3CPO Posted November 20, 2007 Report Posted November 20, 2007 ADOCMuseu de Arquitectura e Urbanismo, Salamanca O programa de concurso promove uma operação de reabilitação de um edifício classificado através da reutilização das instalações do “banco de Espanha em Salamanca”. A eleição deste edifício para albergar a “sede do museu nacional de arquitectura e urbanismo dedicada à arquitectura”, compreende-se pela sua localização relativa ao centro da cidade de Salamanca. Um equipamento cultural desta natureza pode assumir uma preponderância grande numa cidade que se caracteriza por albergar um pólo universitário dinâmico. A aproximação franca entre a arquitectura e as camadas mais jovens pode permitir uma difusão/cultivação nesta matéria, que contribuem para uma sensibilização da população em geral para a valorização. A reabilitação de um edifício classificado e emblemático para a cidade surge como o primeiro aspecto que pode enquadrar este projecto num patamar desejável de sustentabilidade. O prolongamento do ciclo de vida desta construção contribui para a consolidação e permanência de um memória histórica, patrimonial e social. O projecto propõe a adequação de espaços existentes a novos usos, optimizando recursos e custos, bem como a expectativa de aproveitamento e reciclagem do maior número de elementos que caracterizam o edifício. Esta intenção permite uma redução substancial dos resíduos de demolição e construção. No entanto o facto de a intervenção estar restringida, não deve inibir por completo o processo criativo, quando se promove o enriquecimento do espaço. O factor mobilidade é importante em qualquer edifício com um carácter de utilização pública. Tratando-se de um museu que se destina à divulgação da arquitectura, este factor assume um papel preponderante. Pretende-se, que o museu possa garantir equidade a quem o utiliza, assim a proposta de criação de percursos alternativos próprios para utentes com mobilidade condicionada, surge adaptada à construção existente, mas tenta acompanhar o percurso principal para haver a mesma sequência espacial dentro do espaço expositivo. Num edifício com estas características, concebido originalmente para albergar um uso muito particular, para que seja transformado num espaço expositivo fluido e versátil, por ventura com exigências ainda mais específicas necessita, em primeira instância de ser reorganizado espacialmente. A complexidade desta intervenção, ainda que com um programa aparentemente simples, reside na adequação da infraestrutura existente a um equipamento onde todos os pisos deverão ser acessiveis por diferentes utentes, sem que se cruzem, e cujo controlo seja facilitado pela estanquicidade das diferentes valências. O grau de protecção desta unidade, de acordo com o plano general, impõe, por um lado, que a intervenção se centre no seu interior mantendo totalmente a fachada original e sem alterações de volumetria, e que ainda assim, procure manter a coerência construtiva e alguma continuidade na abordagem. Contudo, e segundo o programa, cabe ao projectista (concursante) propor não só uma ideia de “museu de arquitectura e urbanismo dedicado à arquitectura”, mas também qual a maneira de devolver a este edifício a centralidade social através do uso a que se destina. Assim, com estas premissas procurámos concentrar a intervenção na reinvenção do percurso, elegendo o pátio como o lugar deste edifício, ideal para portoganizar essa valia. A integração de um “corpo estranho” a esta construção materializa esta ideia. Neste caso, a escada helicoidal é o percurso principal que conduz no decorrer da exposição residente e que traz os visitantes ao pátio tornando-o parte integrante da exposição. No que diz respeito à reorganização espacial, esta proposta pretende racionalizar a estrutura existente. Desta forma, dedicámos ala poente do edifício (volume definido pela fachada da praça de los bandos e o pátio) já que aí reside uma parte importante da estabilidade do edifício, e onde a compartimentação é mais imprescindível, para os serviços satélite do museu, ou seja, entrada, venda de bilhetes, loja, biblioteca, administração e zona de formação e ferramentas de sensibilização. Isto possibilitou libertar as outras três alas do edifício apenas para o museu, à excepção da cafetaria no piso 0, que usufrui, tb ela, do pátio. No piso semi-enterrado, foram colocados os armazéns, os aquivos e os serviços que lhes estão associados. Salamanca é, numa análise primária, uma cidade monocromática, se não mesmo, monomatérica. A pedra, de cor amarelada, impera no cenário urbano consolidado. Isso torna-a absolutamente apaixonante e altamente iconográfica. Esta proposta procura, à sua escala, enfatizar essa mono-materialidade, transportando-a para dentro do pátio, extrapolando limites na perspectiva de fazer deste pátio uma continuidade da praça de los bandos na sua utilização. Sob a forma de tiras de pedra local, que se intervalam entre revestimento de estrutura e “folhas” de pedra que permitem a passagem da luz, num jogo de profundidades ambíguas, o pátio ganha complexidade, embora distinta das fachadas de cariz urbano e que constroem as frentes de rua da cidade. A eleição do ferro, de expressão semelhante a uma escultura de bronze, pretende que esta peça torne ainda mais visível uma entidade que já ali estava com a qual co-existe. Agradecemos a colaboração de ADOC. Quote
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