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Existencial projecta espaço de interacção

Sustentabilidade, ecologia, incentivo à relação do homem com a natureza e a interacção entre jovens e idosos é a base da "Quinta da Saúde". O projecto conta com a assinatura do atelier Existencial"Quinta da Saúde". Este é o nome dado pelo atelier Existencial a um dos seus mais recentes trabalhos. Promovendo a coabitação entre jovens e idosos num espaço que respeita a natureza, e com o objectivo de estreitar relações e tirar das mesmas um conjunto de aprendizagens, esta quinta de características peculiares vai nascer no norte do país, em Gondomar. Sensibilizados para a protecção ambiental e principalmente para a relação entre o indivíduo e a natureza, as premissas para o desenvolvimento do projecto foram o equilíbrio entre a vegetação espontânea, as plantações existentes e as estruturas a implementar. "Optou-se por manter o terreno o mais intacto possível, tirando partindo das cotas iniciais do terreno, alterando-as pontualmente de forma a integrar o equipamento na paisagem original do terreno", explicou o autor da proposta, Filipe Jeremias, ao Construir. A implantar numa encosta com orientação sul/nascente, o projecto visa a criação de um espaço de interacção, que de acordo com a equipa projectista, possui características "acima das convencionais".

O luxo da versatilidade

Por "acima das convencionais", Filipe Jeremias revela não se tratar de um espaço luxuoso, mas sim de um espaço "com funcionalidades e características até hoje não pensadas". Sublinhando que tentou ir mais além nestas questões, o autor da "Quinta da Saúde" disse ao Construir que não se limita "a fazer coabitar o oito e o oitenta, ou seja, o jovem e o idoso". Nesse sentido, o projecto procurou a "interacção social entre estas hierarquias, a aprendizagem mútua, como o respeito pela natureza. Não tentámos dar só resposta a um programa imposto, confinando um idoso em vinte ou trinta metros quadrados de quarto sem ter um espaço exterior para poder viver, mas sim dar uma resposta retórica, criando espaços exteriores, dentro e fora da habitação, para que a pessoa pudesse desfrutar o seu mais belo prazer de viver". Contudo, o facto de ser um equipamento que vai servir uma população com algumas restrições levou a que fossem tidos em conta alguns factores decisivos no sucesso da mesma. "Dar resposta a uma versatilidade de necessidades básicas tais como a mobilidade, a necessidade de espaço interior e exterior do habitáculo, a ocupação de tempos livres, toda uma panóplia de serviços que recai no que hoje em dia o ser humano procura", resumindo a necessidade de satisfazer o bem-estar de quem vai habitar este espaço, foram as preocupações tidas em conta pela equipa projectista. Ao nível programático, a quinta contempla um volume principal, onde no piso -1 ficam concentrados os serviços de carácter institucional, e nos dois restantes pisos, acima do solo visível, se agrupam as áreas destinadas a quartos residenciais para pessoas de terceira idade. O projecto assinado pelo atelier Existencial equacionou também a existência de pessoas com mobilidade dita satisfatória, e nesse sentido, criaram um conjunto de volumes residenciais com carácter mais isolado, e contemplando tipologias entre o T0 e o T1. Estes volumes de um único piso estão rodeados de vegetação e também contemplam um pátio interior privado, e ficam ligados ao volume principal através de um percurso pedonal. A esta estrutura principal, aliou-se uma vertente pedagógica que se materializou em volumes estereotipados, pré-fabricados e com dimensões com cerca de 14×15 metros, que permitem igualmente a criação de pátios interiores.

Edifício projectado, auto-suficiente

"Pretendermos um equipamento auto-suficiente tanto ao nível do abastecimento de águas como de energias eléctricas", explicou Filipe Jeremias, evidenciando que, "para isso foi necessário recorrer a uma panóplia de energias alternativas, como as energias renováveis, o tratamento de águas residuais e pluviais, a captação de energia através do vento e do solo. As questões de sustentabilidade foram ainda equacionadas na escolha dos materiais, que neste caso recaiu sobre a pedra e a construção pré-fabricada em madeira e derivados. Evidenciando a "integração do projecto na paisagem" como principal desafio, o atelier Existencial define a proposta como um "projecto sem margem para erro".

Fonte: Jornal Construir

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