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Tripoli apresenta projecto de desenvolvimento sustentável

O governo líbio lançou hoje em Cyrene (Norte) o «primeiro projecto mundial de conservação e desenvolvimento sustentável de grande dimensão», onde serão investidos vários mil milhões de dólares e criados cerca de 200 mil postos de trabalho.
O projecto, anunciado como inédito no mundo, situa-se no parque da Montanha Verde, um local classificado pela Unesco como Património Mundial pela sua biodiversidade e beleza geográfica.

No parque em Cyrene, cidade localizada na costa mediterrânica, a cerca de 1.500 quilómetros a leste de Tripoli, encontram-se também algumas das maiores ruínas greco-romanas do mundo, que as autoridades líbias querem explorar e restaurar.

«O património histórico é um dos maiores activos do país», afirmou Saif-al-Islam Kaddhafi (filho do Comandante Supremo das Forças Armadas e líder do regime, Muhammar Khaddafi), que chefia a autoridade criada para gerir o projecto.

Aproveitando a riqueza natural e arqueológica deste local, que se estende por cinco mil quilómetros quadrados, o governo líbio decidiu criar um projecto global que desenvolva uma economia local e ao mesmo tempo respeite e proteja o ambiente.

No topo dos objectivos do projecto está a criação de uma infra-estrutura sustentável com energias renováveis, gestão e reciclagem dos resíduos e neutralidade regional das emissões de dióxido de carbono.

Do plano consta também o desenvolvimento da economia local, nomeadamente da agricultura biológica, piscicultura e produção e serviços ligados às novas tecnologias.

As populações serão envolvidas através da oferta de micro crédito para incentivar o investimento e actividade económica e cultural, ao mesmo tempo que será desenvolvido o turismo, com a construção de hotéis, restaurantes e museus.

Na entidade gestora vão participar arquitectos, arqueólogos, economistas, ambientalistas e conservadores de várias nacionalidades, além de instituições, como o gabinete de arquitectos Foster + Partners ou a escola de artes tradicionais do príncipe de Gales.

O principal investimento será do Estado líbio e estima-se que atinja os «vários mil milhões de dólares», avançou Stefan Behling, especialista em sustentabilidade ecológica e energética da Foster + Partners, que realizou o projecto.

Nas maquetas em exposição, os arquitectos revelam residências turísticas integradas nas rochas, «spas», hotéis perto de monumentos gregos, planos para o uso de energia solar, eólica e culturas, ao mesmo tempo que garantem a defesa de espécies, como as tartarugas marinhas existentes nesta região.

Cerca de 200 mil postos de trabalho serão criados, distribuídos pelo eco-turismo, construção e manutenção de infra-estruturas, arquitectura, agricultura e preservação dos parques naturais, segundo os responsáveis, que não adiantaram um prazo para a sua conclusão.

Procurando acelerar o processo, Salif-al-Islam Khaddhafi, apelidado de «Engenheiro», assinou no local, perante várias dezenas de jornalistas e convidados estrangeiros, uma declaração com 14 princípios para a conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, que prometeu respeitar.

«Estes princípios vão ser aplicados aqui, mas também em todo o país», afirmou, num discurso feito na totalidade em inglês no Gymnasium, um edifício em ruínas, construído pelos gregos e usado mais tarde pelos romanos.
Em resposta a algumas perguntas de jornalistas, Kaddhafi reconheceu o «problema do turismo de massa, mas o plano quer evitar esses efeitos negativos».

«Esta é a forma certa de avançar», observou Stefan Behling, que se manifestou convencido de que «se o projecto acontecer, o mundo vai olhá-lo como um exemplo e copiar».

Behling evitou comentar a situação política e o regime, referindo que a Líbia «faz agora parte da comunidade internacional e existem várias formas de gerir um país».

«Eles têm muito petróleo e não precisavam de fazer isto», argumenta.
Questionado sobre se o país está a promover uma maior democratização e a abertura ao exterior, Salif-al-Islam, respondeu secamente que «este projecto não tem nada a ver com a democracia».

Mas no seu discurso, o dirigente líbio deixou claro o desejo de mostrar que quer participar nas grandes causas globais, em particular no combate às alterações climáticas.

Fonte: Diário Digital / Lusa

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