JVS Posted October 28, 2007 Report Posted October 28, 2007 http-~~-//www.arcoweb.com.br/arquitetura/fotos/797/ft1.jpg http-~~-//www.arcoweb.com.br/arquitetura/fotos/797/ft4.jpg http-~~-//www.arcoweb.com.br/arquitetura/fotos/797/ft8.jpg Dois volumes independentes conformam a edificação que os arquitetos Fernando de Mello Franco, Marta Moreira e Milton Braga, do escritório MMBB, projetaram para renomado artista plástico brasileiro. Localizada na capital paulista, em bairro residencial com topografia acidentada e baixa densidade, em trecho com especial situação paisagística, a residência compartilha o terreno com o estúdio do artista. Acompanhando o perfil acidentado do lote, que chega a medir 11 metros entre os pontos extremos da testada, os dois setores do programa foram implantados em cotas diferentes. O ateliê fica no nivel inferior, com acesso voltado para a face oposta à da entrada principal; a moradia propriamente dita, elevada um pé-direito em relação à cota térrea, ocupa o pavimento superior. A volumetria concisa, edificada com estrutura de concreto protendido, quatro pilares centrais e seus balanços decorrentes, imprime linguagem racional ao projeto. Mas, em vez da presumível rigidez de tal arquitetura, o que se observa é a apropriação diversificada do lote e de seu entorno. A casa é marcada por favoráveis contrastes. Nesse sentido, vale refletir brevemente sobre o tema do projeto. Conceber a morada do artista, assim como a do próprio projetista, é tarefa tradicionalmente apreciada pela arquitetura. Em termos gerais, desde os modernos, boa parte da busca pela técnica e pela estética convenientes à vida doméstica do criador esbarra em projetos racionais, caracterizados pela forma e meios concisos. Como se a aparente impessoalidade e o conseqüente elogio à técnica e ao raciocínio sintético dessem conta e fossem os mais apropriados à diversidade de funções, humores, convívios e períodos do espaço residencial. http-~~-//www.arcoweb.com.br/arquitetura/fotos/797/ft9.jpg http-~~-//www.arcoweb.com.br/arquitetura/fotos/797/ft12.jpg Outros exemplos da racionalidade do projeto estão no estúdio, construído em dois níveis, de forma a aproveitar platô existente e apenas nivelar o terreno onde fosse realmente necessário, e, o que talvez seja mais notório, na radicalidade da escada de acesso à casa. Singela, ela repousa isolada em meio ao térreo aberto, como que anunciando o isolamento de usos que o projeto demandava. Em contrapartida, a onipresença da paisagem retira da arquitetura seu elevado grau de rigidez racional. No térreo, livre, essa relação fica mais evidente porque a laje de cobertura do estúdio, que lhe serve de piso, enquadra a paisagem panorâmica que alcança até o vale do rio Tietê. É a vista, portanto, o que importa, de modo que o térreo e o estúdio quase se confundem com o lote triangular de esquina ao reproduzirem sua forma e alinhamentos. O raciocínio estende-se ainda ao terraço da cobertura, aberto em toda a lateral retangular, e, no detalhe, às portas-balcão da casa. Afinal, qual seria a razão, se não o desfrute de visuais, para prever portas que não podem ser transpostas, como evidenciam os guarda-corpos metálicos que as isolam na sala de estar? Texto resumido a partir de reportagem de Evelise Grunow Publicada originalmente em PROJETODESIGN Edição 331 Setembro de 2007 in Arcoweb Quote
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