Jump to content

Recommended Posts

Posted
Exposições celebram 100 anos de Niemeyer

O aniversário é só no dia 15, mas as comemorações pelo centenário do arquiteto Oscar Niemeyer começam neste sábado, no interior de um de seus edifícios mais emblemáticos, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói. Atração em si, o museu receberá a exposição Oscar Niemeyer — Arquiteto brasileiro cidadão, com fotografias, textos e projetos representando as principais fases de sua arquitetura. Na terça-feira será a vez de As curvas do tempo, no Arte Sesc, com destaque para a preocupação social e humanitária do arquiteto.

No MAC, o curador Marcus Lontra reúne fotos em grandes dimensões de Kadu Niemeyer, neto do arquiteto, além de textos e maquetes eletrônicas — inclusive de projetos recentes, como o Sambódromo de Brasília, o Centro Cultural Príncipe de Astúrias, na Espanha, e o Museu de Arte Moderna da Baixada (Muamba). Há ainda obras de artistas que trabalharam com Niemeyer, como Bruno Giorgi, Alfredo Ceschiatti, Portinari e Franz Weissmann.

"Niemeyer articulou uma iconografia que se tornou um símbolo de identidade nacional. Me chama a atenção como é forte a imagem do Congresso Nacional, apesar de seus problemas. Os cariocas têm um saudosismo de quando a capital era o Rio. Mas alguém é capaz de falar da arquitetura do Palácio do Catete?", desafia Lontra. "Ao mesmo tempo que tem relação com o movimento internacional do modernismo na arquitetura, o Oscar não precisou ir pelo viés exótico, estilo Tarsila (do Amaral, pintora). Ele faz parte dessa segunda metade modernista de algo que não se afirma como verdade absoluta. A Pampulha significou uma mudança de rota no modernismo internacional".

A mostra — que já passou por edifícios projetados pelo arquiteto, como o Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte; o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba; e o Ibirapuera, em São Paulo — seguirá para o Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, em Brasília. No MAC, é complementada por obras da coleção João Sattamini, de artistas como Beatriz Milhazes, Lygia Clark e Sergio Camargo — que Lontra vê com influência do pensamento de Niemeyer.

"Num certo sentido ele é um provocador, detona os conceitos clássicos do modernismo. O próprio MAC representa isso. As pessoas ainda têm a visão do cubo branco modernista, do museu sem fala. Tudo no MAC gera uma discussão específica, mas é muito mais contemporâneo", diz Lontra, reconhecendo que as curvas do museu lhe impõem dificuldades para montar a exposição.

No Arte Sesc, 40 painéis reúnem reproduções de fotografias e textos de “As curvas do tempo”, livro de memórias de Niemeyer. São croquis, textos, fotografias e uma cronologia comentada pelo próprio arquiteto, além de painéis com frases que ilustram seu pensamento sobre vida e política. Todos pequenos, podendo ser facilmente desmontados e levados a outras cidades do país.

"É uma exposição compacta e densa, que pode se adequar a espaços pequenos para que possa ser itinerante, ir fora do eixo Rio-São Paulo, onde a obra do Niemeyer não é suficientemente conhecida", diz Ana Lúcia Niemeyer, neta do arquiteto e presidente da Fundação Oscar Niemeyer, responsável pela exposição.

Ana Lúcia afirma que, apesar de mostrar os projetos mais marcantes do arquiteto, a exibição tem menos a preocupação de exibir a imagem de um edifício do que de indicar o processo criativo que chegou a ele:

"A idéia era mostrar sobretudo o lado humanístico, sua preocupação com a política, com o futuro do Brasil, da América Latina, com o indivíduo. Há anos ele está preocupado com a formação geral, porque as pessoas se formam como especialistas, deixando de lado o aspecto humano. Paralelamente ao ensino da arquitetura, são importantes as questões filosóficas e sociais".

É por esse motivo que, segundo Ana Lúcia, a Escola Oscar Niemeyer de Arquitetura e Humanidades é, atualmente, a menina-dos-olhos do arquiteto. Ela ficará na nova sede da fundação, que deve estar pronta em meados de 2008.

"Investimos tudo na inauguração da sede nova em dezembro, mas ela não ficou pronta. Vamos continuar o centenário no ano que vem", diz ela, apesar de saber da aversão do avô pela celebração dos 100 anos de idade. "Não sei se não tem importância, ou se é uma constatação de que ele está envelhecendo. Embora a vida inteira ele não tenha gostado muito de comemorar, acho que essa é uma reação natural. Tenho muito orgulho e vontade de mostrar sua obra".

www.pernambuco.com

margarida duarte

Join the conversation

You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.

Guest
Reply to this topic...

×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

  Only 75 emoji are allowed.

×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

×   Your previous content has been restored.   Clear editor

×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.

×
×
  • Create New...

Important Information

We have placed cookies on your device to help make this website better. You can adjust your cookie settings, otherwise we'll assume you're okay to continue.