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Prédio a recuperar com o "sim" do LNEC

"Qualquer obra de construção civil implica sempre um risco, e neste caso é óbvio que o risco é acrescido, mas o projecto de recuperação do edifício mereceu a aprovação do LNEC", disse, ontem à noite, ao JN, o comandante dos Bombeiros Sapadores de Setúbal. Mário Macedo afastava, assim, a hipótese de que a demolição pudesse ser a melhor opção para o edifício cujos três últimos andares ficaram reduzidos a escombros na passada quinta-feira. Em defesa desta ideia avançou com a disparidade dos custos de recuperação do edifício em contraponto à escolha da demolição.

Ao fim da tarde de ontem decorreu a terceira reunião conjunta de bombeiros, representantes do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Setubal,Governo Civil e INEM. Não ficou nenhuma outra agendada para os próximos dias porque as decisões de ontem foram um avanço importante em relação ao que estava em causa. "Mandar o prédio abaixo seria obviamentre um desperdício", disse Mário Macedo ao JN.

"Nada indica que a estrutura tenha ficado afectada de modo irreparável" , adiantou.

Mas se a decisão tomada foi a de tentar recuperar um edifício ferido, o director do Departamento de Estrutura do LNEC, Almeida Fernandes, admitia ontem que ainda existe risco de colapso total.

Almeida Fernandes sublinhou o esforço desenvolvido pelas autoridades locais e pela empresa do grupo Teixeira Duarte para salvar o imóvel, assegurando que tem sido feito tudo o que é possível para minimizar o risco de derrocada, através do escoramento dos andares inferiores.

"Temos já um escoramento muito grande e de certeza que a situação agora é menos grave, mas não temos certezas", disse, adiantando que "não há garantias absolutas" (ver caixa) . O risco só será eliminado quando for possível construir uma estrutura metálica, que substitua a estrutura de betão dos 10.º, 11.º e 12.º andares que desapareceu com a explosão, o que deverá demorar mais uma semana.

* com Lusa


O edifício "não é exemplo de grande resistência", considera Almeida Fernandes, que admitiu que não terá sido respeitada a legislação anti-sísmica. "Não se percebe como é que um prédio desta altura, numa zona sísmica, não tem uma caixa de escada de betão, mas de tijolo", disse. A hipótese de o construtor do prédio vir a ser responsabilizado pelo eventual incumprimento de algumas regras de construção "é um assunto a analisar posteriormente", disse, acrescentando que quando o "LNEC entra nestes processos não os larga a seguir", disse.

www.jn.sapo.pt

margarida duarte

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