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Imagem colocadaA crise no crédito hipotecário nos Estados Unidos poderá custar aos investidores de imobiliário cerca de 150 mil milhões de dólares (110 mil milhões de euros) em perdas a nível mundial, de acordo com uma estimativa avançada ontem pela Calyon, a filial de banca de investimento do branco francês Crédit Agricole. Este valor representa 71% do PIB português em 2006.

A execução de hipotecas pode alcançar 20% dos 1,3 biliões de dólares de crédito subprime (elevado risco) por resgatar. Se os investidores conseguirem salvaguardar metade das suas aplicações, os prejuízos seriam da ordem dos 130 mil milhões de dólares. Poderá registar-se uma perda adicional de 20 mil milhões de dólares, associada aos fundos de um bilião de dólares que estão aplicados no crédito hipotecário de mais elevada qualidade, cedido a clientes com um perfil mais seguro, mas que por força da crise, estão abaixo dos padrões normais.

O Banco Central Europeu, a Reserva Federal americana e vários bancos centrais injectaram mais de 350 mil milhões de dólares (257 mil milhões de euros) de dinheiro fresco nos mercados monetários desde 9 de Agosto, perante o risco de que as perdas no crédito hipotecário cortassem a concessão de empréstimos, pressionando em alta os juros de curto prazo.

Desde que a crise do subprime emergiu no início deste ano, os empréstimos ao consumo têm vindo a encolher, não só no mercado imobiliário, mas também nos créditos para automóvel e cartões de pagamento, adianta um responsável da Calyon, citado pela Bloomberg. O declínio da procura dos investidores no crédito imobiliário já afundou mais de 50 companhias hipotecárias e meia de dúzia de hedge funds (fundos de risco elevado) nos Estados Unidos desde o ano passado. Os receios relativos ao aumento dos incumprimentos nos pagamentos levaram os bancos a reduzirem as linhas de crédito para empréstimos à habitação, o que terá impacto pelo lado do consumo no crescimento da economia americana.

Todos os dias surgem notícias sobre perdas de instituições financeiras, mas a real dimensão do problema ainda não é conhecida. Ontem, uma filial da companhia financeira americana Kohlberg Kravis Roberts anunciou um prejuízo de 40 milhões de dólares ao vender crédito hipotecário no valor de 5,1 mil milhões de dólares, admitindo perder mais 200 milhões de dólares. O hedge fund australiano Basis Capital disse que as perdas num dos seus fundos podem ultrapassar os 80%. |- A.S. e RICHARD DREW-AP (imagem)Imagem colocada

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Trichet pede calma aos mercados europeus


RUDOLFO REBÊLO
AP (imagem)



Imagem colocadaPelo quarto dia útil consecutivo, o Banco Central Europeu injectou ontem mais 7,7 mil milhões de euros junto da banca europeia, tentando baixar o preço do dinheiro negociado entre os banqueiros para o intervalo compatível com a taxa de cedência do BCE, actualmente nos 4%.

Ontem, ao final do dia os bancos comercializavam o dinheiro (mercado monetário) a uma taxa entre os 3,98% e os 4,05%, já longe dos 4,7%, registados no final da semana passado, quando alguns bancos europeus tiveram dificuldades na concessão de crédito, logo após a crise do subprime no mercado americano do imobiliário de alto risco. Milhares de famílias americanas, com parcos recursos, deixaram de pagar empréstimos, contagiando os mercados europeus, já que a banca europeia (através de fundos) comprou títulos representativos dos empréstimos de alto risco.

A crise no crédito imobiliário propagou-se às bolsas, com os investidores a retirarem dinheiro dos mercados já que passaram a acreditar no fraco desempenho dos resultados do sector bancário e empresas cotadas em Bolsa. Tal como os analistas esperavam, Jean-Claude Trichet, presidente do BCE, voltou ontem a apelar à calma, reconhecendo que os mercados vivem ainda um "período de nervosismo".

"As condições de mercado regressam gradualmente ao normal", afirmou o presidente do BCE, em comunicado distribuído ontem. Trichet, referiu que tem sido observado uma normalização do preço do riscos nos mercados. Também ontem, em comunicado, o presidente do Bundesbank, o banco central alemão, Axel Weber, referiu que existe uma normalização no país, e que, apesar de "tensões em alguns segmentos de mercado", os dados da economia alemã e europeia "continuam a ser positivos".

O BCE, a Reserva Federal dos EUA, bancos centrais do Canadá e do Japão já injectaram mais de 213,5 mil milhões de euros nos mercados bancários. Ontem, durante a madrugada europeia, o banco de Japão retirou o equivalente a mais de dez mil milhões de euros, numa tentativa de travar o excesso de liquidez provocado pelas entradas de dinheiro no sistema financeiro japonês nos últimos dias.

Para o curto prazo, os analistas ainda esperam que aconteçam novas intervenções do banco central da União Europeia, embora em quantidades cada vez menores, à medida que a confiança se restabeleça nos mercados. |

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Intervenção do BCE penaliza euro

Imagem colocadaO euro voltou a perder terreno face à moeda americana, numa sessão em que chegou a negociar num valor mínimo de seis semanas. A meio da tarde, a moeda única transaccionava nos 1,3569 dólares, tendo oscilado entre o mínimo de 1,3563 dólares e um máximo de 1,3626 dólares.

O euro tem vindo a ressentir-se dos receios de propagação da crise no crédito hipotecário de alto risco dos Estados Unidos aos bancos europeus. Os investidores começam a perceber que a Europa não é imune à crise, com notícias de que bancos como o Santander ou o Deutsche Bank estão expostos a perdas relevantes,

Ontem, o Banco Central Europeu (BCE) voltou a injectar mais dinheiro do que o habitual no mercado monetário, para assegurar liquidez, penalizando por isso a moeda única. O BCE injectou mais 7,7 mil milhões de euros, a uma taxa média de 4,07%, na quarta operação consecutiva, aumentando para 211,2 mil milhões de euros o total do montante disponibilizado desde quinta-feira. Depois de um movimento de recuperação, as bolsas voltaram a fechar negativas na Europa. Nos Estados Unidos, a negociação a meio da sessão ia negativa, apesar das boas notícias sobre o défice comercial dos EUA, que melhorou inesperadamente em Julho.

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'Subprime' em Portugal?

Imagem colocadaOs gestores de fundos de investimento e de pensões do mercado português foram abordados, ao longo do ano passado, para comprar produtos estruturados com uma componente importante de crédito hipotecário de alto risco (subprime). No entanto, a generalidade recusou, o que reforça a posição da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários de que a exposição a este activo é "residual".

Segundo apurou o DN, vários representantes de grandes bancos europeus propuseram, nas suas visitas habituais, que os gestores portugueses investissem num dos activos que, segundo eles, maior potencial de retorno teria no curto prazo.

Estes produtos estruturados que incluem subprime destinavam-se, sobretudo, aos fundos mais conservadores - obrigações de taxa variável ou gestão dinâmica -, com o intuito precisamente de subir as suas baixas rentabilidades.

De acordo com uma análise à evolução das rentabilidades destes fundos nos últimos meses, não se observam oscilações significativas das taxas, embora a tendência geral seja descendente. Mas muito longe das perdas na casa dos 20% sofridas já por alguns fundos semelhantes em França e na Alemanha.

Contudo, refira-se que os fundos de taxa variável registaram, em Julho, saídas líquidas de 300 milhões de euros. O BES e o BCP foram os mais penalizados. Ambos os bancos, contactados pelo DN, não se mostraram-se disponíveis para explicar a razão destas saídas dos investidores. |

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