... Quote Quem cria renasce todos os dias...Agua-Mestra, LdaNão sou perfeito, mas sou muito critico...
Peter Posted February 18, 2008 Report Posted February 18, 2008 Aconselho alguma pesquisa nas publicações do arquitecto José Alberto Alegria. Quote
vitor nina Posted February 18, 2008 Report Posted February 18, 2008 Pedro, Eu não me pronunciei sobre os blocos de taipa (BTC) porque a dúvida da Helga reportava-se à tecnologia do solo-cimento, tendo, por isso, limitado a minha resposta a essa área específica (saliento que nunca ouvi a designação "solo-cimento" aplicada a blocos de alvenaria de taipa donde, para mim, alvenaria de blocos de terra e solo-cimento são coisas distintas). Sendo certo que em algumas regiões adicionam cal às argilas para conseguirem o bloco de taipa, a substituição deste ligante por cimento não me parece que confira uma grande vantagem ao bloco...tenho dúvidas, ainda que não seja peremptório. Acrescento, no entanto, que sou bastante crítico relativamente ao emprego dos BTCs como material de construção, não pelo material em si, mas porque não existe qualquer regulamentação ou normativo que defina as exigências, os níveis de desempenho e as técnicas de aplicação a que se deve obedecer. Deste modo estamos a aplicar materiais cujo o comportamento no futuro nos é desconhecido e isso já não é compatível com o nosso ordenamento jurídico; justifico, não obstante o anterior, a sua plena aplicação na recuperação de edifícios antigos, nos quais a incorporação de tecnologias e materiais contemporâneos me parece um perfeito disparate, quer do ponto de vista técnico (incompatibilidade de materiais, impossibilidade do princípio de reversão, etc) quer do ponto de vista de princípio de intervenção para preservação de valores culturais do imóvel sendo este, aliás, um pressuposto assumido por quem faz recuperação e restauro de edifícios e que vem na linha das recomendações do ICOMOS nesta matéria. Reconheço que essa situação (caracterização técnica do BTCs) deverá mudar, quer porque o material em causa tem várias valias susceptíveis de serem exploradas, nomeadamente a significativa redução dos custos de construção e o aumento do valor ecológico conferido aos edifícios, ao não serem necessários gastos de transporte uma vez que argila, palha e cal existem numa grande faixa de território; ao não serem necessários gastos energéticos consideráveis na cozedura do material, pois ele pode ser seco ao sol(e consequente redução de emissão de CO2) ; e, finalmente, porque sendo um material feito a partir terras existentes nas próximidade da obra, atenua o impacto das alterações topográficas e paisagísticas que habitualmente certas áreas do território são sujeitas (maciços rochosos ou terrenos argilosos) em resultado da extracção /escavação intensiva de inertes para alimentar de matéria prima as indústrias dos cimentos, dos tijolos e das britas e gravilhas. Mas, obviamente, se é de construções em terra que estamos a falar então a referência aos trabalhos escritos e construídos do Arq. Alegria, conforme sublinha o Peter, não pode ser ignorada. Quote
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